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Vamos ajudar um jovem talento brasileiro? (28/5/2014)
Por Camila Frésca

No início desse ano, uma jovem violinista brasileira enviou um vídeo para participar de uma audição no Birmingham Conservatoire, centenária e respeitada instituição de ensino superior de música da Inglaterra. Para sua surpresa, ela não apenas foi aprovada como ganhou uma bolsa anual de 10 mil libras, o que corresponde a 70% do valor total do curso.

Rebecca Köhler Baratto tem 18 anos e estuda violino desde os quatro, quando foi apresentada ao instrumento pelo avô. Francesco Ettore Baratto foi seu professor até os 11 anos de idade, quando ela se mudou para a Bahia com a família e passou a ter aulas com Alexandre Casado. De volta a São Paulo com 14 anos, iniciou os estudos com Maria Vischnia, sua professora até os dias de hoje. Atualmente, Rebecca é bolsista da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo e inicia o bacharelado em música na Unesp.

Que tipo de experiência essa jovem musicista espera encontrar no Velho Continente? “Na Inglaterra, além de estudar em um conservatório renomado, cheio de profissionais reconhecidos internacionalmente e morando dentro do maior complexo de teatros da Grã-Bretanha, estarei também vivendo a cultura europeia”, afirma Rebecca. “Poderei ouvir as melhores orquestras do mundo frequentemente ao vivo, terei contato com outros professores de altíssimo nível, com festivais internacionais com gente do mundo inteiro, e tudo isso perto de mim. Essa é uma grande oportunidade, como violinista, como brasileira, sul-americana.”

O entusiasmo de Rebecca é totalmente justificável. Muito se tem falado sobre o desenvolvimento do universo da música clássica no Brasil. Se é incontestável que passamos por um bom momento – com a criação e reestruturação de orquestras, a ampliação da oferta de concertos e de projetos que permitem a iniciação musical de jovens e crianças – , é também inegável que a formação de um músico esta entre os pontos mais críticos dessa cadeia. Para se formar um profissional de ponta, é ainda altamente recomendável – senão imprescindível – uma temporada de estudos em centros de excelência do exterior. Se em outras áreas existem instituições e projetos (vide CNPq, Capes, Ciência sem Fronteiras) pensados para apoiar jovens talentos em vias de profissionalização, na área musical este é um passo ainda a se conquistar.

Durante duas décadas (de 1985 a 2005), jovens músicos brasileiros puderam contar com o apoio decisivo da Fundação Vitae, que patrocinou os estudos de dezenas de músicos de alto gabarito e que então eram jovens promissores em vias de profissionalização. Rebecca não tem como custear os estudos na íntegra e, como também não pode recorrer a nenhuma dessas instituições, iniciou uma campanha para a arrecadação de fundos para realizar o seu sonho.

Com o apoio da Emesp (Escola de Música do Estado de São Paulo, mantenedora da Orquestra Jovem), ela iniciou a campanha de divulgação, que inclui um vídeo e um blog, por meio do qual as pessoas podem entrar em contato para possíveis doações – e que Rebecca promete manter atualizado com suas experiências no Reino Unido. Ela também tem dado entrevistas e já organizou um concerto no qual o dinheiro arrecadado foi para o fundo viagem. Além da taxa anual 4,9 mil libras (já com o desconto das 10 mil libras de bolsa), foi calculado um valor mensal de 600 libras para alimentação e moradia – custos com transporte e outras despesas serão pagos por sua família. Tudo somado, significa um gasto anual de aproximadamente R$ 47 mil durante cada um dos quatro anos previstos. Até meados de maio, Rebecca já tinha conseguido arrecadar R$16 mil, quase o valor da taxa correspondente ao primeiro ano do curso.


Rebecca no vídeo de sua campanha para arrecadar o dinheiro necessário [foto: redução/YouTube]

“Minha grande inspiração, meu modelo de violinista é a Hilary Hahn. Essa grande admiração vem do brilhantismo, do perfeccionismo musical, mas também da personalidade dela – a Hilary é muito séria, me identifico com ela nesse ponto”, revela a jovem Rebecca, que afirma ainda que um sonho como profissional seria tocar o Concerto para violino de Tchaikovsky no Royal Albert Hall. Planos para o futuro? Conseguir um posto na Osesp, na Royal Philharmonic Orchestra ou ainda na Sinfônica  de Londres: “Sei que sonho alto, muito alto, mas se assim não fosse eu não estaria me mudando para a Inglaterra em setembro”.

Que tal não apenas ajudarmos Rebecca a realizar seu sonho mas também fomentarmos o desenvolvimento de nosso meio musical, que certamente será enriquecido com sua experiência no Birmingham Conservatoire? Duas contas foram criadas para receber doações, e os interessados podem entrar em contato com Rebecca diretamente pelo já mencionado blog ou pela página do Facebook criada para a campanha.

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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