Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 23 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
O talismã Villa-Lobos e os pés no chão (24/2/2011)
Por João Marcos Coelho

No dia 15 de fevereiro passado, o jornal norte-americano “The Baltimore Sun” deu matéria com foto da entrevista coletiva realizada na Sala São Paulo onde se anunciou a contratação de Marin Alsop como nova titular da Osesp a partir de 2012. Algumas coisinhas me chamaram a atenção:

1 - aqui ela fará dez programas diferentes por ano, ou seja, trabalhará aqui durante dez semanas; lá seu contrato, segundo o “Baltimore”, prevê um mínimo de 14 e um máximo de 16 semanas de trabalho. Isso significa entre 40 e 60% mais lá do que aqui.


Marin Alsop [Foto: divulgação/Alessandra Fratus]

2 - O jornal cita que, na coletiva, Marin declarou que sua meta é fazer da Osesp “a melhor orquestra do mundo”. O leitor Henry Cohen, em comentário feito na edição digital do Baltimore Sun logo abaixo da matéria, diz que espera que ela não tenha sido literal, já que não é logicamente possível fazer da Baltimore Symphony Orchestra e da Osesp a melhor orquestra do mundo, “apesar de que elas poderiam dividir o primeiro lugar”. E especula que seria interessante ouvir alguém que tenha assistido aos dois concertos – um em Baltimore, outro em São Paulo – em que Marin regeu a Sétima de Mahler, só para comparar.

3 - Outro leitor, Harold Lewis, dá os parabéns a Marin e espera que ela supere as intrigas políticas que provocaram a saída de John Neschling (curioso como alguém lá em Baltimore pode estar tão por dentro das coisas daqui; santa internet).

4 - Mas Lewis faz um comentário final que, confesso, foi o que mais me chamou a atenção: ele diz que a expectativa de que Marin “nos proporcione execuções das grandes obras sinfônicas de Villa-Lobos é emocionante”.

Há muito que comentar sobre estes itens.

Nem Baltimore nem Osesp podem sonhar em ser a melhor orquestra do mundo, se aqui e lá as pessoas tiverem os pés bem fincados na realidade. Só pode ter sido mera expressão retórica de Marin. Nem por isso são orquestra ruins; ao contrário, são excelentes, em franco desenvolvimento – Baltimore vários corpos à frente da Osesp neste momento –,  e podem ocupar, sim, posições expressivas na cena internacional. Mas daí a ser a melhor do mundo soa tão irreal quanto Neschling, durante seu período, afirmar que a Osesp era uma das cinco melhores do mundo.

O melômano Harold Lewis pode ficar sossegado: Marin jamais sofrerá as pressões que Neschling suportou, pois seu cargo tem pouco a ver com o que Neschling ocupou por doze anos. Ela virá trabalhar por dez semanas, Neschling ficava lá 18 horas por dia. O dia-a-dia da orquestra não estará em suas mãos. Nem os problemas, espera-se.

Seria, sim, muito interessante se um privilegiado pudesse ter assistido aos dois concertos, aqui e lá, em que Marin regeu a dificílima Sétima sinfonia de Mahler. A daqui foi muito boa. Espera-se, claro, que ela não transforme a médio prazo a Osesp em sessão de “warm up” para os concertos de Baltimore – ou vice-versa, claro, pode acontecer o contrário, e daí nós seremos os beneficiados.

Mas o trecho mais significativo é o da expectativa do assinante de Baltimore de assistir a concertos com as obra sinfônicas de Villa-Lobos. A Osesp não precisa ter como horizonte ser a maior orquestra da América Latina. Basta ser a melhor em Villa-Lobos – e ela tem tudo para isso – e, desse modo, já terá assegurado seu lugar entre as grandes na cena internacional.

 





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

25/4/2018 - Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo

Rio de Janeiro:
29/4/2018 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
28/4/2018 - Manaus, AM - XXI Festival Amazonas de Ópera
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046