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Um nome para conhecer e lembrar: Lindembergue Cardoso (1939-1989) (20/4/2009)
Por Camila Frésca

Hoje em dia as datas são uma espécie de baliza para a programação de eventos e comemorações. No mundo todo lembram-se os aniversários de nascimento ou morte de compositores como Händel, Mendelssohn e Haydn.

No Brasil, 2009 tem sido um ano para lembrar de Villa-Lobos, que morreu há 50 anos, ou Cláudio Santoro, que nasceu há 90 e morreu há 20; isso sem falar nos compositores que aniversariam, como Ricardo Tacuchian, João Guilherme Ripper, Marlos Nobre etc.

Assim, aproveitando as datas redondas, quero lembrar de um nome que não é tão mencionado no eixo Rio-São Paulo, mas cuja importância em nossa música não pode ser desprezada: trata-se do compositor baiano Lindembergue Cardoso.

Nascido em Livramento, no interior da Bahia, a 30 de junho de 1939, Lindembergue é muitas vezes associado ao “Grupo de Compositores da Bahia”, da qual foi um dos membros. Sua relação com a música se inicia com a participação em bandas do interior, e com a admiração pela música popular. Em 1959 ele ingressa nos famosos Seminários Livres de Música da Universidade da Bahia (que dariam origem à Escola de Música da UFBA). Forma-se sob orientação de Ernest Widmer, ao lado de quem fundou, em 1966, o Grupo de Compositores da Bahia. Integrado no início por dez compositores, o movimento foi um dos mais importantes acontecimentos no panorama da música brasileira da época, e é um assunto à parte que mereceria outro artigo.

Lindembergue Cardoso foi um dos mais importantes nomes do grupo. Ao longo de 22 anos de atividade composicional trabalhou intensamente, deixando cerca de uma centena de obras, como música sinfônica, de câmara, sacra, ópera e também popular. A obra de Lindembergue revela um compositor extremamente talentoso e criativo, e cujo ecletismo, bem amalgamado, resulta em obras bem-acabadas e sofisticadas. Segundo Ilza Nogueira, esteticamente suas peças se caracterizam por um abundante uso de temas folclóricos nordestinos e por uma exploração timbrística que se dá não apenas na orquestração como também na exploração sonora de cada instrumento. De forma geral, a música de Lindembergue pode ser apontada como “regionalista”, porém de um regionalismo que incorpora aos elementos tradicionais aspectos da linguagem contemporânea.

Outra vertente importante de suas composições era a religiosa, e isso ficou mais conhecido quando ele compôs, em 1980, a Missa João Paulo II na Bahia, por ocasião da visita do papa a Salvador. Escrita para grande coro, percussão e órgão (a orquestra é opcional) a obra foi estreada na ocasião sob direção do autor, recebendo boa acolhida.

Lindembergue Cardoso tocava fagote, sax, piano e percussão. Artista inquieto, também se aventurava pelas artes plásticas, e compôs obras marcantes para espetáculos de dança e teatro, como Arena conta Zumbi, Medeia e Salomé. Suas qualidades como compositor foram reconhecidas em vida, tendo ele obras premiadas e publicadas no Brasil e na Europa.

nfelizmente, morreu prematuramente aos 49 anos – vítima de um enfarto em 23 de maio de 1989 – interrompendo uma das mais interessantes trajetórias de um músico brasileiro na segunda metade do século XX.

A Universidade Federal da Bahia mantém um site sobre o compositor que pode ser uma boa fonte de introdução sobre sua vida e obra (www.lindemberguecardoso.mus.ufba.br). Também na UFBA foi criado, em 1991, o “Memorial Lindembergue Cardoso”, que guarda documentação acerca da vida e obra do compositor em forma de artigos de jornais, cartazes, gravações em áudio e vídeo, fotografias, partituras, instrumentos musicais, condecorações e algumas de suas criações em artes plásticas. Uma busca na internet mostra ainda que Lindembergue tem sido constante tema de estudos acadêmicos, sinal do interesse que sua obra desperta no meio intelectual contemporâneo.

Mais do que conhecer sua biografia, o importante é conhecer sua música. Convido os interessados a ouvir a Minisuíte para sopros op.5, peça escrita em 1958 para a “II Apresentação de Compositores da Bahia” e composta por três movimentos embasados em formas musicais brasileiras – choro, valsa e frevo [clique aqui para ouvir um trecho].





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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