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Oito olhos azuis e muita música (19/4/2018)
Por Jorge Coli

Elas são lindas, todas as quatro, com oito lindos olhos azuis. Chamam-se Małgorzata Wasiucionek, Oriana Masternak, Maria Dutka e Beata Urbanek-Kalinowska, nomes nada fáceis de pronunciar para um brasileiro. São polonesas e correspondem, respectivamente, aos primeiro e segundo violinos, à viola e ao violoncelo do Messages Quartet. Fazem, neste momento, um tour pelo Brasil. Pude ouvi-las quinta-feira passada, 12 de abril, no auditório da Adunicamp, perfeito para música de câmara. Vieram por ocasião do III Festival de Música Polonesa, organizado pelo Instituto de Artes da Unicamp.

 

O Messages Quartet foi criado em 2014. Dedica-se aos grandes clássicos do repertório, mas, sobretudo, a divulgar a música contemporânea e polonesa. Tem o nível das mais altas e ilustres formações do gênero, com características que lhes pertence: esplêndida sonoridade de cada uma das componentes, individualmente rica, mesclando-se numa associação perfeita. Mais do que isso, a musicalidade que lhes é própria emana de um evidente prazer cúmplice em fazer música. Não me lembro de ter ouvido o quarteto Cavaleiro, de Haydn (op. 74, nº3) tocado com plenitude mais feliz. Havia leveza rítmica sem rigidez, um prazer aéreo e dançante, muito raro. Nada da seriedade casmurra que marca tantas formações do mesmo gênero, aquele jeito litúrgico e sem sorriso de quem está fazendo “música séria”, e prova evidente de que a seriedade não está na circunspecção afetada.

Em seguida, as quatro tocaram a brevíssima obra para quarteto de cordas que Penderecki compôs em memória de Arno Volk, falecido em 1987, diretor da célebre editora musical Schott. Ela se intitula O pensamento quebrado, dura pouco mais de dois minutos. É uma peça meditativa, intensa, que explora a eloquência e o colorido de cada instrumento. O violoncelo abre a composição e, na parte central, exprime-se, como num recitativo, muito breve, formando como um fulcro da estrutura.

Para mim, a grande descoberta foi o compositor Szymon Laks. Judeu, nascido em Varsóvia, no ano de 1901, muitas de suas obras anteriores à 2ª Guerra Mundial foram perdidas. Deportado, sobreviveu ao campo de Auschwitz e de Dassau graças a suas grandes qualidades musicais: designado como regente da orquestra formada no campo de concentração foi um pouco menos maltratado. Depois da guerra, instalou-se em Paris e se naturalizou francês.

O Messages Quartet interpretou, desse autor, seu Quarteto nº 3, Sobre temas folclóricos poloneses, de 1945. Pela data, eu esperava algo que evocasse a terrível experiência da guerra que sofrera e que então terminara. Nada. Nem sofrimentos, nem alegria explosiva de libertação. Trata-se de uma partitura feliz e tranquila, com um segundo movimento romanticamente nostálgico, mas sem angústias nem infelicidades. Creio que é inútil tentar classificar o compositor como “neoclássico” à maneira francesa ou “pós-romântico”. Nada disso dá conta da qualidade muito alta dessa música. Num modo pessoal, que é seu, ele se entrega à alegria dos sons, dosando maravilhosamente os efeitos. Szymon Laks é um grande compositor.

[Clique aqui e ouça o último movimento do Quarteto nº 3, pelo Messages Quartet.]

 





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

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