Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 23 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Feliz Ano Novo? (23/12/2016)
Por Nelson Rubens Kunze

Uma disputa política associada a uma visão populista tosca derrubou a Oficina de Música de Curitiba. Não é qualquer festival! A Oficina acontece ininterruptamente há 35 anos e mesmo antes dela, entre 1965 e 1977, a cidade de Curitiba abrigava, neste mesmo período de janeiro, os históricos Cursos Internacionais de Música do Paraná. É mais de meio século de investimento no ensino musical, é mais de meio século de uma contribuição fundamental e determinante não só para a difusão da arte, mas sobretudo para a formação musical.

Sim, pois até nisso o prefeito eleito Rafael Greca, responsável pelo cancelamento da Oficina, foi desastrado. Como se sabe, Greca, defendendo o investimento em saúde, afirmou que “temos de escolher entre a dor do povo e o prazer de fazer música”. A Oficina não é apenas “o prazer de fazer música”. A Oficina tem um grande diferencial, que é a sua absoluta prioridade ao ensino. A Oficina é corresponsável pela formação de gerações de músicos. A sua vocação pedagógica está no próprio nome, “oficina”, que remete a um espaço de trabalho e de aprendizagem. Ao fazer a comparação demagógica do investimento em música com o investimento em saúde, Greca, por tabela, despreza a educação.


Concerto de encerramento da Oficina de Música de Curitiba [Divulgação / Alice Rodrigues]

Mas o mais aviltante na história – e o que realmente evidencia o falso dilema “cultura versus saúde” e a perversidade da postura do prefeito eleito – é a análise cristalina apresentada por Sandro Moser no jornal “Gazeta do Povo”. Ali se lê o seguinte: “De acordo com dados da SMS, o custo diário do SUS Curitiba, incluindo gasto com pessoal e equipamentos, é de R$ 4,3 milhões. Assim, o valor total da Oficina de Música (R$ 1,7 milhões) corresponderia a nove horas e meia de atendimento de saúde na cidade. O valor que a prefeitura teria de efetivamente que depositar para realizar o evento (R$ 900 mil) equivaleria a cinco horas de atendimento no SUS Curitiba”. Ora, será mesmo que a Oficina de Música – que impacta ao longo de todo mês de janeiro dezenas de milhares de pessoas – terá de ser sacrificada para cobrir cinco horas de atendimento do SUS Curitiba?

Mas, infelizmente, Curitiba não é um fato isolado. Parece que a crise econômica serviu de pretexto para abrir o saco de maldades em diversas regiões do país.

No estado de São Paulo, o governo ameaça seriamente o modelo das Organizações Sociais (OSs), um investimento de duas décadas que transformou a área de cultura paulista num exemplo na América Latina. Sucessivos cortes nos repasses acordados com as OSs comprometem o funcionamento dos órgãos culturais. Veja as ameaças de extinção que enfrentam a Banda Sinfônica e a Jazz Sinfônica do Estado. O que resta à OS Instituto Pensarte, como gestora do equipamento, se a previsão de repasse governamental é de R$ 22,4 milhões para o ano de 2017, quando o mesmo equipamento contou com uma dotação de R$ 34,2 milhões em 2014?

As OSs do estado de São Paulo são vítimas de uma política míope do governo do Estado, que colocou a cultura bem longe de qualquer prioridade. E as provas estão em dados oficiais: o orçamento estadual, que em 2014 reservava já míseros 0,57% à pasta da cultura (R$ 929 milhões), reduziu a dotação para 0,40% (R$ 826 milhões) em 2016. E para 2017, a lei orçamentária enviada para o legislativo destina ainda menos, 0,37% (R$ 762 milhões)! Estamos assistindo a uma queda livre do porcentual da Cultura no orçamento global do governo.

Mas, pelo menos em São Paulo, abre-se uma brecha de esperança. Após intensa mobilização da comunidade musical, a Assembleia Legislativa aprovou uma emenda no orçamento que prevê um repasse de R$ 5 milhões para a Banda Sinfônica. E o governador Geraldo Alckmin pessoalmente teria garantido a manutenção da Orquestra Jazz Sinfônica.

E em Curitiba? Bem, em Curitiba, salvo algum “deus ex machina” inesperado (quem sabe o espírito natalino não ilumine o prefeito eleito e ele, num rompante tipo salvador da pátria, volte atrás em sua malfadada decisão?), o ano começará triste e sem música... O cancelamento da Oficina, além de ato obscurantista, é uma ofensa ao bom senso. É a arrogância populista e demagógica atropelando a sensibilidade humana.

Mas perseveremos! E seguiremos defendendo a cultura e a educação com o mesmo ímpeto com o qual defendemos a saúde pública.

Feliz Ano Novo para todos!

(p.s. Eu mesmo fui aluno das primeiras edições da Oficina de Música de Curitiba. Em um ambiente de alta concentração pedagógica, travei contato com mestres e músicos que marcaram a minha formação. E foi em razão da Oficina de Música de Curitiba que mudei o rumo da minha vida, decidindo-me pela música.)





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

29/4/2018 - Orquestra Experimental de Repertório

Rio de Janeiro:
27/4/2018 - Ópera Um Baile de Máscaras, de Verdi

Outras Cidades:
26/4/2018 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046