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A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música (4/4/2017)
Por Jorge Coli

Que festa foi o concerto de abertura do Concurso Maria Callas! Uma euforia. Ele ocorreu no sábado, dia 1º de abril, no Theatro São Pedro; reunia vencedores passados desse certame. E que turma excelente! Jovens, mas firmes, maduros em suas artes, alguns já com vários pés nos teatros internacionais.

 
Foto de Maria Callas por Cecil Beaton [Reprodução]

Não quero analisar as interpretações e nem seria justo destacar quem quer que seja, tão a qualidade foi alta e homogênea: Enumero apenas os nomes: Rodolfo Giuliani, Ana Lucia Benedetti, Bruno de Sá, Camila Titinger e Anibal Mancini.

O programa ia de Mozart a Richard Strauss, passando por Rossini, Donizetti, Gounod, Pucini, Mascagni, Leoncavallo, Cilea. O clima era de entusiasmo, tanto entre os intérpretes quando no público, que explodia em aplausos.

Na plateia estava o júri internacional. Sentei-me perto de Katia Riciarelli, cantora tão ilustre. Pude observá-la discretamente: loira, perfil de estátua romana, porte de Juno, ela demonstrava sua aprovação, muito animada, lançando um bravo!, ou brava! de vez em quando. No final do intermezzo de Manon Lescaut, com a orquestra do Theatro São Pedro sob a regência de Luiz Fernando Malheiro comentou: bello!

Tinha toda razão. Se no prólogo de I pagliacci a orquestra demonstrou a necessidade de alguns ajustes menores, em seguida aqueceu-se e deu o melhor de si.

No final, Riciarelli foi homenageada e, junto a todos os cantores, muito simpática, entoou o Brindisi, de La traviata. Cantou a última frase de Violetta, e deu o agudo final, fazendo o vozeirão impor-se e encher o teatro.

O Concurso Maria Callas fez 15 anos: longevidade espantosa num país em que os projetos culturais resistem tão pouco à indiferença e à ignorância públicas. Seu animador é Paulo Ésper. O Concurso tornou-se um grande estímulo para os jovens intérpretes de ópera abrindo-lhes caminho em direção a uma carreira nada fácil.

O que esse Concurso, e também a Academia de Ópera, e o investimento artístico que preside as atividades do Theatro São Pedro vem realizando para formar novos cantores, é inestimável. Há ali uma mistura de competência e amor à música difíceis de encontrar assim reunidos. Essa mistura resiste aos cortes orçamentários, à indignidade miserável das verbas.

O concerto mostrou uma turma sensacional, e o excelente resultado desse trabalho conjunto. Que o Theatro São Pedro possa continuar produzindo apresentações assim tão belas e entusiastas.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

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