Couperin 350 anos: celebração com Lanzelotte e Baumont 

por Luciana Medeiros 04/10/2018

A cravista e pesquisadora Rosana Lanzelotte sempre achou algo intrigante que Ravel tivesse batizado a suíte para piano composta ao longo da Primeira Guerra Mundial como Le Tombeau de Couperin. O motivo óbvio – o formato que evocava as danças do século XVII – não a convencia inteiramente.

“Cada movimento da suíte homenageia um amigo que ele perdeu na guerra”, conta a cravista. “A referência a Couperin se consolida nessa busca de paz, como o compositor fez em Le Parnasse, ou l'Apothéose de Lully: reuniu os estilos italiano e francês, que competiam entre si no mundo musical da época, decretando a paz na música”.

Rosana sobe ao palco da Sala Cecília Meireles nessa sexta (5) para o concerto “Apoteose de Couperin – 350 anos”, em companhia laureada: seu convidado é o premiado cravista francês Olivier Baumont, “o maior especialista na obra de Couperin atualmente”, segundo ela.

“Dois anos atrás, tocamos juntos peças de Neukomm. É uma honra dividir o palco com Baumont, que gravou tudo de Couperin”, ressalta a cravista, que convidou ainda a atriz Helena Varvaki para narrar a Apoteose, em que o compositor Jean-Baptiste Lully (1632-1687) é alçado ao Monte Parnasso pelo deus Apolo.

O concerto que celebra a efeméride de nascimento de François Couperin evoca a proximidade história entre Brasil e França, desde os tempos coloniais. Também participam do espetáculo seis bailarinos da Escola Livre de Dança da Maré, da coreógrafa Lia Rodrigues. Eles encarnam os tupinambás levados à França no início do século XVII para saciar a curiosidade dos europeus. Ennemond Gaultier (1575-1651) chegou a compor uma Sarabanda Tupinambá, cuja partitura esteve desaparecida e foi recuperada por Rosana na Biblioteca Nacional da França.

“A presença dos índios brasileiros teve influência na elaboração do mito do Bom Selvagem: os franceses admiravam o modus vivendi dos tupinambás. Encontrei, nas minhas pesquisas, a Sarabanda que muitos musicólogos procuravam. Uma alegria”.

Rosana Lanzelotte e Olivier Baumont [Divulgação]
Rosana Lanzelotte e Olivier Baumont [Divulgação]