Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Falta diálogo (30/10/2013)
Por João Marcos Coelho

Instituição-símbolo da vida musical europeia, dominante desde seu surgimento, em meados do século XVIII, a orquestra sinfônica acaba, de certo modo, contribuindo para um certo conservadorismo no dia-a-dia. É uma tendência geral, claro. Associada mais recentemente à crise financeira que está balançando o Velho Continente e também o até há pouco otimista mercado orquestral norte-americano, a tendência fortalece a filosofia de só apostar no certo, em termos de repertório. Esse engessamento é resultado de uma instituição que tende a contemplar quase sempre o seu próprio umbigo e funcionar em mão única, de cima para baixo. A consequência é seus dirigentes considerarem que aos outros – e aí se incluem o público, a sociedade inteira – é que devem rezar pela cartilha da instituição. Os ciclos de crescimento viram espasmos, até a próxima crise, e não a regra, o dia-a-dia.

Em entrevista recente a Ivan Hewitt, do jornal inglês The Daily Telegraph, o maestro húngaro Iván Fischer pôs o dedo na ferida. Fischer, vocês sabem, fundou 30 anos atrás a Budapest Festival Orchestra e operou um autêntico milagre: colocou-a entre as dez mais reluzentes do planeta, numa pesquisa feita com críticos internacionais há pouco tempo.

A frase que mais me chamou a atenção foi esta: “Vivemos uma estranha situação, em que de um lado os grupos historicamente informados viraram donos da música antiga, digamos até Mozart. E de outro, temos os grupos de música nova que só tocam este repertório. As orquestras convencionais consideram que o seu repertório está diminuindo a olhos vistos. No futuro, a orquestra terá de pensar diferente – não dá para trabalhar sempre com a formação rígida de cem músicos”.


Maestro Iván Fischer: "A orquestra terá de pensar diferente" [foto: divulgação]

Ele está coberto de razão. Só que, em geral, nossas orquestras ainda não se deram conta disso. E não fazem nada. Não olham sequer para o exemplo de Simon Rattle, que em vinte anos à frente da orquestra de Birmingham criou vários grupos estáveis dentro da estrutura da orquestra como instituição, dedicados aos vários segmentos da vida musical. É claro. Uma orquestra deve funcionar como uma usina onde se produz todo tipo de música. É natural manter grupos estáveis dedicados a esses segmentos (de música antiga, música contemporânea, compositor residente por uma ou mais temporadas, estúdio de ópera etc.). Apenas dessa maneira ela irá justificar sua existência e os altos custos que o Estado investe em sua manutenção.

Vejam só o que Fischer sugere. Estimular a criatividade dos músicos é limitar o número de semanas por temporada em que eles trabalham com a orquestra. Assim, eles poderão tocar seus próprios projetos, sempre dentro da instituição. A receita é simples. Fischer sugere que se ouçam os músicos um a um, para “descobrir as paixões de cada um”. Se um adora música antiga, abrir espaço para que ele organize um concerto; o mesmo vale para a música contemporânea.

Enfim, um diálogo, e não um monólogo de cima para baixo, como em geral acontece com as nossas orquestras. Quando os dirigentes são profissionais e empenhados, muitas vezes acerta-se. Mesmo assim, não há diálogo. Que tal ouvir os músicos de nossas orquestras, perguntar-lhes questões básicas: consideram poucos ou excessivos os ensaios para cada programa? Eu poderia elencar ao menos mais umas vinte ou trinta perguntas fundamentais para que o monólogo se transforme em diálogo – e assim se dê um salto qualitativo e de compromisso de cada músico com a instituição – e vice-versa, numa saudável via de mão dupla.

Por aqui, cada dirigente tem seu projeto. Jamais olha para o lado. Para baixo, então, nem pensar. Manda-se. Aos músicos, cabe obedecer. Até quando?

Clássicos Editorial Ltda. © 2013 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

29/8/2017 - 16ª Mostra de Cordas Dedilhadas

Rio de Janeiro:
20/8/2017 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
27/8/2017 - Franca, SP - Balkãn Neo Ensemble
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046