Retrospectiva 2016 – Arthur Nestrovski (depoimento de dezembro de 2016)

por Redação CONCERTO 09/01/2017

“Dizer que foi um ano difícil para toda a área da cultura seria o que os ingleses chamam de understatement. Mesmo assim, em boa medida graças ao trabalho de anos anteriores, a Osesp conseguiu apresentar uma grande temporada, comparável ao que de melhor já fizemos. Vale ressaltar a participação da orquestra, com Marin Alsop e a solista Gabriela Montero, nos Festivais de Edimburgo, Lucerna e BBC Proms/Londres (onde também tocamos um programa de música brasileira com convidados da Jazz Sinfônica); o ciclo dos concertos para piano de Beethoven com o Artista em Residência, Paul Lewis; os programas com a Artista Associada Nathalie Stutzmann; a memorável semana italiana com coro e orquestra sob o comando de Valentina Peleggi (Regente do Ano pela APCA); as duas semanas com Heinz Holliger e Thomas Zehetmair, e a participação de outros regentes convidados como Thierry Fischer e Arvo Volmer, sem falar em Isaac Karabtchevsky, dando continuidade ao ciclo das sinfonias de Villa-Lobos; a visita do compositor Mason Bates e a estreia de encomendas a Maury Buchala, Jorge V. Grossmann, Roberto Sion e Rafael Amaral, além do português Luís Tinoco (em parceria com a Fundação Gulbenkian); e a vinda de solistas como Fazil Say, Pieter Wispelwey e Khatia Buniatishvilli, entre outros. Para 2017, as dificuldades talvez sejam ainda maiores do que no ano passado; mas lançamos uma programação de mais de 100 concertos, naquele mesmo espírito de resistência intrínseco à própria música, em diálogo com o mundo e contra tudo o que hoje parece fadado a nos diminuir. Vem dos versos de uma canção de Schubert o mote da Temporada 2017: Mundo Maior.”

 

Arthur Nestrovski, diretor artístico da Osesp