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Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero (14/3/2018)
Por Irineu Franco Perpetuo

Para abrir uma temporada enxuta, que sinaliza tempos de austeridade, a Sociedade de Cultura Artística escolheu um pianista nada austero. O canadense Jan Lisiecki, que deu recital solo na Sala São Paulo na última terça-feira, dia 13, dez dias antes de completar 23 anos de idade, revelou-se um artista de personalidade forte, cujas abordagens do repertório tradicional podem incluir de “insights” luminosos a excentricidades bizarras, de acordo com o humor do freguês.

Lisiecki já tinha estado na cidade por duas vezes, na temporada da Osesp, mas, para mim, foi a primeira audição. Dono de uma técnica para lá de sólida, e de recursos pianísticos que tendem ao ilimitado, ele propôs um programa sem sonatas, uma jornada que ia de Chopin (Dois noturnos op. 55) a Chopin (Noturno op. 72 nº 1 e Scherzo nº 1), com várias obras relacionadas ao tema da noite, passando por escolhas menos óbvias de compositores consagrados.


Jan Lisiecki [Divulgação / Heloísa Bortz]

Assim, Lisiecki lembrou-se de que o opus 3 de Rachmaninov é constituído de cinco peças, além do celebérrimo Prelúdio op. 3 nº 2 (lindamente executado), e tocou-as todas com igual apuro, sendo especialmente feliz na Serenata que encerrou a série.

Outra escolha interessante foram as Nachtstücke, de Schumann, que, pelo menos no Brasil, não costumam ser programadas com muita frequência, já que se trata de uma daquelas peças bem difíceis de fazer funcionar ao vivo. Lisiecki soube hierarquizar e destacar com inteligência as diversas vozes da polifonia schumanniana, assim como evocar com sabedoria os delírios góticos e macabros que habitavam o mundo noturno do compositor – tão diferente do lirismo onírico dos noturnos de Chopin. Foi o item melhor realizado do recital, e aquele que carregarei na lembrança.

[Divulgação / Heloísa Bortz]

No Gaspard de la nuit, de Ravel, que fechou a primeira parte, Lisiecki apostou em uma abordagem extrema, forçando os contrastes entre os movimentos da obra. Assim, sua Ondine habita águas para lá de revoltas e tormentosas, enquanto seu Scarbo virou um exercício de ultra-virtuosismo, no limite do exequível. Entre eles, havia um Gibet extremamente extático e letárgico, uma interpretação que poderia ensejar o transe ou o tédio, de acordo com a paciência de cada um para acompanhar Lisiecki em uma leitura que parecia fazer de Ravel um precursor da mística de Messiaen.

Devo confessar que, se no Gaspard ainda consegui seguir o fio de ideias do pianista, nossa comunicação se rompeu no Scherzo que encerrou o programa. Talvez a ideia dele fosse incutir dramaticidade na peça, mas não consegui identificar nada além de uma precipitação e atropelo que, em vez de apresentar aspectos novos de uma partitura conhecida, simplesmente transfigurou-a em uma maçaroca desprovida de forma e sentido. Mas o Chopin de Lisiecki é internacionalmente reconhecido e aclamado, de modo que possivelmente deve se tratar antes de rabugice do crítico do que de demérito do pianista.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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