Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Osesp faz magnífico concerto com Stenz e Álvares (22/8/2016)
Por Jorge Coli

Apesar da crise, a temporada de concertos em São Paulo segue brilhante. Nessa esplêndida Sala São Paulo, dia 13 de agosto, o maestro alemão Markus Stenz, diretor da Netherlands Radio Philharmonic Orchestra (desde 2012) e “Principal Guest Conductor” da Baltimore Symphony Orchestra, regeu a Osesp em um notável concerto.

Abriu com Le Chaos, prólogo da “Symphonie de danse” intitulada Les Élements, de Jean-Féry Rebel (1666-1747). Obra surpreendente, cujos primeiros acordes são terrivelmente dissonantes, figurando o caos primordial. Pouco a pouco, a partitura nos conduz dessa desordem à ordem universal. Duas flautas se unem às cordas e ao baixo contínuo, dramatizando a trajetória. Perfeita transparência das cordas e o maestro lhes confere a grandeza elegante tão própria ao Grand Siècle.


A Osesp na Sala São Paulo [Divulgação / Natalia Kikuchi]

Que grande, excelente escolha foi a peça seguinte: Concerto nº 4 de Camargo Guarnieri, incompreensivelmente pouco amado de solistas e maestros. Datando de 1968, marcado pela técnica serial, ele surge como uma trágica erupção, na qual o impulso criador nunca falha. A agitação do primeiro painel, Resoluto, abriga uma cadência impressionante do piano. O movimento central, Profundamente triste – Vivo – Profundamente triste, acumula os contrastes. O final retoma a veemência de modo espetacular. Guarnieri eliminou os violinos, o que confere à orquestra cores sublinhadas, contrastantes. É uma excepcional composição; ao contrário de seus concertos precedentes, este não comporta os ritmos explícitos que despontam sobretudo nos últimos movimentos, testemunho de um nacionalismo datado. Nada disso neste nº 4: a citação de uma melodia do Rio Grande do Sul dissolve-se em achados artísticos superiores. Eis um cartão de visita que a Osesp poderia levar para suas turnês internacionais, oferecendo assim a imagem mais elevada da música brasileira.

Paulo Álvares foi o solista. Formado pela Universidade de São Paulo, apaixonado por música contemporânea, ele prosseguiu seus estudos nos Estados Unidos, e depois na Alemanha, onde reside. Trabalhou com Kagel, Lachenmann, Berio entre outros. Técnica impecável, energia vibrante, sentido perfeito do ritmo. Paulo Álvares deu como bis uma improvisação eletrizante, que entusiasmou o público.

Na segunda parte, foram escolhidos dois gênios do romantismo alemão: Mendelssohn e Schubert. De Mendelssohn ouviu-se a Meeresstille und glückliche Fahrt (Mar calmo e viagem feliz) que ilustra dois pequenos poemas de Goethe evocando uma travessia marítima. Belo momento que ofereceu ao maestro e à orquestra a possibilidade de desenvolver um tecido transparente de sons que se conclui por uma rutilante fanfarra de metais. Basta uma obra dessas, com tal regência, para atestar a grande qualidade da Osesp.

Em seguida, a Inacabada, de Schubert. Orquestra e maestro iniciaram por um comovente murmúrio pontuado pela pulsação das cordas graves. Adotando um andamento enérgico, Stenz obteve uma execução transparente, mas intensa, sem pathos e sem peso. Um longo silêncio feito de recolhimento acolheu a obra no final, antes que a audiência se expressasse numa ovação merecida.

Enfim, um bis de Kurt Weill, animado, reiterou o entusiasmo do público. Magnífica apresentação.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Setembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

30/9/2017 - Horácio Gouveia - piano

Rio de Janeiro:
22/9/2017 - Linda Bustani, Lilian Barretto e Cristian Budu– pianos, Tatiana Nogueira - soprano, Lara Cavalcanti - mezzo soprano, Eric Herrero - tenor, Murilo Neves - baixo e Quarteto Camargo Guarnieri

Outras Cidades:
23/9/2017 - Maceió, AL - Orquestra Petrobras Sinfônica
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046