Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sábado, 29 de Abril de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
Henrique Oswald, um grande nome do romantismo brasileiro (27/6/2011)
Por Camila Frésca

Há exatos 80 anos morria no Rio de Janeiro Henrique Oswald. O compositor carioca, nascido em 1852, foi um dos mais importantes músicos e sua geração. Tendo passado boa parte da vida na Europa, a produção de Oswald destoa da estética nacionalista que influenciou quase todos os compositores brasileiros do final do século XIX e início do século XX – suas obras são embebidas num forte romantismo europeu. Provavelmente por isso, ele permaneceu à margem das discussões e preocupações de músicos e musicólogos brasileiros até algumas décadas atrás. Trata-se, no entanto, de um compositor cujas obras sofisticadas são equiparáveis às dos melhores compositores românticos europeus.

A importância de Henrique Oswald tem sido reconhecida principalmente a partir da década de 1980, com o trabalho do professor e pianista José Eduardo Martins. Suas pesquisas sobre Henrique Oswald renderam, além de uma tese de doutorado que virou livro, artigos, edições críticas e a gravação de um CD com as obras Quarteto para piano e cordas op.26, Sonata-fantasia op.44 (para violoncelo e piano) e Concerto para piano e orquestra op.10, em versão para piano e quinteto de cordas do compositor. No livro Henrique Oswald: músico de uma saga romântica (Edusp, 1995) Martins faz um levantamento biográfico bastante minucioso do compositor, incluindo as atividades como professor e características pessoais e psicológicas. A última parte é dedicada à obra para piano solo de Oswald, que representa a maior parte de sua produção.

A trajetória de Henrique Oswald revela uma história tantas vezes observada na música brasileira: a do jovem talento, apoiado pelos pais, elogiado por professores e que trava uma luta contínua, até o final da vida, pela sobrevivência e estabilidade financeira. O talento é reconhecido pelos colegas e pela crítica, ainda que não em larga escala pelo público; a proximidade ou simpatia por parte do governo permite estudo no exterior e/ou pensões; as obras rendem prêmios e algum reconhecimento internacional. Mas nada disso permite que o compositor viva exclusivamente de seu trabalho como compositor e sequer como músico e professor, obrigando-lhe a assumir compromissos profissionais que nada têm a ver com sua área.

Na análise que faz do perfil artístico e psicológico do compositor, José Eduardo Martins traz informações interessantes. Para ele, se os modelos de Oswald são românticos e sua estrutura é a de um médio burguês, seu olhar, no entanto, é aristocrático: “Henrique Oswald procura desde a infância enobrecer-se, não se misturar. A iconografia do compositor é clara. Sempre o olhar altivo, onde a inspiração aristocrática pode estar presente em um músico pertencente à média burguesia, que assistiu ao declínio rápido de uma classe por ele almejada”.

Além do excelente livro de Martins, uma boa fonte de informações sobre Henrique Oswald é o site www.oswald.com.br. Desenvolvido e mantido pela família do compositor, nele é possível ter acesso a fotografias e recortes de jornal, ouvir obras em mp3 e fazer download de algumas partituras.


Imagem: Selo comemorativo lançado pelos Correios 
por ocasião do centenário do compositor.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

Mais Textos

E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
Sígrido Levental e o Conservatório do Brooklin (lembranças pessoais) Por Nelson Rubens Kunze (3/2/2017)
Sarau e livro recuperam a obra do violinista catarinense Adolpho Mello Por Camila Frésca (23/1/2017)
Nação civilizada (ou seria incivilizada?) Por Nelson Rubens Kunze (18/1/2017)
Diário de viagem Por Jorge Coli (16/1/2017)
Para conhecer Claudio Santoro Por Irineu Franco Perpetuo (23/12/2016)
Feliz Ano Novo? Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2016)
Fim da Oficina de Curitiba: populismo da pior espécie Por João Marcos Coelho (20/12/2016)
Um retrato do Painel Funarte de Ensino Coletivo Por Camila Frésca (19/12/2016)
Aleyson Scopel faz ótima apresentação no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (16/12/2016)
Em Porto Alegre, uma “Carmina Burana” para lembrar Por Everton Cardoso (15/12/2016)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
26 27 28 29 30 31 1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

30/4/2017 - Ópera Gianni Schicchi, de Puccini

Rio de Janeiro:
29/4/2017 - Roberto de Regina - cravo

Outras Cidades:
29/4/2017 - Belo Horizonte, MG - Ópera Norma, de Bellini
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046