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Foi um esplendor, mas... (16/5/2017)
Por Jorge Coli

O maestro Roberto Minczuk teve a excelente ideia de apresentar a versão integral de Peer Gynt, obra composta por Grieg. De fato, o que se ouve habitualmente são as duas suítes extraídas dessa obra, imensamente populares. Ocorre que Peer Gynt, antes de ser uma composição musical, é uma peça escrita pelo grande dramaturgo norueguês Ibsen e representada pela primeira vez em 1876. Ibsen recorreu a um jovem compositor, seu compatriota, Edvard Grieg, ainda não muito conhecido, para escrever a música de cena que acompanharia a peça. Grieg foi tomado de tal forma pelas aventuras desse Peer Gynt, espécie de Macunaíma norueguês com angústias existenciais, que inventou a música mais inspirada que se possa imaginar. Peer Gynt foi, para ele, um grande impulso em direção ao reconhecimento internacional.

O que se teve, portanto, no Municipal, foi a totalidade da obra, vinculada à peça, e não apenas os trechos selecionados nas suítes.

Digo imediatamente: foi um esplendor. Minczuck é um maestro de primeiríssima água, e mostrou ao mesmo tempo finura, energia sensível, inteligência narrativa. A orquestra respondeu maravilhosamente, e também o coro. As duas solistas, o soprano Carla Domingues e o mezzo Carolina Faria desempenharam suas partes com poesia e grande qualidade de canto.

Assim, tudo pelo melhor no melhor dos mundos? Infelizmente não.

A composição foi escrita para uma peça de teatro. Imaginou-se articular o conjunto dramático com um narrador que resumia as peripécias mirabolantes de Peer Gynt e um ator que encarnava o próprio personagem.

Boa solução. Mas decidiram que as partes faladas seriam amplificadas. O contraste entre o som acústico da orquestra, do coro, dos solistas e o som amplificado quebrou boa parte da magia da obra e da admirável interpretação. Alternando com os sons sutis, vinha a violência sonora reboando dos alto-falantes.

Pior ainda. As peças que, no passado, eram acompanhadas de música, a chamada música de cena, empregavam algo denominado melodrama, em que os personagens falam sobre fundo musical. É como no cinema, quando os atores conversam e há música de fundo tocando, música destinada a criar climas de diversos sentimentos. Na apresentação do Municipal, nesses trechos, a música era coberta pela trovejar dos alto-falantes que transmitiam a fala. Isso foi muito desagradável em vários momentos; assim, quando a orquestra tecia uma trama sedosa de sons em “A morte de Aase”, e a voz do ator irrompeu, foi um choque.

Nos tempos de Ibsen não havia amplificação. Cacilda Becker representou A dama das camélias nesse mesmo Municipal sem microfone. Como para os cantores, o ator deve vencer o espaço da sala, fazendo o público vibrar. Se não tem projeção na voz, é melhor que desista. Se tem, não precisa de microfone. Teria sido magnífico ouvir a intensidade do personagem no mesmo registro acústico da orquestra e dos cantores. E a amplificação, que pode ser um mal menor para concertos ao ar livre, chamando a atenção de um público mais ou menos distraído, não é adequada para uma sala como a do Municipal.

Há algumas semanas, na apresentação de Fidelio em forma de concerto, foi também empregada a voz de uma narradora, que atrapalhou bastante a fluência dramática da obra.

Sem contar outro ponto. Já faz tempo, antes da gestão atual, inventaram de pendurar enormes caixas de som bem na frente de O nascimento de Vênus, frisa que coroa a boca de cena, bela e enérgica escultura do escultor milanês Alfredo Sassi. A sala do Municipal é muito harmoniosa; ela foi concebida para criar sentimento de beleza enquanto se ouve música. Esses trambolhos vêm perturbá-la, sugerindo adaptação precária e descuidada.

As caixas estão mais presentes agora do que no passado. O maestro gosta de conversar com o público, no que faz muito bem, pois sabe criar um clima simpático e caloroso. Emprega microfone para isso. Mas que se ponham caixas menores em algum lugar disfarçado e menos evidente.

Esse gosto por narradores e atores misturados às apresentações, generosamente amplificados nos alto-falantes, talvez tenha alguma intenção didática, de “conforto” para o público. Mas o público é mais esperto do que se imagina. Bons resumos e informações nos programas seriam, muitas vezes, bem suficientes.

Ai ai ai! Não havia programa! A mais importante casa de espetáculos da maior cidade brasileira apresenta um concerto sem programa impresso! Nem uma folha mísera mimeografada que fosse, para que se tivesse um mínimo de informações. O público desconheceu assim o nome de muitos intérpretes solistas, e sequer teve o consolo de descobri-los no site do Teatro, que os ignorou soberbamente. Tudo isso oferece uma desagradável impressão de desleixo.

Na primeira parte da programação foi interpretada a Sinfonia concertante para sopros, de Mozart, tendo como solistas os chefes de naipes da própria orquestra. Foi um sublime momento de música.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

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