Yoram David, Nikita Boriso-Glebsky e designers

por Jorge Coli 12/05/2015

O maestro Yoram David tem vindo a São Paulo com certa regularidade. Para maior felicidade dos paulistas, já que é um maestro de grande finura, atento aos detalhes, de excelente gosto e concepções seguras das obras.

O último concerto que regeu no Theatro Municipal, no dia 7 passado, com sala lotada, pôs à prova os membros da sinfônica. Primeiro foi a Suíte para sopros op. 4 de Richard Strauss, que demonstrou a grande qualidade que atingiram metais e madeiras: equilíbrio, brilhos, fraseados, fluíam belamente, em cores nuançadas.

O programa terminou com as Variaciones concertantes de Ginastera, prova dos nove para qualquer orquestra, porque transformam os chefes de naipe em solistas. Foi estupendo. Que maravilhoso violoncelo, que viola sonora, que flauta, que clarinete, que trompa, oboé e fagote! Que spalla virtuoso! No contrabaixo, Taís Gomes, parecia frágil atrás do seu instrumento, mas como fez soar aquele mastodonte!


Maestro israelense Yoram David, que comandou a Sinfônica Municipal no dia 7 de maio [foto: divulgação]

Coincidência ou não, das três vezes que pude ouvi-lo, Yoram David incluiu Mozart no programa: a Sinfonia nº 39, e também a regência de Don Giovanni em 2013. Desta vez, inseriu, entre a Suíte de Strauss e as Variaciones concertantes, o Concerto para violino e orquestra nº 5 de Mozart. O solista foi o jovem (nascido em 1985) russo Nikita Boriso-Glebsky. Seu violino tem a transparência e a alma do cristal. Pureza com força incisiva e elegante. Completou uma grande noite.


Nikita Boriso-Glebsky fez parte da integral consagrada aos concertos para violino de Vieuxtemps que a Orquestra Filarmônica de Liège gravou sob a batuta de Patrick Devin. Ele interpretou o de número três. Ouça-o aqui no rondó dessa obra.


Yoram David gravou em CD duas ópera raras e muito belas: Dalibor, de Smetana, e Angélique, de Ibert. Recomendo vivamente as duas gravações.


Os designers são sempre espertos e querem reinventar a roda... quadrada! Há exceções, mas com o espírito irrequieto e talentoso de quem não quer fazer nada como se costuma, aprontam bobagens.

Escrevo isto por causa dos programas que o Theatro Municipal vem confeccionando. Na segunda página aparece o índice, com números grandes, grafados em negritos. Muito bem, nada em contrário.

O problema é a numeração das páginas. Não apenas ela é feita com algarismos minúsculos, não apenas é inserida somente nas páginas da esquerda (que comportam os dois números, o da própria página e o da direita, assim, 14 15), mas, sobretudo, são enfiados juntinho da dobra central! Como pode encontrá-los o infeliz que procura? Cada página tem que ser aberta por inteiro para poder descobrir onde se está. Muito difícil. A tal ponto, que de início pensei que tivessem esquecido da numeração. Por que fazer simples quando se pode complicar, não é mesmo?

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