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Uma grande surpresa e um grande concerto para piano (25/5/2018)
Por João Marcos Coelho

Cada vez mais me convenço de que a história que cada um de nós – profissionais ou melômanos, como se dizia antigamente – constrói com a música tem tudo a ver com amor e paixão. Uma melodia, uma sonoridade diferente, um ritmo irresistível. É assim que tecemos nosso caso de amor pessoal com a música.

É por isso que dedico o espaço de hoje a um dos mais recentes lances de minha já longa vida amorosa com a música. Em primeiro lugar, o susto – a palavra é esta – que tomei ao ouvir o único concerto para piano e orquestra de Francisco Mignone, recém-lançado em CD pelo selo inglês Somm Recordings, tendo como solista a pianista carioca Clélia Iruzun e com um acompanhamento de luxo: a Royal Philharmonic Orchestra regida por Jac van Steen.


Clélia Iruzun [Divulgação]

Dedicado ao pianista Arnaldo Estrella em seus 50 anos, em 1958, foi estreado por ele mesmo, em concerto regido pelo compositor. Vocês vão me matar, mas senti neste concerto uma proximidade grande entre Mignone e Rachmaninov. Sobretudo – mas não só – no primeiro movimento. O piano com grandes acordes cheios e melodias envolventes, uma escrita orquestral sedutora. Teria sido um grande sucesso nas salas de concerto de 1958 para cá, se os compositores brasileiros fossem mais programados por nossas orquestras. Mas esta é outra história.

As afinidades com Rachmaninov param por aí. A música de Mignone é muito mais avançada, do ponto de vista harmônico. O movimento lento é estupendo, com diálogos dos metais cheios com o piano – e um lirismo muito distante dos nacionalismos que o cercaram. E o Allegretto marziale final é danado de complicado para o piano (de novo os metais são decisivos). O “jeitinho” de Mignone, um compositor maneiroso, foi capaz de assimilar o “bullying” nacionalista de Mário de Andrade na década de 1930 (que comentou em uma carta da época), dando-lhe obras como este desejava; e também o fez sentir-se livre para seguir seus instintos mais modernistas, coisa que gestava naquele final dos anos 1950.

José Eduardo Martins, num excelente artigo do volume coletivo editado pela Funarte em 1997, no centenário do compositor, afirma que ele “poderia ter sido apenas pianista” e que costumava dizer que sua música é “improviso elaborado”. Duas características presentes em 232 obras para piano solo, além das quatro fantasias e neste incrível concerto para piano e orquestra, qualificado pelo jornalista e compositor inglês Robert Matthew-Walker como “um dos maiores concertos da América do Sul”. Nada sei de Matthew-Walker, mas devo corrigi-lo. De fato, se tomarmos apenas nuestra América, a concorrência é pequena. Mas este concerto de Mignone é sem restrições geográficas um dos grandes concertos para piano do século 20, incluindo a produção norte-americana, em geral marqueteiramente vendida ao mundo como “maravilhosa”, “essencial”, “fundamental”. Como Villa-Lobos, Mignone nada fica a dever aos melhores acima do equador. Aliás, ambos os superam em muitos quesitos.

Bem, até agora existia apenas uma gravação feita ao vivo naquele longínquo 1958. Clélia Iruzun com certeza fez a gravação moderna de referência desta obra difícil, não só do ponto de vista técnico, mas também pela riqueza de escrita sinfônica. Uma gravação por todos os títulos excepcional.

Clélia construiu um CD orgânico e diferente. Acoplou dois concertos para piano – o outro é o de Albéniz – a um par de peças para piano de cada um dos compositores. Peças bem características de cada um deles: duas de Albéniz (Granada e Sevilla da Suíte espanhola) e duas deliciosas Valsas de Esquina de Mignone.

[Veja Clélia Iruzun e Jac van Steen no Concerto para Piano de Mignon]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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