Banner 180x60
Bom dia.
Quarta-Feira, 24 de Janeiro de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Theatro São Pedro faz ótima “Bodas no monastério” (8/9/2015)
Por Jorge Coli

O Theatro São Pedro afirma-se como um efetivo centro popular consagrado ao canto e à ópera. Com orçamento bem estreito, mas com inteligência e convicção, ele mantém cativo um público apaixonado. A atmosfera é ali muito simpática e calorosa. Artistas mais consagrados, ou jovens talentos descobertos, compartilham o palco, e provocam a vibração da audiência.

Suas produções fogem bastante do lugar comum. Assim, esta última, Bodas no monastério, de Prokofiev.

Uma grande obra-prima. Música de fabulosa invenção, áspera, sem sentimentalismo, mas sabendo criar verdadeiros sentimentos de poesia, alternando com um espírito cômico altamente aristocrático. Creio que esta é a palavra melhor para sintetizar a música de Prokofiev: aristocrática. No mundo soviético ele não perdeu seu espírito de elegância, animado pela energia mais poderosa. Arte, portanto, aristocrática e enérgica, poderosa, originalíssima.


Cena da montagem de Bodas no monastério, de Prokofiev, no Theatro São Pedro [foto: divulgação]

Foi muito bem interpretada. O Mendonza fenomenal de voz e de truculência de Sávio Sperandio; o Jerome impecável, de Giovanni Tristacci; o Ferdinando com voz de veludo de Johnny França; o mais poético dos Antonios, de Anibal Mancini; o eficaz Carlos de Erick Sousa; os monges sem-vergonha, de Mar Oliveira, Eduardo Fujita, Gustavo Larsen e Gustavo Muller, todos excelentes.

Do lado feminino, Lidia Schäffer dominou a cena com sua Duenna; Laura Duarte, delicada em Sofia, começou a noite com problemas de afinação, mas foi se acertando progressivamente; e a bela voz de Marly Montoni deu corpo e alma a Clara d’Almanza. No total, 16 cantores em cena: não detalho cada um, mas todos mereceram os aplausos do público.

Acrescento que nove dentre eles pertenciam à Academia de Ópera do Theatro São Pedro, ou seja, jovens cantores em início de carreira. Alguns assumiram papéis protagonistas, e demonstraram que não devem nada a artistas mais tarimbados.

A academia, por sinal, além de formar e aperfeiçoar as jovens vozes, criou no Theatro São Pedro, pelo emprego constante nas produções, um espírito de trupe, ou de companhia. Todos os frequentadores da simpática sala aprenderam a esperar, com prazer, a presença de um Johnny França ou Anibal Mancini, por exemplo.

Os cenários [de Renato Teobaldo] foram bonitos, eficazes, os figurinos [de Isabela Teles] também. Talvez a direção de cena [de Bruno Berger-Gorski] tenha pecado pela acentuação do grotesco nas situações cômicas, com certo espírito de palhaçada e de teatro infantil. Nas óperas bufas, uma boa regra é o less is more, deixando que a música desencadeie o riso.

Mas pequeno senão, diante do ótimo resultado.

O maestro Luiz Fernando Malheiro sofreu um acidente e está em recuperação – permita-me ele desejar um pronto retorno – e passou a batuta para André dos Santos, que dominou a magnífica música de Prokofiev com espírito e com brilho.

[Texto atualizado às 17h20 do dia 8/9/2015]

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Janeiro 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
31 1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31 1 2 3
 

 
São Paulo:

24/1/2018 - Espetáculo O compositor delirante

Rio de Janeiro:
24/1/2018 - José Carlos Vasconcellos - piano

Outras Cidades:
27/1/2018 - Ilhabela, SP - Balés O lago dos cines, de Tchaikovsky e Melhor único dia (estreia), de Henrique Rodovalho
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046