Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 20 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Elliott Carter: As aventuras da composição aos 100 anos de idade (13/12/2008)
Por João Marcos Coelho

Nesta quinta-feira, dia 11 de dezembro, o compositor norte-americano Elliott Carter completa cem anos de idade. E, a julgar por um CD+DVD lançado no último dia 28 de novembro no mercado internacional pela Naxos, ele continua em forma. Numa conversa de 22 minutos com Robert Aitken, flautista e regente do New Music Concerts Ensemble de Toronto, Carter esbanja vitalidade. Diz que começa sempre uma nova composição andando pelas ruas de Manhattan... andando aos 100 anos de idade, imaginem. E olhem que ele tem escrito música em grande quantidade na última década.

Por exemplo, este ótimo CD da Naxos lançado para comemorar o centésimo aniversário de Carter. Dos 63 minutos de música, mais da metade foi composta de 2004 para cá. Ou seja, a partir dos 96 aninhos. Aliás, as duas peças mais importantes são justamente as mais recentes: "Dialogues", de 2004, para piano e 18 instrumentos; e "Mosaic", de 2005, para harpa e sete instrumentos.

"Cada composição é uma nova aventura para mim", diz Carter. "Não penso em estruturas, mas fragmentadamente." Outra frase pinçada da conversa com Aitken: "Escrevo música que propicie prazer aos músicos."

Não pensem, porém, que Carter faz música fácil ou banal. Longe disso. Sua música tem atributos que em definitivo o afastam da tradição musical norte-americana no século 20. Mas, lá pela quinta ou sexta audição, sua música nos revela um aroma original. Dez entre dez compositores contemporâneos raciocinaram e/ou raciocinam entre uma cartilha mais preocupada em comunicar-se com o público (atitude de Adams, Reich, Glass e outros); ou então rezam pela cartilha radical de Boulez, por sua vez originária da revolução serial empreendida por Schoenberg no início do século passado. A música norte-americana contemporânea viveu quase sempre entre o radicalismo de um John Cage, por exemplo, ou o neoclassicismo injetado pela mestra Nadia Boulanger em 300 dos 300 compositores dos EUA que com ela estudaram por meio século.

Pois Carter se dá ao luxo de ser rigoroso sem cair em nenhuma destas armadilhas. Cada obra nova, de fato, é uma nova aventura. "Mosaic", por exemplo, é incrivelmente lírica (mas não tonal, esclareça-se). A harpa dialoga em espelho ou contraste com os demais instrumentos (flauta, oboé, clarineta, violino, viola, violoncelo e contrabaixo). Há lirismo nos fragmentos.

Já "Dialogues", de 2004, opta por uma música mais arisca - talvez devido ao caráter percussivo do piano, que Carter enfatiza. O fato é que vale a pena aventurar-se no universo deste compositor tão firme em suas convicções. Ele estudou com Boulanger, mas tornou-se amigo e parceiro de Pierre Boulez.

Agora, cá entre nós, Carter parece uísque: fica melhor a cada ano que passa. Tem escrito muito nos últimos 20 anos, bem mais do que em períodos anteriores. Mas há muitas outras peças interessantes neste CD recentíssimo da Naxos. "Scrivo in vento", de 1991, para flauta solo, usa um verso do poeta italiano Petrarca, do Trecento. "Figment no. 2 (Remembering Mr. Ives)", de 2001, para violoncelo solo, reutiliza fragmentos da imensa sonata Concord de Charles Ives, "meu grande amigo, cuja música conheço e amo desde 1924".

"GRA" em polonês quer dizer "tocar'. Carter escreveu "GRA" em 1993 para clarineta solo, em tributo aos 80 anos do compositor Witold Lutoslawski.

As execuções do New Music Concerts Ensemble regido por Robert Aitken são excelentes. As duas mais ambiciosas, "Mosaic" e "Dialogues", foram gravadas no mítico estúdio do pianista Glenn Gould, em Toronto, em maio de 2006. Não parece coincidência, portanto, a qualidade da música produzida: quem sabe o espírito de Gould, rigoroso e aventureiro como ele só, tenha baixado em seu estúdio, só para deixar Elliott Carter ainda mais contente. Dá até arrepio assistir à gravação das duas peças no estúdio de Gould no DVD bônus.

Feliz aniversário, Mr. Elliott Carter. E que o senhor continue transformando esta formidável vitalidade em novas obras musicais. Como o senhor mesmo respondeu, dias atrás, a um repórter que lhe disse que parece que as pessoas estão começando a gostar de sua música: "Claro. Afinal, tenho 100 anos. Já era tempo".





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

20/4/2018 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Coro da Osesp

Rio de Janeiro:
29/4/2018 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
28/4/2018 - Belo Horizonte, MG - Ópera La Traviata, de Verdi
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046