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Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” (3/5/2018)
Por Camila Frésca

Domingo, dia 29 de abril. Uma hora antes da apresentação começar, um burburinho já tomava conta da casa de shows Tupi or not Tupi, na Vila Madalena. No horário marcado, a pequena casa de pouco mais de cem lugares estava completamente lotada. Ao invés de alguma personalidade da música popular brasileira, a atração daquela noite era Cristian Budu – sim, o mesmo Cristian que, algumas horas antes, estava no palco do Theatro Municipal interpretando o Concerto n. 2 de Rachmaninov, conforme nos relatou Irineu Franco Perpetuo.

Cristian, com seu entusiasmo e incansável energia, estava ali para inaugurar a série Tupinambach, mais uma iniciativa que pretende levar a música clássica a espaços alternativos à sala de concerto. Jeanne de Castro, idealizadora da série e uma das sócias da casa, não escondia sua felicidade. “Até uma semana antes do concerto, nenhum ingresso havia sido vendido”, revelou. “Intensificamos a divulgação e o contato com a imprensa, e a partir do momento em que as pessoas ficaram sabendo e entenderam do que se tratava, o milagre aconteceu”. O “milagre” era uma sala na qual não se via uma única cadeira vazia – Jeanne conta que pessoas que foram até a porta da Tupi tiveram que voltar por absoluta falta de ingressos, e que a fila de espera chegou a contar com 50 nomes.

Cristian Budu subiu ao palco e, com seu jeito informal e carismático, informou que havia mudado a primeira parte do programa. Ao invés das Bagatelas op. 33 de Beethoven, optou por “preparar” a sala e os espectadores com o Prelúdio n. 1 de O cravo bem temperado, seguindo com a Arabesque de Schumann. E então chegou à Sonata Waldstein de Beethoven. Palmas entusiásticas após o primeiro movimento. “Por incrível que pareça, ainda não acabou”, ele sorri para o público. Aproveita para contar que o hábito de aplaudir entre movimentos era bem visto no passado e que Mozart relatava a seu pai, com orgulho, quando isso acontecia. Segue com um segundo e terceiro movimentos ainda mais inspirados que o primeiro, com direito a gritos de “bravo” e “maravilhoso” vindos da plateia ao final.


Cristian Budu [Divulgação]

Na segunda parte, Cristian enfrentou o que talvez seja seu cavalo-de-batalha, os 24 prelúdios op. 28 de Chopin. Antes, explicou qual a relação desse conjunto de obras com o Bach que tocou na abertura, falou sobre como enxerga o compositor – “se Beethoven é uma espécie de filósofo, Chopin é um pintor do piano” – e deu algumas ferramentas para a audição da peça. Desejou “boa viagem” ao público e, como costuma fazer, interpretou o conjunto de cor, emendando um prelúdio no outro. É impressionante vê-lo tocar os 24 prelúdios. Além do completo domínio técnico, da clareza do toque e da compreensão musical das obras, Cristian cria todo um universo poético em torno delas, dando a cada uma delas uma atmosfera particular – pintando ele mesmo os seus quadros. A impressão que o ouvinte tem é de uma entrega total ao fazer musical, um alheamento do mundo exterior. Um grande silêncio toma conta do espaço durante todo o tempo da performance, e isso se deve à capacidade de Cristian em se comunicar com o público, tornando-o cúmplice de sua interpretação. E este público pode ser o especialista, um melômano ou ainda um jovem sem vivência no mundo clássico.

Longos e entusiasmados aplausos de uma plateia formada tanto por frequentadores de concertos quanto de shows populares. Habitués da casa e gente que ali pisava pela primeira vez. Cristian, visivelmente alegre, agradeceu e comentou que acabava de viver uma noite especial, num lugar de atmosfera privilegiada. Atendendo ao pedido do público, ainda tocou um bis – desculpando-se por repetir a Valsa de esquina n.5, de Francisco Mignone, com a qual já havia encerrado o concerto da manhã no Municipal.
 
Com uma estreia espetacular como essa, não há outro destino para a série Tupinambach do que seguir em frente. Jeanne de Castro conta que haverá mais quatro apresentações até o final do ano, com periodicidade bimestral. E que não está descartada a possibilidade de Cristian Budu voltar a encantar o público com sua performance.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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