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Publicação é opção para conhecer a pesquisa em música no Brasil (9/6/2010)
Por Camila Frésca

A ANPPOM – Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música, é uma entidade  voltada, como o próprio nome diz, para a pesquisa e pós-graduação na área de música no Brasil. Uma de suas mais importantes iniciativas é o congresso anual, que acontece a cada edição numa cidade do país com o apoio de uma universidade local. Outra de suas iniciativas diz respeito a publicações próprias que visam reunir o que de mais recente tem-se produzido por nossos estudiosos, difundindo as informações no meio acadêmico em geral.

Recentemente, a Appom lançou o livro “Pesquisa em música no Brasil: métodos, domínios e perspectivas (volume 1)”, que pode ser baixado em sua íntegra no site www.anppom.com.br/editora/.

Organizado por Rogério Budasz, o exemplar é uma espécie de “projeto aberto”, conforme explica o próprio musicólogo: “Com esse primeiro volume, iniciamos um mapeamento dos domínios, metodologias e tendências da atividade acadêmica em música no Brasil, oferecendo perspectivas para o desenvolvimento de novas áreas, examinando a aplicabilidade de novas teorias e lançando novos olhares sobre teorias e objetos de estudo já não tão novos”.

Com a possibilidade do acesso integral do livro pelo computador, abre-se uma porta para que um público mais amplo tome contato com o que se anda produzindo em música nas nossas universidades. Neste volume, conforme explica Budasz, acadêmicos de diversas especialidades e atuantes em programas de pós-graduação em música de vários pontos do país foram convidados a escrever sobre o estado da arte da pesquisa em música em seus respectivos campos. Sendo este o primeiro de uma série (o segundo volume já se encontra em preparação), o livro é abrangente nas temáticas e uma espécie de miscelânea, em contraste com o que se pretende que sejam os subsequentes, que devem enfocar apenas uma ou duas áreas de interesse.

De fato, o volume aborda diversos assuntos, tentando contextualizar sua pertinência, seus desdobramentos e seu posicionamento entre nós – o que, por isso mesmo, o faz mais interessante para o público apreciador de música mas que está longe da academia.

A relação da música com a disciplina história e com a cultura são analisados nos dois artigos iniciais. Guilherme Sauerbronn de Barros e Cristina Capparelli Gerling tratam de análise schenkeriana a partir de uma interessante perspectiva: a relação deste método com o conceito romântico de crítica de arte apresentado por Walter Benjamin em sua tese de doutorado de 1919.

O professor e compositor Rodolfo Coelho de Souza começa desfazendo um mal entendido em torno do termo “música atonal” em seu artigo “Um introdução às teorias analíticas da música atonal”, enquanto Rosane Cardoso de Araújo reflete em seu texto sobre o próprio processo de publicação de textos científicos. No último artigo, Beatriz Ilari procura definir o que seria uma conduta ética na pesquisa musical envolvendo seres humanos, tema ainda bem pouco discutido por aqui.

Conforme explica Budasz, “não se trata, portanto, de um dicionário de teorias ou de um manual de receitas metodológicas. Mas esperamos que as análises críticas apresentadas aqui e nos próximos volumes ajudem o pós-graduando em música a explorar a sua curiosidade com a segurança de quem dispõe de um mapa do terreno.” Para quem não é do meio acadêmico e tenha a curiosidade despertada pelo tema, certamente terá muito a aprender com os textos presentes nesta publicação.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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