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Amizades musicais, de ontem e de hoje (26/7/2016)
Por João Marcos Coelho

A tarefa de escolher repertório e comentar as obras de um compositor a cada mês, em duas entradas diárias, no “Rádio Metrópolis” e no “Tarde Cultura”, na Rádio Cultura FM, tem me obrigado gostosamente a revisar frases feitas e chavões envolvendo os grandes compositores do cânone clássico.

O caso mais recente é o de Franz Liszt, no qual estou trabalhando estas semanas. Como o cabra era “muderno”, diria um deputado nordestino. Ele foi um dos primeiros a descobrir, mapear e jogar o jogo do mercado nascente da indústria da música – encarnou a persona do virtuose diabólico do piano ao lado de Paganini no violino – entre 1830 e 1850. No momento em que a burguesia ascendente queria a todo custo obter a chancela de chique, ele atendeu a um público basicamente jovem em seus recitais. Adolescentes jogavam rosas no palco enquanto ele arrebentava cordas do piano com seu toque poderosíssimo e as tais cordas eram disputadas a tapa pelas adolescentes, que faziam pulseiras com elas. Improvisava sobre qualquer ária lírica que estava na boca do povo, à escolha do distinto público. Era o Wando da vez.


Retrato de Franz Liszt (1856) [Reprodução]

Esta é a imagem atual que temos dele. O que pouco ou nada se sabe é que Liszt foi também um músico absolutamente empenhado na divulgação da música de seu tempo. Um militante que Adorno aplaudiria sem reserva (não sei o que Adorno falou dele, provavelmente o desancou por causa de seu lado mercadológico). Digo isso porque é curioso que jamais se toque, em nossas salas de concerto, sua obra sinfônica. Afinal, suas duas sinfonias, Dante e Fausto, são muito interessantes – e os poemas sinfônicos com sua forma concisa também merecem ser ouvidos.

Um exemplo que me impactou. Em 4 de dezembro de 1836, Hector Berlioz, um músico durango e que precisava escrever em quatro jornais ao mesmo tempo para manter-se vivo, regeu no Conservatório de Paris um concerto com a Sinfonia fantástica tal como ele exigia que fosse feita: ao lado de Harold en Italie. Liszt, que já bancara a publicação da sua transcrição para piano solo da Fantástica, que saiu muito antes da partitura sinfônica, foi assistir ao concerto e escreveu sobre ele: “São duas belas e vastas composições de um artista que, aos olhos de muitos críticos, tem o grave defeito de ser contemporâneo e ousar tentar em seu tempo o que Haydn, Mozart e Beethoven fizeram no tempo deles”.

Caramba, como a frase é atual. Liszt já percebia, em plena década de 1830, com Beethoven morto pouquíssimos anos antes (1827), que a vida musical começava perigosamente a embicar para o passado, começando a mostrar hostilidade em relação às novas obras.

Para não alongar demais este texto, anoto ainda que, além disso, ele era de uma generosidade que não se encontra hoje em dia – quando o compadrio substitui a competência e o talento, e os capos daqui fazem troca-troca de concertos com os de lá, etc.,etc., num verdadeiro jogo de “famiglia”. Durante o período em que comandou a música em Weimar, entre 1847 e 1861, se não me engano, Liszt fez dois festivais Berlioz de uma semana cada um; e lamentou até o fim da vida não ter conseguido montar Les Troyens. E Berlioz? Nosso Hector jamais se dignou a reger uma obra sequer de seu benfeitor. Note-se que, neste caso, o toma-lá-dá-cá seria plenamente justificável, já que a obra sinfônica de Liszt também tinha valor.

Unia-os só uma coisa: a paixão pela música que se criava naquele momento. Como escreve Liszt a propósito da Haroldo e da Fantástica: “O gênio é a paciência, diz Buffon; quem poderia recusar isso a Berlioz? O gênio é a grandeza na novidade; o gênio é o pensamento criando sua forma; é o sentimento do infinito manifestando-se no finito. Ora, em quais obras musicais encontramos no mais alto grau a ousadia da inovação, a profundidade do pensamento e a riqueza de formas mais do que em Haroldo e no Episódio da vida de um artista?”

Não se fazem mais amizades musicais como antigamente. Infelizmente, agora, a coisa anda mais no andamento do toma-lá-dá-cá.

Para ouvir: Liszt sempre inovava: compôs e estreou Orpheus como prólogo que acrescentou à montagem da ópera Orfeo e Euridice, de Gluck, em Weimar, em 16 de fevereiro de 1854:





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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