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‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo (10/4/2018)
Por Nelson Rubens Kunze

No Brasil, o Theatro Municipal de São Paulo abriu em grande estilo as comemorações pelos 100 anos de nascimento do compositor e maestro norte-americano Leonard Bernstein, apresentando, dias 6, 7 e 8 de abril, a sua grande Missa. Em performance impactante, a interpretação contou com os diversos corpos estáveis da casa (Orquestra Sinfônica Municipal, Coral Lírico, Coral Paulistano, Coro Infantojuvenil e Ópera Studio da Escola Municipal de Música), além de bandas de rock e de blues, sob direção do regente titular Roberto Minczuk, tendo como solista o barítono Michel de Souza. No total, cerca de 300 artistas participaram da apresentação.

Apresentação da Missa de Bernstein no Theatro Municipal de São Paulo [divulgação / Rodrigo Fonseca]

A obra é uma miscelânea de estilos, que se inicia com a reprodução de uma gravação de uma percussão e de um coro atonal, seguida ao vivo por uma lírica “simple song”. Ao longo do espetáculo, a linguagem do teatro musical norte-americano ganha relevância. Ao cabo de quase duas horas, repletas da inventividade e do brilhantismo da escrita de Bernstein – com passagens que lembram outras obras suas –, fica uma impressão global de uma grande colagem sonora. Nem mesmo o libreto oferece um suporte linear orgânico que pudesse amarrar o conjunto, já que, além da liturgia da missa cristã cantada em latim, ele inclui textos em inglês do próprio Bernstein, do autor da Broadway Stephen Schwartz e até do cantor pop Paul Simon. Tudo isso seguramente contribuiu para a recepção crítica bastante negativa que a obra teve na época da estreia. A primeira gravação da Missa, contudo, foi um grande sucesso comercial.

A obra foi encomendada no final da década de 1960, por Jacqueline Kennedy, para a inauguração do John F. Kennedy Center de Washington, onde estreou em 1971. Com receio de ser constrangido pela mensagem pacifista de Bernstein, o presidente Nixon não compareceu à estreia, alegando que não queria “roubar a festa” da família Kennedy. Curiosamente, não se percebe mais hoje essa mensagem contestatória da obra, cuja linguagem musical, afora alguns trechos discordantes, soa bastante convencional.

A Missa foi concebida para ser encenada, mas é comumente apresentada em forma de concerto. O espetáculo no Theatro Municipal funcionou bem, contou com iluminação de Mirella Brandi e uma pequena movimentação cênica do celebrante e do coro de rua, dirigida por João Malatian. Ao longo da récita, a flauta solo fez intervenções em dois pontos da plateia, com belo efeito.

A condução empolgada e segura do maestro Roberto Minczuk resultou em uma interpretação de bom nível artístico. Os diversos grupos instrumentais e vocais soaram com o devido equilíbrio e clareza, com o coro infantojuvenil disposto nos dois extremos da primeira fila do balcão nobre. Foi igualmente bem o cantor Michel de Souza, que interpretou o celebrante. Destacaram-se na apresentação os jovens do Opera Studio, que fizeram o coro de rua. Muito engajados e convincentes, deram importante contribuição para o sucesso da apresentação. (Como é comum nos musicais, os solistas do coro de rua bem como o celebrante cantaram com microfones, em uma amplificação tecnicamente muito bem resolvida.)

Na estreia brasileira da Missa, sexta-feira passada dia 6, a despeito de sua longa duração, ela foi entusiasticamente aplaudida pelo público que lotou o Theatro Municipal. Já eu saí dividido: gostei da interpretação, mas achei a obra um pouco desconjuntada e de narrativa precária. Bem longe das geniais Candide e West Side Story...

O Theatro Municipal de São Paulo fez um tremendo golaço no ano Bernstein, apresentando no Brasil, pela primeira vez, a sua Missa. Será seguramente uma das grandes homenagens em nosso país a esse que foi uma figura central da música no século XX.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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