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Dupla formada por Daniel Guedes e Mario Ulloa se consagra com “Amor em paz” (13/3/2015)
Por Camila Frésca

Em 2011, escrevi neste espaço sobre o primeiro disco do duo formado pelo violinista Daniel Guedes e o violonista Mario Ulloa. Minhas impressões sobre o disco e o trabalho do duo foram ótimas (você pode ler o artigo aqui). Por isso, foi com curiosidade e expectativa que abri o CD Amor em paz, segundo trabalho da dupla. A surpresa e o deleite vieram logo nos primeiros compassos de Noites cariocas, que abre o disco.

Novamente, o costarriquenho Mario Ulloa e o carioca Daniel Guedes mergulham no universo da música popular e trazem de lá pérolas, bastante conhecidas, porém trabalhadas de maneira própria. Na verdade, esse segundo disco mescla clássicos da MPB – além de Noites cariocas, há Eu e a brisa, O amor em paz, Feitiço da Vila e Derradeira primavera – com composições do próprio Ulloa, peças clássicas de tradição cigana – duas Danças húngaras de Brahms e Czardas de Vittorio Monti –, um arranjo para o tema do filme A lista de Schindler, e Jurame, famosa canção de concerto da mexicana María Grever (1885-1951). O repertório aparece perfeitamente integrado, porque a dupla desenvolve uma linguagem única e orgânica que perpassa todo o disco.

Mas, na minha opinião, o melhor do CD é certamente o repertório popular brasileiro, executado ora com paixão, ora com picardia, e sempre com refinamento. A técnica sofisticada dos dois excelentes instrumentistas está lá, escondidinha, atuando totalmente para que o repertório escolhido soe o mais natural possível. Da mesma forma que no primeiro CD, os músicos respeitam a concepção original das obras e ao mesmo tempo dão uma contribuição pessoal; o resultado é que as peças soam simultaneamente conhecidas e renovadas. Porém, em relação ao trabalho anterior, é nítido o amadurecimento tanto de Daniel Guedes quanto de Mario Ulloa no que diz respeito ao trabalho como duo.


Daniel Guedes e Mario Ulloa lançaram Amor em paz: um mergulho na música popular [foto: divulgação]

Daniel, aliás, parece desabrochar, estando totalmente à vontade no repertório popular brasileiro. À época do lançamento do primeiro disco, em 2011, ele me disse que seu grande modelo e inspiração para interpretar essas peças era Fafá Lemos (sobre quem você também pode saber mais no artigo anterior). Pois neste disco Daniel pode se orgulhar de ter chegado ao mesmo nível de desenvoltura no universo popular que seu ídolo, não deixando nada a dever ao músico que o inspirou. Sua interpretação, aliás, lembra as melhores coisas de Fafá, de Grappelli e de Menuhin na música popular. A seu lado, Mario Ulhoa é preciso, discreto e presente. Impecável, destaca-se quando é hora e faz toda a cama para o violino brilhar.

Já quase no final do disco, mais uma surpresa: Daniel toca viola numa tocante interpretação de Derradeira primavera. Amor em paz comprova: Daniel Guedes é um dos melhores violinistas brasileiros da atualidade e tem demonstrado crescente amadurecimento e versatilidade.

[O CD Amor em paz está disponível na Loja CLÁSSICOS]

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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