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Professores e grandes intérpretes do violino no Brasil – parte 2 (25/2/2009)
Por Camila Frésca

No último artigo, falei de alguns dos mais destacados professores e intérpretes do violino no Brasil na primeira metade do século XX [clique aqui para ler]. Pois vamos seguir na linha do tempo e conhecer outros nomes que fizeram esta história, chegando até os dias de hoje.

Como dissemos, Paulina d’Ambrosio lecionou por várias décadas e formou boa parte dos violinistas que se destacaram por aqui no último século. Entre seus alunos, vale falarmos um pouco mais de Natan Schwartzman e Paulo Bosisio.

Ao lado de Oscar Borgerth, Natan Schwartzman foi um dos mais brilhantes violinistas que o Brasil já teve. Convidado por Zino Francescatti a estudar com Ivan Galamian na Juilliard School, aperfeiçoou-se depois com Max Rostal, um dos maiores professores de violino do século. Natan foi o primeiro spalla da Osesp e fez carreira internacional, apresentando-se pelos EUA e Europa e chegando a ser contratado como solista-recitalista da BBC de Londres. [Convido àqueles que quiserem saber mais sobre o músico a clicar aqui e ler um artigo sobre ele, bem como a ouvir uma de suas excelentes interpretações aqui.]

Já Paulo Bosisio é um nome muito conhecido entre os profissionais e estudantes de violino, e isto pelo fato de ser – seguindo os passos de sua mestra – um dos mais importantes professores do instrumento no Brasil hoje. Carioca, estudou também com Yolanda Peixoto, diplomando-se na Escola Superior de Música de Colônia, na Alemanha, com Rostal.

É bastante requisitado para dar cursos em festivais, além de já ter ensinado no Conservatório de Tatuí, na Uni-Rio e de ministrar aulas particulares. Alguns fatos atestam sua competência e relevância como docente: além de alunos seus terem sido premiados em concursos internacionais, vários dos profissionais das maiores orquestras brasileiras foram seus pupilos. Atualmente, há um quarteto de cordas que leva seu nome, bem como o Concurso Nacional Paulo Bosisio de Cordas, que acontece bienalmente em Juiz de Fora – ambas iniciativas que visam homenagear o mestre.

Além de Bosisio, outro dos mais importantes mestres do violino na atualidade é Elisa Fukuda. Tendo iniciado os estudos com seu pai Yoshitame Fukuda, aos quatro anos, diplomou-se no Conservatório Superior de Música de Genebra (com Corrado Romano), na Suíça, indo ainda aperfeiçoar-se no Mozarteum de Salzburg, Áustria, com Sandor Vegh. Seus alunos sempre se sobressaem em concursos, e é difícil encontrar algum destacado jovem violinista em São Paulo que não tenha passado por suas mãos. Além das aulas, Elisa tem como foco educacional a Camerata Fukuda, fundada por ela e Celso Antunes em 1988, e que reúne alguns de seus melhores alunos. Também atua como solista e camerista, sendo fundadora do Quarteto Camargo Guarnieri.

Se Bosisio e Fukuda destacam-se sobretudo como educadores, Cláudio Cruz, a exemplo de Natan Schwartzman, é provavelmente o mais importante violinista brasileiro da atualidade. Aliás, se Natan foi o primeiro spalla da Osesp, Cláudio ocupa este mesmo posto há mais de dez anos. Ele iniciou-se na música com seu pai, o luthier João Cruz, recebendo posteriormente orientação de Erich Lehninger e Maria Vischnia, bem como, nos EUA e Europa, de Joseph Gingold e Chaim Taub. Tem diversos CDs gravados e, afora seu trabalho com a Osesp, apresenta-se como solista e camerista no Brasil e no exterior, sendo primeiro violino do Quarteto Amazônia.

Além de violinista, Cláudio Cruz destaca-se no cenário nacional como maestro. Regeu diversas orquestras brasileiras, dirigindo a Sinfônica Municipal de Campinas de 2003 a 2005. Atualmente é o regente titular da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto.

É claro que esta lista está longe de esgotar todos os nomes relevantes e inevitavelmente ficaram de fora grandes profissionais. Mas vale ainda, antes de terminarmos, citar a importante contribuição de Erich Lehninger e Maria Vischnia, que formaram não apenas Cláudio Cruz como também muitos bons violinistas hoje em atividade, como a excelente Betina Stegmann, spalla do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Lehninger é nascido na Alemanha. Radicado no Brasil desde 1975, é integrante do Trio Brasileiro (ao lado de Gilberto Tinetti e Watson Clis). Já Maria Vischnia é natural do Uruguai, venceu importantes concursos internacionais e ministrou aulas de violino no Depto. de Música da ECA-USP e na Universidade Livre de Música. Também estes dois mestres foram alunos, em locais e momentos diferentes, de Max Rostal. Isto mostra o quão importante e irradiadora pode ser a atuação de um grande pedagogo, e como as escolas e tradições vão sendo construídas.

Um levantamento sistemático e rigoroso da história do violino no Brasil, listando as principais obras, professores e intérpretes, é um trabalho árduo e que ainda está para ser feito. Conforme já mencionamos anteriormente, um pouco desta história pode ser conhecida através das pesquisas da violinista e musicóloga Marena Salles. Recomendo aos interessados seu livro Arquivo Vivo Musical (Editora Thesaurus, 2007), que traz diversos artigos sobre o assunto.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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