Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Sábado, 21 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
“Las horas vacías” no Theatro São Pedro de São Paulo (18/8/2014)
Por Jorge Coli

O Theatro São Pedro de São Paulo vem apresentando óperas raras, ou estreias – em parte graças ao estímulo de Bea Esteves. A presença constante de espectadores numerosos nesses espetáculos e nos de outros teatros também demonstra que houve mudança considerável na relação de amor que o público mantém com a ópera.

Existe decerto grandes apaixonados pelo repertório mais conhecido, e que é magnífico. Conhecedores que sabem de cor a Tosca ou O barbeiro de Sevilha, que aguardam com ansiedade tal ou qual ária para saborear as qualidades vocais e musicais dos intérpretes. Mas a eles acrescenta-se um público renovado, que vem descobrindo o universo da ópera, e que se maravilha ao assistir pela primeira vez Pagliacci, sem ter ouvido antes a ária Vesti la giubba.

Talvez seja otimismo meu, mas parece-me que ambos, conhecedores e neófitos, sem preconceitos de nenhuma espécie, interessam-se bastante pelas novas composições que lhes são apresentadas. É fato que muitos criadores buscam desenvolver a veia propriamente teatral da música, veia que não se adequava bem com o universo experimental das modernidades.

Las horas vacías, do espanhol Ricardo Llorca, de estreia brasileira recente no Theatro São Pedro, tem como tema a solidão feminina nos dias de hoje. Pode ser posta em paralelo com A voz humana, de Poulenc, obra também da solidão e do abandono. Mas, em vez de uma única intérprete, como na obra de Poulenc, Las horas vacías divide o personagem em dois, ora interpretado por um soprano (a porto-riquenha Laura Rey), ora por uma atriz (Angelica de la Riva). Inclui também um coro, que amplia, poeticamente, as circunstâncias das situações. A montagem foi feliz, econômica, semicênica, com a orquestra no palco e incorporando as legendas num vídeo cujas imagens se articulavam muito bem com a música e os episódios.


Cena do ensaio de Las horas vacías, de Ricardo Llorca, no Theatro São Pedro [foto: divulgação]

A partitura de Llorca faz apelo a modos rítmicos obsessivos, inclui tensões e abandonos. A parte falada por vezes se desenrolava sobre a música, por vezes desenhava-se sozinha sobre o silêncio. São antigas tradições retomadas: o melodrama, que significa propriamente fala sobre acompanhamento musical, e a alternância de teatro sem música e de trechos musicais, como no Singspiel, no opéra-comique ou na opereta.

O estilo acenava sem complexo para origens bem diferentes. Ouça aqui a ária dos dias da semana. Ela se inicia com um tema no piano que evoca o do Casanova de Fellini, avança com repetições que remetem ao minimalismo, e soa hispânica de algum modo. Como se Nino Rota e Philip Glass se tivessem dado as mãos para compor uma ária de zarzuela.

Em A esfinge sem segredo e em A janela indiscreta, Wilde e Hitchcock haviam exposto o tema dessa solidão feminina preenchida pelo imaginário (deve haver vários outros exemplos, mas são estes os que me vieram à mente...). Llorca atualiza a situação pondo em cena essa mulher que trabalha, e que só consegue romper seu isolamento na sexta-feira à noite, graças à bebida e a um correspondente na internet (talvez imaginário). O público ficou tocado pelo tema, pela interpretação e montagem: mostrou seu entusiasmo no final.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

29/4/2018 - Coral Paulistano Mário de Andrade

Rio de Janeiro:
28/4/2018 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
25/4/2018 - Vitória, ES - Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046