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Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp (25/4/2018)
Por Nelson Rubens Kunze

Se nos últimos anos as encomendas da Osesp para os compositores eruditos não passavam de peças breves, muitas vezes de formações reduzidas ou exclusivamente corais, finalmente pudemos assistir (na última quinta-feira, dia 19 de abril) à estreia de uma obra de 25 minutos, para orquestra sinfônica, coro e soprano, dentro da série de assinaturas, de um importante criador brasileiro: trata-se dos Seis cantos de Lorca, do compositor carioca Ronaldo Miranda. A encomenda faz parte das comemorações dos 70 anos do artista, que há dez anos é professor do Departamento de Música da USP. Miranda é compositor consagrado, autor de obra diversificada que inclui óperas, concertos e peças sinfônicas, além de muita música de câmara.

A peça tem seis movimentos, acompanhando os seis cantos de Lorca. Ela é baseada nos textos escritos originalmente em galego, que foram traduzidos ao português e depois livremente adaptados por Miranda. Nas notas do programa, o autor explica que, em sendo um momento festivo pelos seus 70 anos, reescreveu alguns dos textos para amainar sua mensagem lúgubre (Federico Garcia Lorca (1898-1936) é famoso por seus textos emocionais e trágicos – ele é o autor de Yerma, ópera de Villa-Lobos). Em entrevista à Revista CONCERTO, Miranda diz que os cantos, “embora falem muito da morte, celebram a vida também”.


Rosana Lamosa e Claudio Cruz em ensaio com a Osesp [Divulgação / Isabela Guasco]

Com uma orquestração relativamente leve, é no geral uma atmosfera de densidade sombria e melancólica que permeia a música. Do ponto de vista de sua linguagem, a obra está ligada aos cânones harmônicos e rítmicos da música do século 19, sem preocupações com invenções formais ou com os desafios estéticos da contemporaneidade. E essa escrita musical, que Miranda chama de neo-tonal, serve com perfeição aos propósitos do compositor. Miranda alterna e costura com maestria trechos corais, orquestrais e solistas, em um grande todo coerente e orgânico. Cada uma das seis partes é fechada em si, com sentido musical claro e bem acabado. Os ricos efeitos instrumentais não são gratuitos, integrando-se com naturalidade no fluxo sonoro. Um lindo solo de oboé no Noturno consegue se destacar em uma escrita de belo lirismo musical.

E foi muito boa a performance conduzida pelo maestro Claudio Cruz, que regeu com convicção e intensidade. Igualmente boa foi a interpretação da soprano Rosana Lamosa. Com emissão e fraseados cuidados – e melhores resultados nas regiões médias e agudas – Rosana integrou-se perfeitamente ao discurso musical, em uma interpretação muito sensível.

Sem dúvida esses Seis cantos de Lorca estabelecem um novo marco na carreira de Ronaldo Miranda, demonstrando mais uma vez o domínio que o artista tem sobre a escrita orquestral e coral.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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