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Segredos (terríveis e/ou divertidos) (17/12/2014)
Por João Marcos Coelho

O livro mais original de 2014 foi lançado no finalzinho de novembro. Intitula-se Cartas extraordinárias. Leva o subtítulo A correspondência inesquecível de pessoas notáveis. Concebido e organizado por Shaun Usher, funciona como uma arca do tesouro, onde você abre ao acaso e qualquer coisa que você pegue é com certeza uma joia valiosíssima. E, ainda melhor, divertida. Cereja do bolo: cada uma delas nos ensina algo indispensável para nossas vidas.

Exagerei? Confira você mesmo numa livraria. Dê uma folheada. Ao todo, 125 cartas, reproduzidas em fac-símile do original e também impressas, com curtíssimos comentários de Usher que as contextualizam. A edição muito caprichada é da Companhia das Letras. Um jornal inglês bem-humorado, o Sunday Times, chamou-o de “o equivalente literário a uma caixa de chocolates – um prazer viciante a cada mordida”.


Shaun Usher, organizador do livro Cartas extraordinárias, lançado pela Cia. das Letras [imagens: divulgação]

A verdade é que a gente não consegue parar de ler uma a uma. Devagar, degustando as palavras, saboreando os fac-símiles. Três exemplos matadores:

*Já pensou uma cartinha de um menino cubano de 14 anos para o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt em 1940, dizendo-lhe: “Gosto de ouvir rádio e estou muito contente porque escutei que o senhor vai ser presidente por um novo período (...). Se for do seu agrado, mande-me uma nota verde americana de 10 dólares, na carta, porque eu nunca vi uma”. Assinado: Fidel Castro.

*Ou uma do gerente de produto da Campbell Soup Company William P. MacFarland para Andy Warhol em 19 de maio de 1964? “Venho acompanhando sua carreira há algum tempo. Sua obra tem despertado grande interesse aqui na Campbell por motivos óbvios (...). Admiramos sua obra (...). soube que o senhor gosta de sopa de tomate. Tomo a liberdade de enviar-lhe algumas caixas”.

*Em 3 de março de 1942, Roosevelt recebeu uma carta de um certo William Patrick Hitler pedindo-lhe que interferisse a seu favor: “Sou sobrinho e descendente do infame chanceler e líder alemão que despoticamente procura escravizar os povos livres e cristãos do planeta (...) posso servir a essa grande causa e dar minha própria vida para que, com a ajuda de todos, ela possa triunfar no final”. [Ele tentara alistar-se no Exército norte-americano mas, claro, fora recusado por causa do sobrenome; Roosevelt passou a carta para o chefão do FBI, J.Edgar Hoover, e este autorizou sua admissão na Marinha em 1944, a tempo de lutar contra seu tio...]

Pululam gemas apetitosas. Um pedido de emprego de Leonardo da Vinci para Ludovico Sforza em 1483. A carta em que, depois de ter escapado de uma execução em 1849 na prisão, Fiodor Dostoiévski acalma seu irmão (cinco anos depois, ele escreveria Crime e castigo e Os irmãos Karamázov). A comovente descrição de Laura da última semana de vida de seu marido Aldous Huxley, que estava com câncer terminal na laringe: ela lhe deu LSD e acompanhou seus últimos dias de vida em dezembro de 1963.

A última citação, prometo. É de 1919, e foi escrita por Samuel Barber a sua mãe Marguerite: “Aviso para a mãe e mais ninguém: Querida Mãe: escrevi isso para lhe contar meu terrível segredo. Não chore quando ler porque não é culpa sua nem minha. Acho que vou ter de contar logo sem embromação. Para começo de conversa não nasci para ser atleta. Nasci para ser compositor, e serei, com certeza. Vou lhe pedir mais uma coisa – Não me peça para esquecer essa coisa horrível e ir jogar futebol. – Por favor – Às vezes eu me preocupo tanto com isso que fico maluco (não muito). Te amo, Sam Barber II”. Nota: Barber tinha 9 anos quando escreveu esta cartinha.

[O livro Cartas extraordinárias está disponível no site da Loja CLÁSSICOS]

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A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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