Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro (23/8/2017)
Por Nelson Rubens Kunze

Estreou no sábado, dia 19 de agosto, a primeira produção lírica da gestão Santa Marcelina Cultura no Theatro São Pedro: o balé Pulcinella, de Igor Stravinsky, em dobradinha com a ópera Arlecchino, de Ferrucio Busoni. É verdade que a inspiração comum na commedia dell’arte une Pulcinella e Arlecchino. Mas, ainda que elas se complementem satisfatoriamente em um único programa, os parentescos terminam aí.

Pulcinella foi uma encomenda de Diaghilev, o famoso empresário dos Ballets Russes, que queria uma obra baseada em um libreto da commedia dell’arte e em música de Pergolesi e outros compositores antigos. Stravinsky reescreveu a música para uma orquestra de câmara, soprano, tenor e barítono. Era o ano de 1920 (portanto, depois das famosas criações do mestre russo – a Sagração da primavera é de 1913), e o resultado acabou entrando para a história como a primeira obra neoclássica de Stravinsky.

Arlecchino, por outro lado, é uma pequena joia de teatro musical. Escrita em 1917, em resposta ao verismo e às tendências da época, ela é direta, inventiva, entrecortada por diálogos falados, com muitas citações e passagens irônicas, em que Busoni faz uma paródia bem-humorada da ópera e das convenções sociais da virada do século 19 para o 20. A obra foi originalmente escrita em alemão, com libreto do próprio Busoni, mas, como vimos no Theatro São Pedro, funciona muito bem também na versão em italiano – e com os diálogos em português.


Cena da ópera Arlecchino, de Busoni [Divulgação / Heloisa Bortz]

Foi muito boa a direção cênica dos espetáculos, a cargo de William Pereira, que também foi o responsável pela cenografia. Com uma concepção sóbria, clara e de linhas geométricas, William criou um espaço cênico aberto, comum às duas obras, formado por colunas retas nas laterais e no fundo, e grandes bolas-luminárias que pendiam do teto. Um dos destaques da produção são os bonitos figurinos de Fabio Namatame, que, mesmo modernizados, estabelecem a principal alusão ao universo da commedia dell’arte. A iluminação, que reforçou com discrição e bom gosto a encenação, foi de Mirella Brandi (só não gostei do momento “pisca-pisca” das luminárias...).

O balé Pulcinella foi apresentado pela São Paulo Companhia de Dança com coreografia de Giovanni de Paula, que, como consta no programa, recriou a coreografia original de Léonide Massine. Achei boa a apresentação, ainda que senti um certo estranhamento na concepção geral – da união daquela música “neobarroca” com algumas das soluções coreográficas, dentro daquele cenário iluminado.

Se houve algum porém no Pulcinella, o Arlecchino foi perfeito. Com uma excelente atuação teatral – especialmente do Arlequim de Vinicius Atique – e um bom elenco de vozes – Denise de Freitas (Colombina), Giovanni Tristacci (Leandro), Rodolfo Giugliani (Sr. Matteo), Pepes do Valle (Doutor Bombasto) e Johnny França (Abade Cospicuo) – a ópera teve uma leitura orgânica e fluente.

Cabe ainda mencionar o bom desempenho da Orquestra do Theatro São Pedro, nesta sua primeira ópera após a reorganização do teatro, bem como a competente condução do maestro norte-americano Ira Levin. (Aliás, foi Ira Levin, que foi diretor artístico do Municipal paulistano entre 2002 e 2005 e atualmente é principal maestro convidado da Ópera Nacional de Sófia, que sugeriu os títulos.)

Pulcinella & Arlecchino, pelo equilíbrio da produção, é um começo promissor para a nova fase do Theatro São Pedro. E o público respondeu bem, com casa lotada (assisti à estreia) e muitos aplausos. [Ainda haverá récitas hoje e dia 25 (às 20 horas) e domingo dia 27 (às 17 horas).]

Veja outras fotos de Pulcinella & Arlecchino:

[Fotos: Divulgação / Heloisa Bortz]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Novembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
29 30 31 1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 1 2
 

 
São Paulo:

29/11/2017 - Quarteto de Cordas da Orquestra Jovem do Estado

Rio de Janeiro:
23/11/2017 - Clea Galhano - flauta doce e Rosana Lanzelotte - órgão e cravo

Outras Cidades:
26/11/2017 - Vitória, ES - 5º Festival de Música Erudita do Espírito Santo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046