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Theatro São Pedro faz ótima “Bodas no monastério” (8/9/2015)
Por Jorge Coli

O Theatro São Pedro afirma-se como um efetivo centro popular consagrado ao canto e à ópera. Com orçamento bem estreito, mas com inteligência e convicção, ele mantém cativo um público apaixonado. A atmosfera é ali muito simpática e calorosa. Artistas mais consagrados, ou jovens talentos descobertos, compartilham o palco, e provocam a vibração da audiência.

Suas produções fogem bastante do lugar comum. Assim, esta última, Bodas no monastério, de Prokofiev.

Uma grande obra-prima. Música de fabulosa invenção, áspera, sem sentimentalismo, mas sabendo criar verdadeiros sentimentos de poesia, alternando com um espírito cômico altamente aristocrático. Creio que esta é a palavra melhor para sintetizar a música de Prokofiev: aristocrática. No mundo soviético ele não perdeu seu espírito de elegância, animado pela energia mais poderosa. Arte, portanto, aristocrática e enérgica, poderosa, originalíssima.


Cena da montagem de Bodas no monastério, de Prokofiev, no Theatro São Pedro [foto: divulgação]

Foi muito bem interpretada. O Mendonza fenomenal de voz e de truculência de Sávio Sperandio; o Jerome impecável, de Giovanni Tristacci; o Ferdinando com voz de veludo de Johnny França; o mais poético dos Antonios, de Anibal Mancini; o eficaz Carlos de Erick Sousa; os monges sem-vergonha, de Mar Oliveira, Eduardo Fujita, Gustavo Larsen e Gustavo Muller, todos excelentes.

Do lado feminino, Lidia Schäffer dominou a cena com sua Duenna; Laura Duarte, delicada em Sofia, começou a noite com problemas de afinação, mas foi se acertando progressivamente; e a bela voz de Marly Montoni deu corpo e alma a Clara d’Almanza. No total, 16 cantores em cena: não detalho cada um, mas todos mereceram os aplausos do público.

Acrescento que nove dentre eles pertenciam à Academia de Ópera do Theatro São Pedro, ou seja, jovens cantores em início de carreira. Alguns assumiram papéis protagonistas, e demonstraram que não devem nada a artistas mais tarimbados.

A academia, por sinal, além de formar e aperfeiçoar as jovens vozes, criou no Theatro São Pedro, pelo emprego constante nas produções, um espírito de trupe, ou de companhia. Todos os frequentadores da simpática sala aprenderam a esperar, com prazer, a presença de um Johnny França ou Anibal Mancini, por exemplo.

Os cenários [de Renato Teobaldo] foram bonitos, eficazes, os figurinos [de Isabela Teles] também. Talvez a direção de cena [de Bruno Berger-Gorski] tenha pecado pela acentuação do grotesco nas situações cômicas, com certo espírito de palhaçada e de teatro infantil. Nas óperas bufas, uma boa regra é o less is more, deixando que a música desencadeie o riso.

Mas pequeno senão, diante do ótimo resultado.

O maestro Luiz Fernando Malheiro sofreu um acidente e está em recuperação – permita-me ele desejar um pronto retorno – e passou a batuta para André dos Santos, que dominou a magnífica música de Prokofiev com espírito e com brilho.

[Texto atualizado às 17h20 do dia 8/9/2015]

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Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

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