Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Segunda-Feira, 23 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Em busca da música (28/7/2017)
Por João Marcos Coelho

Embora ainda não tenha lido integralmente o livro de ensaios sobre música, de Lorenzo Mammì, que a Companhia das Letras está lançando neste finalzinho de julho, comecei a saboreá-lo aos poucos, como quem se aproxima devagar de textos ao mesmo tempo muito claros e objetivos, mas de singular profundidade reflexiva. Reúne uma seleta de artigos publicados na grande imprensa e também no mundo acadêmico sobre a música sem adjetivos nos último 30 anos.

Ele mesmo diz, no prefácio, que separou apenas por comodidade o livro em duas partes: uma sobre música popular (“diz respeito a um período relativamente curto da música popular brasileira e internacional, desde Caymmi, figura exemplar da era do rádio e dos primeiros LPs, até o atual desaparecimento do disco”); outra sobre música de concerto, “organizados pela data de publicação”.

Mammì reúne o melhor do filósofo e do músico. O rigor do primeiro e a paixão pelo objeto de seu estudo (afinal, ele é pianista, embora não público).

O título do livro é “A fugitiva”. Sim, dupla referência. Primeiro, a Proust e a seu monumental “Em busca do tempo perdido”, que merece de Mammì um artigo até aqui inédito sobre a pequena frase de Vinteuil que perpassa a maratona de romances proustiana.

A segunda referência de “A fugitiva” é à própria música: “A música não é um objeto, algo que se possa segurar entre as mãos, manter diante dos olhos; tampouco é um conceito que se possa revirar no pensamento. (...) Música e linguagem não se bicam – invejam-se, quando muito”. Em suma, “há dificuldades objetivas, às vezes insuperáveis, sempre que se aborda a música com as armas do pensamento. Ela não se deixa encarar: é um assunto que, em sua essência, escapa”.

Mammì diz que tenta “surpreender a música com a guarda baixa, a descoberto”. E exemplifica: “quando ela passa do som para a notação; quando escola em comportamentos; refletida no pensamento de um escritor (Stendhal, Baudelaire, Proust) ou na postura de um ouvinte”.

A fina escrita exige leitura mais atenta. Mas, ao mesmo tempo, surpreende quase sempre pelo que os francês chamam de “bon mot”. A música de Debussy o encanta “justamente por ser ela um fluxo sem direção, sempre à beira da falta de sentido”. Debussy o ajudou a ouvir João Gilberto e “o jazz das décadas de 1960 e 1970 me ajudou a entender a vanguarda pós-weberniana, a reconhecer naquelas construções tão minuciosas um cenário montado para o surgimento de reações espontâneas, quase neurológicas”.

Especialmente atraentes são as 24 páginas de verbetes sobre a história da música, que o crítico do extinto “Jornal da Tarde” lhe encomendou em 1995-6 para publicação no jornal, mas permaneceram inéditos.

Uma clarividência que se torna divertida e originalíssima na prosa sobre música popular. Em “Caymmi”, ele começa assim: “A baiana o chama para dançar, mas ele não vai. Se Anália não quiser ir, vai só. Se por acaso chover, aí não vai mesmo. As letras de Caymmi falam da liberdade de ir e vir. Quem canta é o homem perfeitamente livre”. Até aqui um hábil jogo de citações de versos do compositor baiano. Mas na sequência vem o raciocínio agudo: “Suas músicas inventam o folclore, mas não lhe pertencem, porque o folclore pressupõe uma comunidade rígida da qual não se pode escapar. Caymmi já se desgarrou dela, mas pode voltar quando quiser. Da modernidade, aproveita o que quer, sem compromisso”.

Numa palavra, “A Fugitiva” é o livro brasileiro sobre música a ser lido em 2017.

[O livro “A fugitiva” de Lorenzo Mammì está disponível na Loja CLÁSSICOS. Clique aqui para saber mais.]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

29/4/2018 - Coral Paulistano Mário de Andrade

Rio de Janeiro:
29/4/2018 - Ópera Um Baile de Máscaras, de Verdi

Outras Cidades:
28/4/2018 - Porto Alegre, RS - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046