Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
Lenny, o radical chic, e a demissão de Moreno (14/8/2008)
Por João Marcos Coelho

Há dois meses, as revistas especializadas européias dedicaram suas capas a Leonard Bernstein. As edições de junho abriram a intensa e diversificada programação de verão no hemisfério norte. E a passagem dos 90 anos de Bernstein (no próximo dia 25) constituiu motivo mais do que suficiente para tributos alentados. Um jornalista francês, Renaud Machart, lançou pelas Actes Sud mais um livro sobre o maior músico que os Estados Unidos produziram no século 20.
Pianista, maestro, compositor erudito e para a Broadway: notável solista da "Rhapsody in Blue" de Gershwin; como maestro, redescobriu e impôs o monumento das nove sinfonias mahlerianas no repertório da segunda metade do século 20; criador de sinfonias e canções, e até de música de câmara pouco conhecida; e, finalmente, autor de um punhado de grandes sucessos na Broadway, com destaque para "West Side Story".
Certamente Bernstein, que no início dos anos 40 formou a dupla de regentes assistentes de Sergei Koussevitzky no Festival de Tanglewood, foi tudo isso.
Mas ele teve um diferencial com que o mundo da música clássica jamais sonhara antes: Lenny era um genial comunicador. Idealizou séries de programas visando divulgar a música para a juventude, dominava a telinha da televisão como um Chacrinha erudito. Escreveu livros de divulgação, defendeu o movimento negro radical nos EUA dos turbulentos anos 60. Ao montar uma festa em seu suntuoso apartamento da Park Avenue para os Panteras Negras, Lenny motivou o nascimento da expressão "radical chic", cunhada por Tom Wolfe, o papa do "new journalism" (você pode ler o artigo que originou a expressão no excelente livro "Radical Chic e o novo jornalismo", de Wolfe, Companhia das Letras, 2005).
Bem, o que é que tudo isso tem a ver com a demissão do maestro Carlos Moreno da Orquestra Sinfônica da USP? Tudo. Em entrevista há dois dias neste mesmo site, o maestro diz que saiu porque a orquestra precisa agora se institucionalizar. Depois de conquistar um sucesso inesperado, dada a precariedade de sua infra-estrutura, Moreno queria dar o passo definitivo em direção à maioridade da orquestra. Mas a direção da universidade prova ser tão caolha quando os políticos e tecnoburocratas encastelados na administração pública.
Impressionante a lucidez de Moreno. Releia esta frase: "A Osusp já conquistou o direito de ser reconhecida como um produto estratégico de mídia positiva". Ele completa afirmando ser agora "necessário ter uma assessoria de imprensa e uma estratégia de propaganda e marketing com uma campanha forte".
Corretíssimo, Moreno. Você raciocina nos mesmos termos propostos por Bernstein desde o momento em que assumiu a direção da Filarmônica de Nova York, nos anos 60. A música não está solta no ar. Ela faz parte de uma sociedade, precisa integrar-se ao dia-a-dia da vida das pessoas. Portanto, é preciso sim usar as armas da comunicação e do marketing para consolidar um projeto artístico.
Durante todo o segundo semestre de 1960, Lenny, entre um e outro concerto, acertava detalhes de "West Side Story" por telefone com o coreógrafo Jerome Robbins e o letrista de canções Stephen Sondheim (o musical estrearia no ano seguinte). Ao mesmo tempo, inovava fazendo programas de televisão. Ele não parecia um só; ele era muitos, em termos midiáticos.
A verdade é que não existem histórias de sucesso secretas. Ainda mais quando se fala numa orquestra sinfônica. Se não é possível avançar, é melhor sair do que patinar na precariedade.
Não quero ser sombrio, mas infelizmente a Osusp, que já alcançou uma expressão artística e comunitária excepcional, pode regredir rapidamente sem o maestro que construiu esta admirável trajetória em sete anos de trabalho. A gente já viu este filme antes. Demora tempo para se construir uma instituição. Mas é muito mais rápido o declínio.

[Clique aqui e leia também a entrevista do maestro Carlos Moreno.]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 1
 

 
São Paulo:

30/6/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
29/6/2017 - Ensemble San Carlino (Itália)

Outras Cidades:
28/6/2017 - Natal, RN - Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046