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Concerto marca lançamento de obras de Olivier Toni e celebra a trajetória do maestro (22/10/2014)
Por Camila Frésca

Ontem, terça-feira, dia 21 de outubro, uma parcela expressiva da comunidade musical paulista se reuniu no Sesc Consolação. O motivo? Acompanhar o lançamento do CD “Só isso e nada mais”, com obras de Olivier Toni, e prestar uma homenagem a uma das mais importantes figuras da música de São Paulo no último meio século.

Professor e compositor Olivier Toni, homenageado no Sesc [Foto: CONCERTO / Lydia Abud]

Olivier Toni, responsável pela criação de alguns dos mais importantes organismos musicais da cidade – como a Orquestra Sinfônica Jovem Municipal (atual Orquestra Experimental de Repertório) em 1968, a Escola Municipal de Música (1969), o Departamento de Música da USP (1970), a Osusp (1972) e a Orquestra de Câmara da USP (1995) – sempre se dedicou de corpo e alma à docência. Tanto que sua porção compositor é bem pouco conhecida. Willy Corrêa de Oliveira, um de seus muitos alunos, mostrou-se surpreso ao ouvir o disco e constatar a importância dessas obras, e no texto de abertura do CD, ele se pergunta: “Por que, então, o Toni escreveu tão pouco?” O próprio Willy arrisca uma resposta: “Nunca perguntei a ele, mas acho que posso dizer por ele: que nós, seus alunos, fomos a causa do pouco tempo que ele dedicou à sua própria obra. Não porque o impedíssemos (de modo algum), mas porque nós, todos nós, fomos mais importantes para ele de que ele próprio e suas obras”.

Muitos desses alunos, além de amigos e admiradores, se misturaram em clima de celebração para o lançamento. O CD “Só isso e nada mais” tem obras compostas entre 1956 e 2012 e que vão do solo à orquestra de câmara, passando por canções com formações pouco ortodoxas como voz, trompete e contrabaixo. No concerto, parte dessas obras foi apresentada por dois dos mais notáveis músicos brasileiros em atividade: o violinista Cláudio Cruz e o pianista Paulo Álvares, ambos ex-alunos de Toni. Cláudio deu início com o Recitativo I para violino e orquestra de cordas (em versão para violino solo) e, na sequência, Paulo Álvares interpretou a bela Ommagio a Camargo Guarnieri, que Toni escreveu em 1987, quando se reaproximou de seu antigo mestre. Constaram do programa quatro dos sete Recitativos do compositor. “Desde que comecei a refletir sobre o gesto de compor, os recitativos despertaram minha atenção, porque ao longo de toda a história da linguagem musical eles sempre foram utilizados como um recurso para reproduzir por meio do som – e da emoção – a linguagem falada”, explicou Toni no livreto do CD. “Meus Recitativos são movidos pela magia emotiva e pela força expressiva desse gênero poético e musical, com a disposição de alcançar certa forma no imprevisível, manejando o vazio, restringindo e condensando o material sonoro e sempre com poucas notas”.

Após o concerto, Olivier Toni fez um discurso emocionado, agradecendo aos muitos que estiveram ao seu lado ao longo de sua trajetória e aos que tornaram possível a realização do disco. Em setembro, na longa conversa que tive com ele e que resultou na entrevista da edição de outubro da CONCERTO (e que você pode ler clicando aqui – acesso exclusivo para assinantes), Toni me disse que estava compondo algo que considerava um desafio: uma peça que simbolizasse a amizade e as lutas que o unia aos irmãos Paulo e Eduardo Guimarães Álvares (falecido recentemente). Ele havia prometido a obra a Paulo, que pretende estreá-la. Pois bem, nessa noite o maestro cumpriu sua promessa e entregou a Paulo Álvares a peça Três cores, celebrando a vida e a amizade entre os três amigos. Segundo Toni, uma de suas maiores alegrias é poder dizer que todos os alunos que passaram por suas mãos são, mais do que tudo, amigos queridos.

[Clique aqui para ver o making of do CD dedicado a Olivier Toni]





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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