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Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes (3/5/2017)
Por Camila Frésca

No final de 2016, o Projeto Guri realizou uma pesquisa com seus ex-alunos. O objetivo era conhecer a situação atual daqueles que passaram pelo projeto e o impacto do programa em suas escolhas de vida. O resultado trouxe dados interessantes que merecem ser olhados mais atentamente.

A base da pesquisa foi um questionário quantitativo on-line que abordou questões acerca do perfil dos ex-alunos (sexo, idade, permanência no Guri, data e motivo de saída), sua situação atual (prática musical, estudos e profissão) e o impacto do Guri em sua vida. O questionário foi disponibilizado por meio das redes sociais do Projeto Guri (Facebook e Twitter) entre agosto e setembro de 2016, resultando numa amostra de 759 ex-alunos, que responderam de forma espontânea. As mulheres foram maioria em relação aos homens (56%); as faixas etárias predominantes, dos 15 aos 19 anos (43%) e dos 20 aos 24 anos (37%); os principais cursos que os ex-alunos realizaram durante seu tempo de Guri foram canto coral (41%), violão (29%) e violino (21%); e a maior parte deles (44%) permaneceu no Projeto por três anos ou mais – o principal motivo de saída é o atingimento da maioridade (34%).

Um dado muito bacana levantado pela pesquisa é o de que mais da metade dos respondentes, ou 66%, continua com a prática musical, sendo que 42% deles tocam o instrumento aprendido no Guri e 24% tocam este e outros instrumentos. A pesquisa quis saber desses 66% quantos se tornaram ou se tornarão profissionais da música: 32% afirmaram que não, que realizam estudos em outra área e somente praticam música por lazer; já 21% afirmaram que sim (estudam para ser músicos profissionais); 18% afirmaram que são profissionais de outra área e somente praticam por lazer; 15% afirmaram ser músicos profissionais; 8% combinam a profissão de músico com outra atividade profissional; e 6% combinam a profissão de músico com estudos em outra área. De forma resumida, pode-se dizer que dois terços dos ex-alunos que responderam a pesquisa continuaram praticando música após sair do Guri e, desse percentual, quase metade é ou quer se tornar músico profissional. A pesquisa ainda levantou que existe uma relação direta entre a prática musical e a permanência dos ex-alunos no Projeto: quanto maior é o tempo de permanência, maior é a proporção de ex-alunos que continuam tocando atualmente. Uma curiosidade: a música, como área de estudo, foi uma das menos escolhidas pelos ex-alunos que declararam apenas estudar ou apenas trabalhar. Já entre os que declararam estudar e trabalhar, ela foi a opção mais citada.


Fotos de atividades do Projeto Guri [Divulgação]

Outro ponto levantado pela pesquisa foi o impacto que o Projeto Guri teve na vida dos ex-alunos. Quando questionados, de forma genérica, sobre a importância de ter participado do Projeto, 80% deles consideraram que o Guri teve muita importância para sua vida, enquanto 17% o consideraram importante. Ou seja, 97% dos ex-alunos que participaram espontaneamente da pesquisa consideraram que o Projeto Guri foi muito importante ou importante para suas vidas. Os motivos dessa importância foram a ampliação de seu repertório musical e a ajuda em melhorar a disciplina, confiança, autoestima e as relações sociais.

No relatório que acompanha a pesquisa, é recomendada uma leitura cautelosa dos resultados por tratar-se de uma amostra espontânea, na qual predominam ex-alunos com longa permanência no Projeto, bem como como aqueles que mantêm um contato estreito com o Guri. De qualquer forma, são resultados auspiciosos que apontam para o cumprimento do grande objetivo do Projeto Guri, que é ter um papel relevante na formação de crianças e jovens enquanto cidadãos, ampliando seus horizontes. Como efeito colaterais, ainda podem ser apontados a vivência na música de forma mais intensa, por meio da prática e não apenas do consumo; a abertura de uma possibilidade profissional; e a formação de uma geração mais preparada para interpretar os sons que lhes chegam aos ouvidos.

[A pesquisa completa pode ser acessada aqui]





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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