Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quarta-Feira, 28 de Junho de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
De biografias, cartas, privacidade, superexposição etc. (14/11/2013)
Por João Marcos Coelho

Uma das minhas maiores angústias é regular o tempo que levo à frente do computador – e agora do novo celular, que infelizmente me deixa conectado com a internet 24 horas por dia – para administrar os e-mails. Claro que sei que todo mundo deve viver o mesmo problema. Estava burocraticamente me movimentando nesta selva digital/comunicacional em tempo real quando topei com um artigo muito interessante no blog do New York Times, de um cidadão chamado Mason Currey sobre a morte das cartas literárias. Lá vem mais um nostálgico do século XIX, imaginei.

Nada disso. Currey, li no pé do artigo, é autor de um livro que comprei assim que li o título Daily Rituals: How Artists Work (Ed. Picador, outubro2013, US$ 9,95 no Kindle). Pois ele mostra que a multissecular instituição da carta era mais do que o vexatório e ridículo espetáculo da superexposição individual voluntária que assistimos hoje nas redes sociais. Escritores, pintores, dramaturgos, intelectuais – todo mundo sentava-se diariamente com o objetivo expresso de ler as cartas recebidas e respondê-las. A carta estabeleceu-se como o melhor e mais rápido meio de comunicação no século XVIII. Ler estas correspondências é espiar o próprio processo criativo destas personalidades (quem duvidar, que leia ao menos a vastíssima correspondência de Mário de Andrade, por exemplo). Currey fez um levantamento, no livro Daily Rituals, dessas cartas e um uma centena e meia de criadores artísticos. É um maná da melhor qualidade quando eles pertencem ao passado.


Em 99% das cartas, Lenny trata de sua homossexualidade [foto: CBS/divulgação]

Quanto aos atuais, confessa Currey, há pouco que se pescar de interesse. O exemplo mais recente é o das cerca de 1800 cartas de Leonard Bernstein dos anos 1940 aos 1960, agora vindo a público pela primeira vez em livro. A mais interessante nem é dele, mas do compositor Gunther Schuller, puxando-lhe as orelhas por simplificar demais a música no século XX em seu programa de TV Modern Music, quase esquecendo de Debussy e Webern. Em noventa e nove por cento das cartas, Lenny trata de sua homossexualidade. Não li as cartas, mas, pelo que dizem as resenhas já publicadas nos principais jornais norte-americanos e ingleses, ele mostra suas entranhas – algo bem na linha do que fazem repetidamente os idiotas de hoje de todas as idades, fotografando e pondo nas redes sociais até suas idas ao banheiro.

Última observação neste pacote meio desconexo de mal-traçadas linhas sobre cartas e criação artística, e-mails, Twitters e redes sociais e a superexposição pessoal gratuita: nenhum herdeiro de Bernstein reclamou que estão expondo suas vísceras nestas cartas ora divulgadas. Já imaginaram se algo semelhante fosse publicado por aqui sobre algum general do exército dos apodrecidos gurus da MPB e do ié-ié-ié brazuca? Eles certamente jogariam granadas, mandariam drones para eliminar fisicamente os coitados dos jornalistas biógrafos...

Figuras como Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros menores integrantes do movimento dos contra-biografias-livres estão irremediavelmente datadas. Não precisavam emporcalhar suas imagens com atitudes tão reacionárias e fascistas. Apequenaram-se fatalmente neste episódio. Não se sabia que eram tão mesquinhos. E seus egos tão psicoticamente avantajados.

Clássicos Editorial Ltda. © 2013 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 1
 

 
São Paulo:

30/6/2017 - Orquestra de Câmara da ECA/USP - OCAM (CANCELADO)

Rio de Janeiro:
29/6/2017 - Ensemble San Carlino (Itália)

Outras Cidades:
30/6/2017 - Curitiba, PR - Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba e Florilegium Musicum
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046