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De biografias, cartas, privacidade, superexposição etc. (14/11/2013)
Por João Marcos Coelho

Uma das minhas maiores angústias é regular o tempo que levo à frente do computador – e agora do novo celular, que infelizmente me deixa conectado com a internet 24 horas por dia – para administrar os e-mails. Claro que sei que todo mundo deve viver o mesmo problema. Estava burocraticamente me movimentando nesta selva digital/comunicacional em tempo real quando topei com um artigo muito interessante no blog do New York Times, de um cidadão chamado Mason Currey sobre a morte das cartas literárias. Lá vem mais um nostálgico do século XIX, imaginei.

Nada disso. Currey, li no pé do artigo, é autor de um livro que comprei assim que li o título Daily Rituals: How Artists Work (Ed. Picador, outubro2013, US$ 9,95 no Kindle). Pois ele mostra que a multissecular instituição da carta era mais do que o vexatório e ridículo espetáculo da superexposição individual voluntária que assistimos hoje nas redes sociais. Escritores, pintores, dramaturgos, intelectuais – todo mundo sentava-se diariamente com o objetivo expresso de ler as cartas recebidas e respondê-las. A carta estabeleceu-se como o melhor e mais rápido meio de comunicação no século XVIII. Ler estas correspondências é espiar o próprio processo criativo destas personalidades (quem duvidar, que leia ao menos a vastíssima correspondência de Mário de Andrade, por exemplo). Currey fez um levantamento, no livro Daily Rituals, dessas cartas e um uma centena e meia de criadores artísticos. É um maná da melhor qualidade quando eles pertencem ao passado.


Em 99% das cartas, Lenny trata de sua homossexualidade [foto: CBS/divulgação]

Quanto aos atuais, confessa Currey, há pouco que se pescar de interesse. O exemplo mais recente é o das cerca de 1800 cartas de Leonard Bernstein dos anos 1940 aos 1960, agora vindo a público pela primeira vez em livro. A mais interessante nem é dele, mas do compositor Gunther Schuller, puxando-lhe as orelhas por simplificar demais a música no século XX em seu programa de TV Modern Music, quase esquecendo de Debussy e Webern. Em noventa e nove por cento das cartas, Lenny trata de sua homossexualidade. Não li as cartas, mas, pelo que dizem as resenhas já publicadas nos principais jornais norte-americanos e ingleses, ele mostra suas entranhas – algo bem na linha do que fazem repetidamente os idiotas de hoje de todas as idades, fotografando e pondo nas redes sociais até suas idas ao banheiro.

Última observação neste pacote meio desconexo de mal-traçadas linhas sobre cartas e criação artística, e-mails, Twitters e redes sociais e a superexposição pessoal gratuita: nenhum herdeiro de Bernstein reclamou que estão expondo suas vísceras nestas cartas ora divulgadas. Já imaginaram se algo semelhante fosse publicado por aqui sobre algum general do exército dos apodrecidos gurus da MPB e do ié-ié-ié brazuca? Eles certamente jogariam granadas, mandariam drones para eliminar fisicamente os coitados dos jornalistas biógrafos...

Figuras como Roberto Carlos, Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros menores integrantes do movimento dos contra-biografias-livres estão irremediavelmente datadas. Não precisavam emporcalhar suas imagens com atitudes tão reacionárias e fascistas. Apequenaram-se fatalmente neste episódio. Não se sabia que eram tão mesquinhos. E seus egos tão psicoticamente avantajados.

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João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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