Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 23 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Nem sempre é bom improvisar (16/11/2010)
Por João Marcos Coelho

Assisti a alguns concertos do recente Festival de Música Nova e fiquei assustado com a bagunça generalizada do evento. Músicos no palco que sequer foram anunciados; peças que não constavam dos programas nem foram comunicadas às diminutas porém sempre distintas plateias; pianos desafinados até o ponto em que era impossível tocar qualquer coisa neles.

Enfim, a 45ª edição do mais antigo e tradicional evento da América Latina dedicado à música contemporânea aconteceu aos trancos e barrancos, sob o signo do improviso. O público variou entre 12 e 30 pessoas, em média (nada contra, aliás; música nova, como repete sempre Gilberto, não atrai mesmo multidões; mas sempre contou com o entusiasmo e a presença da tribo contemporânea). Apenas o concerto de lançamento do CD com obras de Gilberto Mendes – fundador do Festival – no SESC Vila Mariana teve excelente público. E foi lá que uns e outros murmuravam que a própria tribo da música contemporânea parece ter dado as costas ao evento.

Por quê?, fiquei me perguntando. Será que foi a (des)organização a responsável pela debandada? É possível que tenha contribuído. Afinal, nem a imprensa especializada ficou sabendo com antecedência mínima do calendário dos concertos. Eu mesmo. Precisava escrever uma matéria de apresentação do Festival e só obtive os dados fundamentais – tipo local, hora, músicos e obras – pouco mais de 24 horas antes do primeiro concerto. Assim mesmo, programas repetidos em Santos e São Paulo não especificavam o repertório correto.

E o programa geral? Bem, foi outra piada. Se para ter chance de melhor curtir o que está rolando no palco até mesmo a dita música convencional, aquela do passado, o público leigo precisa de textos que expliquem minimamente as obras, a necessidade fica urgente, urgentíssima no caso da música contemporânea. Pois não se deu explicação alguma. Nem comentários verbais pelos músicos – o que seria uma boa.

Enfoque errado
Que o festival precisa de uma correção de rota, isso é patente. Por que, por exemplo, não recuperar os antigos enfoques, quando Gilberto Mendes trazia para o Brasil os chamados “compositores da hora”, os que estavam fazendo barulho na Europa e Estados Unidos naquele momento? Com certeza, muitos se lembrarão das participações de nomes decisivos como Jorge Peixinho, Luca Lombardi, Dieter Schnebel e tantos outros; dos concertos centrados nas obras destes criadores; e das polêmicas em torno de suas obras.

Pois, e que não haja dúvida sobre isso, o festival de música nova precisa focar nos compositores. Aos 88 anos, Gilberto logicamente não pode nem quer mais pegar o touro à unha, colocar o festival de novo nos trilhos.

Que alguém se apresente, por favor. Caso contrário, o mais importante evento dedicado às músicas vivas, contemporâneas, minguará rapidamente, até a extinção. Porque a agonia já foi a tônica desta 45ª. edição.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

29/4/2018 - Orquestra Experimental de Repertório

Rio de Janeiro:
29/4/2018 - Ópera Um Baile de Máscaras, de Verdi

Outras Cidades:
24/4/2018 - Belo Horizonte, MG - Ópera La Traviata, de Verdi
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046