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A história da Osesp refletida em seus spallas (29/9/2014)
Por Camila Frésca

Em agosto, um concerto especial marcou os 60 anos de fundação da Osesp (na realidade, a orquestra já funcionava desde 1953, mas o marco oficial da criação é uma lei promulhada pelo governador Laudo Natel, em 13 de setembro de 1954). Em meio a discursos e música, uma homenagem singela e significativa concentrou em algumas figuras-chave a essência do trabalho da orquestra. O tributo aos spallas da Osesp reconheceu a contribuição de profissionais fundamentais para sua trajetória – e para a história da própria música brasileira.


Spallas foram homenageados no concerto de 60 anos da Osesp [foto: Rodrigo Rosenthal/divulgação]

Em 1954, Natan Schwartzman foi o primeiro a ocupar o posto – venceu o concurso de spalla por unanimidade. Natan foi um violinista brilhante. Ainda adolescente, foi ouvido no Brasil por Zino Francescatti, que o indicou para estudar com Ivan Galamian na Juilliard School; aperfeiçoou-se depois com Max Rostal – estudando, portanto, com dois dos maiores professores de violino do século XX. Fez carreira internacional, apresentando-se pelos Estados Unidos e pela Europa e sendo contratado como solista-recitalista da BBC de Londres, além de ter atuado como professor de violino na USP.

Quando a Osesp passou por sua primeira reformulação, em 1973, Eleazar de Carvalho, que assumia o posto de regente titular, trouxe consigo dos EUA Ayrton Pinto. Carioca, Ayrton estudou no Conservatório Brasileiro de Música, formando-se em violino e piano. Aperfeiçoou-se no New England Conservatory, EUA, ingressando depois na Orquestra Sinfônica de Boston, onde atuou como violinista, pianista e solista entre 1959 e 1974. Ao mesmo tempo, foi diretor da All Newton Music School e principal violinista de diversos conjuntos de câmara. Já no Brasil, além de assumir o posto de spalla da Osesp em 1973, envolveu-se com o Festival de Campos do Jordão, tendo um importante papel na construção da proposta pedagógica do evento. Paralelamente a essas atividades, Ayrton foi professor de violino da Unesp.

Ainda antes da saída de Ayrton Pinto, Erich Lehninger foi contratado para dividir as funções de spalla. Alemão radicado no Brasil desde 1975, Lehninger também foi aluno de Max Rostal, além de Arthur Grumiaux. Atuou como spalla da Osesp entre 1983 e 1997. Ao mesmo tempo, teve também um importante papel como formador de novos talentos do instrumento e integra, junto com o pianista Gilberto Tinetti e o violoncelista Watson Clis, o Trio Brasileiro, conjunto que é referência em música de câmara no Brasil.

Entre os muitos alunos que passaram por Erich Lehninger está Cláudio Cruz, que entrou para dividir o posto de spalla da Osesp com seu mestre em 1990. Um dos mais importantes violinistas brasileiros da atualidade, Cláudio se iniciou na música com seu pai, recebendo posteriormente orientação de Lehninger e Maria Vischnia, bem como, na Europa, de Josef Gingold e Chaim Taub. Além de violinista, Cláudio Cruz destaca-se no cenário nacional como maestro, atividade à qual ele se dedica cada vez mais. Atualmente, é o regente titular da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, com a qual vem desenvolvendo um excelente trabalho. Cláudio Cruz, que desde a temporada de 2013 estava afastado da Osesp para se dedicar à carreira de maestro, anunciou recentemente seu desligamento formal do conjunto.

O italiano Emmanuele Baldini, que chegou ao Brasil em 2004 para revezar o posto com Cláudio Cruz, dedica-se intensamente às atividades da orquestra, atuando como spalla, primeiro violino do Quarteto Osesp e professor da Academia. Além disso, apresenta-se com frequência como solista e participa de projetos ligados à memória da música brasileira. Ele tem agora o desafio de dar continuidade a esta tradição.

Com exceção de Ayrton Pinto (que faleceu em 2009 e foi representado por seu filho) todos eles subiram ao palco para serem homenageados. Foi o ponto alto da noite. Pelo talento como instrumentistas, o trabalho como educadores e o impacto da atuação profissional desses músicos, pode-se dizer que, juntos, eles resumem boa parte dos principais capítulos da música clássica brasileira na segunda metade do século XX – e início do XXI. Que melhor atestado de excelência uma orquestra poderia querer?

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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