Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático (4/9/2017)
Por Jorge Coli

Wagner não consegue encher a Sala São Paulo. Ou, pelo menos, não Tristão e Isolda. Ou, pelo menos, não o segundo ato de Tristão e Isolda.

A apresentação que ocorreu na última quarta-feira, dia 30 de agosto, mostrava um público ralo, à vista d’olhos, preenchendo apenas uns 60% das poltronas. Curioso é que algumas pessoas não conseguiram ingressos, informadas que foram de lotação esgotada. Mistério. Seja como for, não houve presença efetiva e maciça.


Osesp, com o maestro Richard Armstrong e solistas, interpretaram o segundo ato de Tristão e Isolda [Divulgação]

A apresentação foi de boa qualidade, como se costuma dizer quando falta entusiasmo, e teve um succès d’estime. Bons cantores, mas não de primeiríssima água. Rachel Nicholls, soprano inglês, com timbre um pouco duro, agudos difíceis e imprecisos, enfrentou o terrível papel de Isolda; Lars Cleveman, tenor sueco, voz clara e neutra, investiu em um Tristão lutando contra as massas sonoras; Katarina Karnéus, mezzo-soprano, ela também nascida na Suécia, deu alma a Brangäne – suas calorosas e belas características vocais foram reconhecidas pelos aplausos. Momento muito alto foi o monólogo do rei Marke, cantado por Peter Rose, esplêndido baixo britânico que impôs poderosa intensidade musical e emotiva, sendo acolhido por um triunfo. Menciono também o brasileiro João Vitor Ladeira, que deu vida com brilho ao pequeno papel de Melot.

Richard Armstrong regeu a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo com clareza. No início, algumas pequenas imprecisões não chegaram a macular a excelente sonoridade daquele conjunto. O lirismo tecia-se, poético... até que os dois protagonistas ficaram sozinhos, na longuíssima cena de amor. A concepção musical deslizou para uma regência rotineira e escolar, esvaziando a obra de emoções. O clima, o não sei quê mágico, não tem receita. Surge quando manda o deus da música. Grandes obras e bons intérpretes não são suficientes para assegurá-lo. É uma centelha que pode ou não incendiar. Com a entrada do rei Marke, o final palpitou de novo, arrebatando a todos, intérpretes e público, com bela intensidade que se manteve até os últimos acordes.

As observações acima não alteram o princípio da boa qualidade mencionada antes. Foi sempre um alto nível, para empregar outra expressão convencional. Mas a interpretação careceu de lirismo e vigor dramático.

Fui ao concerto lamentando que a ópera não fosse dada nos seus três atos. Ao término, percebi que tinha sido bem assim e, tal como resultou, o segundo ato bastava.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Novembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
29 30 31 1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 1 2
 

 
São Paulo:

29/11/2017 - Ópera La Belle Hélène, de Jacques Offenbach

Rio de Janeiro:
24/11/2017 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
30/11/2017 - Manaus, AM - Teia Clássica, de Delibes/Tchaikovsky; e Petrushka, de Stravinsky
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046