Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 23 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Que “Brasil” mostramos ao mundo nos Jogos? (25/8/2016)
Por João Marcos Coelho

Prometi a mim mesmo. Tentei me conter diariamente nas últimas três semanas. Mas hoje de manhã, quinta-feira, dia 25 de agosto, ao ler um excelente texto do jornalista Luis Antonio Giron [Clique aqui para ler], não deu pra segurar mais. Que Brasil mostramos para o mundo via Jogos Olímpicos?

A resposta “oficial” das transmissões de TV é: um paraíso onde tudo de ruim vira tudo de bom num passe de mágica. Ou melhor, usando-se a palavra mágica “superação”. Eu não sabia, mas fiquei sabendo – junto com uns 3 bilhões de pessoas no globo – que somos um paraíso infiltrado num mundo injusto, perverso, onde morrem milhões de fome; onde as muitas guerras continuam matando a rodo; onde a corrupção corre solta; e onde de nada adianta eleger este ou aquele para o governo de um país específico se os políticos pouco ou nada podem fazer num jogo econômico cujo comando já saiu há muito tempo dos controles governamentais – pulou a cerca, está hoje na mãos das grandes corporações transnacionais.


[Foto: divulgação]

Quem assistiu a pelo menos algumas das transmissões pode até ter se emocionado com alguns jogos (p.ex., a final do vôlei masculino) ou performances sobrenaturais (Tiago Braz no salto com vara). Mas sem dúvida esqueceu-se de que estes atletas conquistaram o ouro apesar dos apoios oficiais, que se dizem efetivos, mas na verdade são fictícios. Quando existem, chegam minguados ao esporte (ainda ontem a PF deflagrou outra operação, desta vez de roubos descarados nas verbas do Ministério do Esporte destinadas a “estimular” nossos atletas olímpicos). Quando chegam. Na ressaca dos Jogos, segunda-feira desta semana, o medalhista de prata do tiro com pistola veio a púbico reclamar que cortaram uma bolsa-ajuda que é determinante para os atletas comprarem seus materiais de treino. Porque, vocês sabem, patrocínios só chegam pra quem já chegou lá sozinho.

Pra entrar no assunto da música, foi assim com o violoncelista Antonio Meneses. Ele pediu várias vezes a ajuda do governo brasileiro em 1982 para ir a Moscou competir no mais seleto concurso instrumental do mundo, o Tchaikovsky. Sabem quando chegou a resposta do governo? No dia seguinte a sua façanha, derrotando uma penca de russos e conquistando a medalha de ouro. Eta otoridades!

Volto ao motivo da minha revolta lá de cima. Qual Brasil musical “vendemos” ao mundo? Mais uma vez os cartões postais cariocas transformaram-se em ideais deste país continental. Bom gosto musical? Paulinho da Viola na abertura; Tom Jobim no encerramento. Ridícula a ideia de contratar uma carnavalesca pra cerimônia de encerramento. Ela, lógico, transformou o Maracanã num sambódromo, com carro alegórico.

Quando Gilberto Gil, o grande Gil, era ministro da Cultura, mandou Seu Jorge e escola de samba no ano do Brasil na França. Os próprios franceses se encarregaram de corrigir nossa miopia tropical: o governo pagou músicos brasileiros para apresentarem música contemporânea de compositores brasileiros.

Paulinho da Viola, Tom Jobim, Gil – são todos sensacionais, ninguém discute seu valor. Mas o Brasil não é só samba, suor e cerveja.

 





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

29/4/2018 - Orquestra Experimental de Repertório

Rio de Janeiro:
27/4/2018 - Ópera Um Baile de Máscaras, de Verdi

Outras Cidades:
26/4/2018 - Belo Horizonte, MG - Ópera La Traviata, de Verdi
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046