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Henrique Oswald, um grande nome do romantismo brasileiro (27/6/2011)
Por Camila Frésca

Há exatos 80 anos morria no Rio de Janeiro Henrique Oswald. O compositor carioca, nascido em 1852, foi um dos mais importantes músicos e sua geração. Tendo passado boa parte da vida na Europa, a produção de Oswald destoa da estética nacionalista que influenciou quase todos os compositores brasileiros do final do século XIX e início do século XX – suas obras são embebidas num forte romantismo europeu. Provavelmente por isso, ele permaneceu à margem das discussões e preocupações de músicos e musicólogos brasileiros até algumas décadas atrás. Trata-se, no entanto, de um compositor cujas obras sofisticadas são equiparáveis às dos melhores compositores românticos europeus.

A importância de Henrique Oswald tem sido reconhecida principalmente a partir da década de 1980, com o trabalho do professor e pianista José Eduardo Martins. Suas pesquisas sobre Henrique Oswald renderam, além de uma tese de doutorado que virou livro, artigos, edições críticas e a gravação de um CD com as obras Quarteto para piano e cordas op.26, Sonata-fantasia op.44 (para violoncelo e piano) e Concerto para piano e orquestra op.10, em versão para piano e quinteto de cordas do compositor. No livro Henrique Oswald: músico de uma saga romântica (Edusp, 1995) Martins faz um levantamento biográfico bastante minucioso do compositor, incluindo as atividades como professor e características pessoais e psicológicas. A última parte é dedicada à obra para piano solo de Oswald, que representa a maior parte de sua produção.

A trajetória de Henrique Oswald revela uma história tantas vezes observada na música brasileira: a do jovem talento, apoiado pelos pais, elogiado por professores e que trava uma luta contínua, até o final da vida, pela sobrevivência e estabilidade financeira. O talento é reconhecido pelos colegas e pela crítica, ainda que não em larga escala pelo público; a proximidade ou simpatia por parte do governo permite estudo no exterior e/ou pensões; as obras rendem prêmios e algum reconhecimento internacional. Mas nada disso permite que o compositor viva exclusivamente de seu trabalho como compositor e sequer como músico e professor, obrigando-lhe a assumir compromissos profissionais que nada têm a ver com sua área.

Na análise que faz do perfil artístico e psicológico do compositor, José Eduardo Martins traz informações interessantes. Para ele, se os modelos de Oswald são românticos e sua estrutura é a de um médio burguês, seu olhar, no entanto, é aristocrático: “Henrique Oswald procura desde a infância enobrecer-se, não se misturar. A iconografia do compositor é clara. Sempre o olhar altivo, onde a inspiração aristocrática pode estar presente em um músico pertencente à média burguesia, que assistiu ao declínio rápido de uma classe por ele almejada”.

Além do excelente livro de Martins, uma boa fonte de informações sobre Henrique Oswald é o site www.oswald.com.br. Desenvolvido e mantido pela família do compositor, nele é possível ter acesso a fotografias e recortes de jornal, ouvir obras em mp3 e fazer download de algumas partituras.


Imagem: Selo comemorativo lançado pelos Correios 
por ocasião do centenário do compositor.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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