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O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro (20/12/2017)
Por Irineu Franco Perpetuo

Em um ano de crise aguda e perversa, um raro setor em que a música clássica tem o que comemorar é o do CD. Não faço a menor ideia de como foram as vendas, porém é inegável que essa mídia tantas vezes declarada como morta recebeu diversos lançamentos de elevada qualidade. E não gostaria de encerrar 2018 sem comentar um que me deixou especialmente tocado: o independente Feels Bach, de Neymar Dias.

Neymar é um músico superlativo, daqueles que têm o dom da sinceridade e do bom gosto em tudo a que se dedicam, seja no contrabaixo ou na viola caipira, seja no regional brasileiro ou no “erudito” internacional.


Neymar Dias [Divulgação]

Nesse disco, empunhando a viola, que dedilha como poucos, ele resolveu se debruçar sobre o universo do mestre do Barroco germânico Johann Sebastian Bach (1685-1750). O repertório traz três obras de fôlego: a Partita nº 3 BWV 1006, originalmente para violino; a Suíte nº 1 BWV 1007, que tem sido a glória dos violoncelistas; e o Prelúdio, Fuga e Allegro BWV 998, alegria de violonistas e alaudistas. Ele é complementado por três miniaturas, com gosto de bis: a Courante da Suíte nº 2 BWV 1008, para violoncelo, e os corais Wachet auf, ruft uns die Stimme e Jesus, bleibet meine Freude (o popularíssimo Jesus, Alegria dos Homens).

A melhor tradução do projeto foi feita no próprio encarte do disco, por outro craque cuja musicalidade exuberante transcende as fronteiras dos estilos: André Mehmari, em cujo idílico Estúdio Monteverdi o CD foi gravado: “Esse caipira universal acatou o grande desafio de transpor para a viola brasileira uma música densa, com rica textura polifônica, algo bem distante das toadas, pagodes e catiras do interior paulista, onde ele fez sua primeira morada estilística, ainda criança”.

Pois todo o desafio de Neymar consistiu em ser bachiano, sem deixar de ser brasileiro. Em outras palavras: em ser tão fiel ao estilo barroco quanto ao estilo regional. Assim, deixou seu instrumento na mesma afinação de todos os clássicos caipiras: não o afinou como violão, nem fez “arranjos”.

Ao mesmo tempo, a linha bachiana está lá, a ornamentação bachiana está lá, a polifonia bachiana está toda lá. Na busca por uma viola brasileira que soasse sempre como tal, sem jamais perder o sotaque caipira, seu instrumento soa como se fosse “de época”, barroco – cordas que Johann Sebastian certamente dedilharia com gosto, se tivesse tido a oportunidade de conhecer. Em uma época que teima em sinalizar com o mais sombrio e cavernoso para o saber, a cultura, a arte e a música, o Bach cosmopolita e refinado de Neymar Dias soa como a mais inspiradora mensagem de otimismo para entrar de cabeça erguida em 2018.

[O CD Feels Bach, de Neymar Dias está disponível na Loja CLÁSSICOS – clique aqui.]

 





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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