Concertos de verão num Rio de indefinições

por Luciana Medeiros 18/02/2019

Enquanto a política para a música clássica do Rio de Janeiro – ao menos para seus espaços mais nobres, o Municipal e a Sala Cecília Meireles – não se define, o carioca tem chance de desfrutar de concertos pré-carnavalescos. Na Sala Cecília Meireles, a OSB e a Orquestra Sinfônica da UFRJ oferecem uma pré-temporada, mesmo antes dos anúncios das atividades de 2019. 

A Sinfônica Brasileira vem fazendo um Festival Beethoven na Sala, que terá a última das três datas no próximo fim de semana, dia 22. Os programas reúnem seis das nove sinfonias do compositor alemão, sob a regência de Lee Mills – foram apresentadas as de números 1, 4, 5 e 7 e o encerramento traz a 8ª e a 3ª sinfonias.  

“Programamos Beethoven por vários motivos, um deles o pedido do público”, explica o diretor artístico da OSB, Pablo Castellar. “É o compositor mais executado da história da OSB, aliás, com mais de 1200 apresentações e a obra campeã é o ‘Imperador’, o Concerto nº 5 para piano e orquestra. Em segundo lugar, não temos verba para solistas e coro.” 

A programação de 2019 está ainda em “acabamento, com o mote da diversidade”, ressalta Castellar, e estreia dia 16 de março. “Ano passado, a verba captada junto aos patrocinadores se destinou exclusivamente à manutenção da orquestra e aos programas sociais e educacionais”, relata. “Todas as outras despesas foram parcerias fechadas com as instituições.”

A temporada de 2019, diz ainda o diretor artístico, terá como fundo um aquecimento para as celebrações dos 80 anos da OSB, em 2020.

Já a Orquestra Sinfônica da UFRJ, em formato de câmara, faz dois concertos em fevereiro também como prévia da temporada – o primeiro aconteceu dia 15, com repertório barroco sob regência de Felipe Prazeres, e o segundo, na sexta, 21. A programação também tem a chancela da Sala Cecília Meireles como parceira.

“No dia 21, o programa será clássico, Haydn e Mozart, com a participação do duo formado por Fátima e Fernando Corvisier em sua estreia no Rio”, aponta o regente e diretor artístico da OSUFRJ, André Cardoso. “Nossa temporada ainda está sendo estruturada e estreia dia 4 de abril.”

Cardoso não faz apostas sobre o ano musical: “Está tudo muito indefinido ainda. Temos por enquanto uma boa notícia: a chegada do maestro Luiz Fernando Malheiro ao Municipal, um grande nome, no qual a gente deposita muita esperança”.

André Cardoso rege a Sinfônica da UFRJ na Sala Leopoldo Miguez [Divulgação / Eneraldo Carneiro]
André Cardoso rege a Sinfônica da UFRJ na Sala Leopoldo Miguez [Divulgação / Eneraldo Carneiro]