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A música, essencial porque nos ajuda a viver melhor (9/2/2009)
Por João Marcos Coelho

Pobre Obama. Nem bem tomou posse como presidente norte-americano e a classe artística – ou pelo menos a porção mais ruidosa dela – clama pela instauração de um Ministério da Cultura. Como se vê, depois de copiar o Proer brasileiro dos anos FHC, os EUA também vão nos copiar criando um Ministério da Cultura. A mídia de lá está ouvindo todo mundo a respeito.

Uma das melhores respostas foi dada esta semana pelo compositor de extração minimalista John Adams. Autor de diversas óperas, como “Nixon na China”, “A Morte de Klinghofer” e a recentíssima “Doutor Atômico”, Adams é o mais popular e festejado compositor erudito por lá. Pois ele descartou a hipótese lamentando: ”Pobre Obama”.

Em seguida deu a conhecidíssima chave para se fortalecer a vida musical de seu país e criar novos públicos para a chamada música clássica, tanto a do passado como a contemporânea. “O único jeito é fazer com que a música clássica volte a fazer parte do dia-a-dia das crianças no colégio. Gente que não cresceu aprendendo a tocar um instrumento ou não tocou algo de Bach ao piano – ou mesmo soprou um clarinete numa banda colegial – não consegue entendê-la, nem a procura”.

Ou seja, a receita é muito simples: basta ter ensino de música no período escolar. Demos por aqui o primeiro passo, aprovando no Congresso a inclusão da música na grade curricular do primeiro grau. O segundo passo, tão ou mais importante do que o primeiro, é proporcionar um ensino de boa qualidade. Dá arrepio pensar nisso, em termos de Brasil.

Mas a questão tem outro viés. O mundo da música clássica é algo tipo arca de Noé no dilúvio (ou gafieira quando estoura um furdunço): quem está dentro não sai, e quem está fora não entra.

Num precioso livrinho recém-lançado em tradução brasileira pela Difel, o ensaísta búlgaro Tzvetan Todorov alerta já no título: “A literatura em perigo”. São 90 estimulantes páginas de texto objetivo e direto. A postura estruturalista legou-nos um vício que está matando a literatura. Estudam-se na escola técnicas de análise de texto. É como, diz Todorov, se ficássemos estudando as estruturas de um prédio, os andaimes, esquecendo-nos de que os andaimes, uma vez o prédio pronto, são descartados.

Não se procura jamais mostrar às crianças que a literatura e o mundo estão profundamente interligados. “Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver (...) em lugar de excluir as experiências vividas, ela me faz descobrir mundos que se colocam em continuidade com essas experiências e me permite melhor compreendê-las (...) Ela nos proporciona sensações insubstituíveis que fazem o mundo real se tornar mais pleno de sentido e mais belo”.

Todorov, é importante lembrar, fixou-se em Paris durante a Guerra Fria, nos anos 70. Campeão do estruturalismo ao lado de Gerard Genette e Roland Barthes, renega agora praticamente todos os seus pressupostos ao clamar pelo retorno a uma visão mais humana da literatura. Não se olhem mais exclusivamente os textos, pelo amor de Deus, mas também seu criador, as circunstâncias em que a obra foi escrita, o momento histórico da obra e do autor, etc., etc.

Basta substituir a palavra literatura por música e vocês entenderão a minha insistência com Todorov. Também a música é há muito estudada nas universidades só – e exclusivamente – a partir do texto, da partitura. Qualquer proposta de se estudar implicações sociais, políticas, econômicas ou estéticas mais gerais é tida como ingênua. Não é a única, mas esta é certamente uma das razões que afastam a música de públicos mais amplos. Quem a conhece adora construir muros ao redor de sua “pretensa” sabedoria. E para os que não a conhecem, nada mais que um grande muxoxo.

O ensino da música nas escolas, como bem lembra Adams, é a única ferramenta capaz de alterar este estado de coisas. Toda atenção, portanto, para o modo como o ensino musical será introduzido em nossas escolas.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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