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Você conhece José Vieira Brandão? (12/7/2017)
Por João Marcos Coelho

Meu parceiro neste espaço Irineu Franco Perpetuo está em campanha de “crowfunding” para viabilizar a publicação física de seu livro “História Concisa da Música Clássica Brasileira”. [Clique aqui para saber mais.]

O segundo parágrafo de sua convocação aos doadores me chamou a atenção:
“Nossos compositores que não se chamam Villa-Lobos vivem eternamente tendo que ser ‘resgatados’ por musicólogos e intérpretes abnegados, que teimam em não deixar apagar a memória de uma produção contínua e de qualidade, que começou na época colonial, chegando até os nossos tempos.”

É isso aí, Irineu. A música clássica brasileira vive historicamente de espasmos. Ora públicos, que de repente desandam pavorosamente como estamos vendo aqui mesmo, nas outrora ricas terras de São Paulo. Com mais frequência, individuais, ou de pequenos grupos – mais individuais do que de grupos.


Hugo Pilger e Lucia Barrenechea [Divulgação]

Pego este mote pra falar de um belo projeto que nos vem do Rio de Janeiro – outro rincão pátrio que se desmancha cruelmente e ainda assim resiste com a ação de músicos como o violoncelista Hugo Pilger e a pianista Lúcia Barrenechea. Eles tiveram a ótima e imprescindível ideia de juntar, numa integral da produção de Villa-Lobos para esta formação, obras de outros compositores que, de outro modo, permaneceriam ilustres desconhecidos. Lançaram um álbum duplo em 2013. E agora completam esta integral magnífica, não só pelas execuções da obra importante do Villa, mas pelo garimpo de repertórios que com ele conviveram e permanecem solenemente ignorados pelos músicos, programadores de concertos e, claro, pelo público, que só tem o direito de consumir aquilo que lhe entregam nos palcos nativos. Ou seja, mais do mesmo.

Pois neste segundo álbum duplo, intitulado “Presença de Villa-Lobos – na música brasileira para violoncelo e piano vol. II”, tudo soa diferente, porque as peças do Villa são confrontadas, espelhadas, nas de outros. Alguns conhecidos, como Guarnieri, Mignone, Radamés, Guerra-Peixe que, mesmo assim, sofrem o bullying de que Irineu fala em seu parágrafo acima. Outros desconhecidos hoje em dia, como José Guerra Vicente (1906-1976) e José Vieira Brandão (1911-2002), parceiros militantes do Villa em seus projetos ufano-nacionalistas do Estado Novo, mas nem por isso merecedores do esquecimento atual de suas obras.

A peça de Guerra Vicente, “Elegia”, é curta – nem sei se ele possui produção mais vasta. Mas a sonata de Vieira Brandão me impressionou pela consistência de escrita, o talento melódico e o profundo conhecimento dos recursos técnicos do violoncelo – e olhem que ele era pianista. Mineiro de Cambuquira, mudou-se cedo com a família para o Rio de Janeiro, onde formou-se em piano na Escola Nacional de Música. Foi colaborador próximo de Villa-Lobos (lecionou no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico), estreou as Bachianas Brasileiras nº 3 para piano e orquestra. Esta ambiciosa sonata é de 1958 e foi dedicada a um dos músicos-chave da primeira metade do século XX, sobrinho-neto de Carlos Gomes. Estou falando do violoncelista Iberê Gomes Grosso (1905-1983). Como escreve Hugo Pilger no texto do álbum “Presença de Villa-Lobos”, há na sonata muitos trechos “costurados”, isto é, que passam do cello ao piano e vice-versa, “exigindo perfeita sincronia dos intérpretes”. A mim me encantou, como dizem nossos irmãos argentinos, entre muitos outros motivos, o uso do glissando num motivo descendente de 3 notas já na segunda metade do Andante allegretto scherzando de sua sonata. Mas o violoncelo enfrenta de tudo na sonata: acordes, cordas duplas e harmônicos.

Iberê também é motivo da outra peça resgatada, pois Alceo Bocchino dedicou sua suíte brasileira ao violoncelista com quem manteve um duo estável por anos. Bocchino é mais descaradamente nacionalista do que Brandão, mas sabe escrever como poucos música calcada em nossos ritmos, danças e folclore. Tem um metiê danado, ele que foi pianista e também maestro, além de compositor.

Como diz Irineu, vivemos de resgates, de espasmos para conhecer melhor o passado da música clássica brasileira. O trabalho inteligente e talentoso de Hugo Pilger e Lúcia Barrenechea neste “Presença de Villa-Lobos na música brasileira para violoncelo e piano vol. 2” é um destes belos, necessários espasmos.

[CD disponível na Loja CLÁSSICOS – clique aqui.]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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