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Fórum Ircam Brasil – Parte 1 (5/11/2015)
Por Camila Frésca

As mais modernas tecnologias de computação sonora e musical à disposição de músicos e pesquisadores
Começou ontem, quarta-feira (dia 4), e segue até sexta-feira, no Instituto de Artes da Unesp, o Fórum Ircam, que traz a São Paulo as pesquisas desenvolvidas pelo Ircam (Institut de Recherche et Coordination Acoustique/Musique). Criado na década de 1970 por Pierre Boulez, o Ircam é o braço de música e pesquisa acústica do Centro Georges Pompidou, em Paris. Desde sua fundação, o instituto é referência internacional no que se refere à produção de música de vanguarda aliada às mais avançadas pesquisas na área acústica.


Espaço de projeção do Ircam, no Centro Georges Pompidou, em Paris [foto: Melanie Challe/divulgação]

Anualmente, o Ircam organiza um fórum em Paris no qual promove conferências, masterclasses e concertos. No ano passado, aconteceu o primeiro fórum internacional, na Universidade de Seul, na Coreia do Sul. E agora, em 2015, o Fórum Ircam acontece em São Paulo, graças a uma parceria entre nossas três universidades públicas – Unesp, USP e Unicamp –, bem como do Studio PANaroma.

O primeiro dia de programação foi intenso, iniciando-se às 9h, com falas de representantes do Ircam, do Consulado da França e dos três professores responsáveis diretamente pela concretização do evento: Flo Menezes (Unesp), Rogério Costa (USP) e Stéphan Schaub (Unicamp). A primeira conferência foi de Arshia Cont, diretor do departamento de pesquisas e interfaces criativas do Ircam. Palestrante desenvolto, ele fez um histórico da instituição e apresentou os principais projetos de pesquisa desenvolvidos. A característica mais notável do Ircam é ser um dos maiores centros de pesquisa públicos do mundo dedicados tanto à criação musical quanto à pesquisa científica. Atualmente, trabalham no instituto 800 profissionais, sendo metade deles cientistas e metade artistas, explicou Cont. Apesar do foco estar na pesquisa acústica ligada à música, ele mostrou como algumas das tecnologias desenvolvidas foram utilizadas em jogos de videogame, no cinema ou em instalações de arte contemporânea.


Instituto de Artes da Unesp abriga o Fórum Ircam Brasil [foto: Camila Frésca/Revista CONCERTO]

Um dos principais interesses das pesquisas do Ircam é desenvolver novas tecnologias que se relacionem com os instrumentos musicais tradicionais, fazendo com que os computadores interajam com os intérpretes em tempo real, respondendo e “reagindo” a estímulos, como mudanças de intensidade, andamento e até a erros. Nas falas de Cont e de outros palestrantes, ficou patente como se caminha, na música de vanguarda, a passos largos para uma música feita em parceria com a “inteligência artificial” dos computadores.

Outros pesquisadores, brasileiros e franceses, apresentaram softwares desenvolvidos pelo Ircam voltados para objetivos específicos como a improvisação e a orquestração. Ou ainda projetos como amplificadores de som que produzam resultados muito mais ricos e fieis do que as caixas de som tradicionais. Inovações como os “smart instruments”, por exemplo, consistem em sensores, alto-falantes e mini-microfones que, instalados dentro dos instrumentos, dão a ele características estendidas, melhoram aspectos da performance (como a emissão de notas graves num trombone com surdina) e se utilizam da própria caixa de ressonância do instrumento para propagar sons modificados.

O primeiro dia de aprendizado do Fórum Ircam em São Paulo se encerrou com um concerto de obras eletroacústicas de Alexandre Lunsqui, Jerôme Combier, Robert Platz e Tatiana Catanzaro no Sesc Consolação.


[Veja também]
Fórum Ircam Brasil – Parte 2
Fórum Ircam Brasil – Parte 3

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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