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Lenny, o radical chic, e a demissão de Moreno (14/8/2008)
Por João Marcos Coelho

Há dois meses, as revistas especializadas européias dedicaram suas capas a Leonard Bernstein. As edições de junho abriram a intensa e diversificada programação de verão no hemisfério norte. E a passagem dos 90 anos de Bernstein (no próximo dia 25) constituiu motivo mais do que suficiente para tributos alentados. Um jornalista francês, Renaud Machart, lançou pelas Actes Sud mais um livro sobre o maior músico que os Estados Unidos produziram no século 20.
Pianista, maestro, compositor erudito e para a Broadway: notável solista da "Rhapsody in Blue" de Gershwin; como maestro, redescobriu e impôs o monumento das nove sinfonias mahlerianas no repertório da segunda metade do século 20; criador de sinfonias e canções, e até de música de câmara pouco conhecida; e, finalmente, autor de um punhado de grandes sucessos na Broadway, com destaque para "West Side Story".
Certamente Bernstein, que no início dos anos 40 formou a dupla de regentes assistentes de Sergei Koussevitzky no Festival de Tanglewood, foi tudo isso.
Mas ele teve um diferencial com que o mundo da música clássica jamais sonhara antes: Lenny era um genial comunicador. Idealizou séries de programas visando divulgar a música para a juventude, dominava a telinha da televisão como um Chacrinha erudito. Escreveu livros de divulgação, defendeu o movimento negro radical nos EUA dos turbulentos anos 60. Ao montar uma festa em seu suntuoso apartamento da Park Avenue para os Panteras Negras, Lenny motivou o nascimento da expressão "radical chic", cunhada por Tom Wolfe, o papa do "new journalism" (você pode ler o artigo que originou a expressão no excelente livro "Radical Chic e o novo jornalismo", de Wolfe, Companhia das Letras, 2005).
Bem, o que é que tudo isso tem a ver com a demissão do maestro Carlos Moreno da Orquestra Sinfônica da USP? Tudo. Em entrevista há dois dias neste mesmo site, o maestro diz que saiu porque a orquestra precisa agora se institucionalizar. Depois de conquistar um sucesso inesperado, dada a precariedade de sua infra-estrutura, Moreno queria dar o passo definitivo em direção à maioridade da orquestra. Mas a direção da universidade prova ser tão caolha quando os políticos e tecnoburocratas encastelados na administração pública.
Impressionante a lucidez de Moreno. Releia esta frase: "A Osusp já conquistou o direito de ser reconhecida como um produto estratégico de mídia positiva". Ele completa afirmando ser agora "necessário ter uma assessoria de imprensa e uma estratégia de propaganda e marketing com uma campanha forte".
Corretíssimo, Moreno. Você raciocina nos mesmos termos propostos por Bernstein desde o momento em que assumiu a direção da Filarmônica de Nova York, nos anos 60. A música não está solta no ar. Ela faz parte de uma sociedade, precisa integrar-se ao dia-a-dia da vida das pessoas. Portanto, é preciso sim usar as armas da comunicação e do marketing para consolidar um projeto artístico.
Durante todo o segundo semestre de 1960, Lenny, entre um e outro concerto, acertava detalhes de "West Side Story" por telefone com o coreógrafo Jerome Robbins e o letrista de canções Stephen Sondheim (o musical estrearia no ano seguinte). Ao mesmo tempo, inovava fazendo programas de televisão. Ele não parecia um só; ele era muitos, em termos midiáticos.
A verdade é que não existem histórias de sucesso secretas. Ainda mais quando se fala numa orquestra sinfônica. Se não é possível avançar, é melhor sair do que patinar na precariedade.
Não quero ser sombrio, mas infelizmente a Osusp, que já alcançou uma expressão artística e comunitária excepcional, pode regredir rapidamente sem o maestro que construiu esta admirável trajetória em sete anos de trabalho. A gente já viu este filme antes. Demora tempo para se construir uma instituição. Mas é muito mais rápido o declínio.

[Clique aqui e leia também a entrevista do maestro Carlos Moreno.]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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