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Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp (29/9/2017)
Por João Marcos Coelho

A diminuição expressiva de público na atual temporada da Osesp, aliada à crise que envolve o país inteiro, provocou algumas mudanças significativas de orientação para a temporada 2018, anunciada hoje [leia aqui].

Escrevo, claro, no calor da hora, após ter lido rapidamente o dossiê para imprensa. Como escreveu meu parceiro Irineu Franco Perpetuo no último dia 22 neste mesmo espaço [leia aqui], não é o caso de se bendizer a crise. Mas é muito bom ver que músicos brasileiros voltam a frequentar o palco da Osesp e contracenar com ela, como foi o caso do pianista Leonardo Hilsdorf há pouco – e será o de Lucas Thomazinho em 2018.


Osesp [Divulgação / Alessandra Fratus]

Os concertos de quinta e sexta-feira se iniciarão meia hora mais cedo, às 20h30. Os itinerários de chegada à Sala São Paulo podem ficar mais congestionados, porque os espectadores pegarão ainda o finalzinho do rush. Mas vale a pena o teste, porque os menores públicos da Osesp têm acontecido justamente nesses dias. Baixar os custos dos ingressos e permitir que cada um monte como quiser a “sua” temporada com seus concertos preferidos, são duas medidas igualmente salutares. Instituir duas séries gratuitas é melhor ainda para atrair novos públicos à Sala São Paulo, casos do Festival Viva Villa, comemorando em fevereiro o término da integral das sinfonias do compositor com Isaac Karabthevsky e a Osesp; e a Maratona Mozart, cinco concertos em dias seguidos, em outubro, com os vencedores do Concurso Jovens Solistas.

Outra iniciativa interessante é a do concerto de 60 minutos sem intervalo, com conversas de solistas e regente com o público no final. É uma alternativa que pode dar muito certo. A conferir.
Entre as atrações internacionais, sempre é bom ter músicos notáveis como Pierre-Laurent Aimard, Gabriela Montero, Igor Levit, Roger Muraro, Antoine Tamestit e o trombonista Christian Lindberg (que também vai reger). Isso além de termos as presenças um pouquinho mais estendidas entre nós de Emmanuel Pahud e Nathalie Stutzmann, entre outros.
 
Trazer Philippe Manoury como compositor visitante tem vários significados. Ele veio, décadas atrás, ainda estudante, com Michel Philippot, no Instituto de Artes do Planalto, da Unesp. E são mais do que justas as encomendas a Ronaldo Miranda e Aylton Escobar.

Em 2018 estão mais racionalmente concebidas algumas boas ideias que anteriormente, misturadas na programação normal, apareciam como elementos estranhos. Por exemplo, é ótima a ideia de preencher em abril um fim-de-semana com três apresentações encadeadas sob o mote “Piano Brasileiro”, abrindo com o Duo Gisbranco, Cristóvão Bastos e Leandro Braga na sexta e fechando com André Mehmari. Ou então, em outubro, de 16 a 20, uma maratona com os premiados no concurso jovens solistas, projeto de Eleazar de Carvalho em bendita hora resgatado.

Só não mudou o mantra de abrir temporadas com Mahler (no caso, será a sétima, em março). Mas isso não é pecado da Osesp. O cacoete viralizou no reino das orquestras sinfônicas em geral.

São apenas as primeiras – e boas – impressões da temporada 2018.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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