Petrobras Sinfônica na contramão das incertezas

por Luciana Medeiros 19/12/2018

O Rio de Janeiro chega a dezembro de 2018 em estado de suspensão em muitos campos, incluindo a música clássica: o Municipal e Sala Cecília Meireles, ligados ao Estado, estão prestes a trocar de comando; para a OSB, de financiamento privado via Lei Rouanet, e a Sinfônica Nacional, ligada à Universidade Federal Fluminense, o panorama depende, em grande parte, das diretrizes do novo governo federal quanto à cultura. 

Na contramão desse quadro está, felizmente, a Petrobras Sinfônica, que acaba de lançar sua temporada clássica 2019, com número bem modesto de concertos no Municipal – são oito, das séries batizadas de Djanira e Portinari. A orquestra tem também as atividades chamadas Mundo Pop e Mundo Urbano, em que exploram o som sinfônico em temas populares e se apresentam em locais fora do tradicional palco.

“As assinaturas do Mundo Clássico começam em janeiro, por isso lançamos logo a temporada”, explica Mateus Simões, diretor executivo da Opes.

O ano é dedicado à memória do fundador da orquestra, Armando Prazeres, morto há 20 anos. Os oito concertos, de 13 de abril a 20 de setembro, trazem arco variado de temas e compositores, da abertura com repertório germânico – Assim falou Zaratustra, de Strauss, e hits de Wagner – até o encerramento com programa inteiramente brasileiro, celebrando o centenário de nascimento de Cláudio Santoro e os 80 anos de Marlos Nobre. 

“Pareceu-nos lógico reunir nossos compositores, tão afastados das salas de concerto, num programa que além das efemérides, exaltassem também o talento e a genialidade” aponta o diretor artístico e regente Isaac Karabtchevsky.

Dentre os solistas, os brasileiros Nelson Freire e Antonio Meneses, nossos mais importante solistas internacionais, os pianistas Alexandre Dossin, Cristian Budu e o duo Lilian Barretto e Linda Bustani e, da prata da casa, o clarinetista Cristiano Alves e o trombonista João Luiz Areias, que faz a estreia mundial de peça da brasileira Marisa Rezende. Os regentes convidados são o britânico Neil Thomson, diretor artístico e regente titular da Filarmônica de Goiás; o mexicano Enrique Arturo Diemecke, diretor artístico do Teatro Colón; e o brasileiro Eduardo Strausser. Destaque na temporada é a programação da pouco tocada Sinfonia n° 2 de Bernstein, “The age of Anxiety”, baseada em poema de Auden, para piano e orquestra.

“A Opes moldou uma programação que, apesar de restrita aos oito concertos do Theatro Municipal, transpira otimismo e uma fé inquebrantável na vocação carioca da música sinfônica”, considera Isaac. “O segredo é variedade dentro da unidade, espaço e movimento, luz e sombra”.

O regente reconhece “o efeito perverso da crise” e o “desânimo geral”, no contraponto do otimismo de Simões. A verba inicial de 2018, de R$ 13 milhões, ganhou um acréscimo, segundo Simões, de cerca de 10% ao longo da temporada. Para 2019, o olhar é conservador, mas ainda otimista:

“Ainda não temos o orçamento fechado, mas se seguir o ritmo dos últimos anos, acredito que a gente consiga um crescimento de 5%, pelo menos”, diz, acrescentando que ainda no primeiro trimestre o restante da programação será anunciado:

“Posso adiantar que a Série Álbuns será com o Black Album do Metallica e O Mágico de Oz será a Série Em Família”.

Clique aqui para ver a temporada completa da Orquestra Petrobras Sinfônica.
 

Isaac Karabtchevsky [Divulgação]
Isaac Karabtchevsky [Divulgação]