Seleção de Janeiro / Fevereiro de 2021

por Redação CONCERTO 01/01/2021

MAX BRUCH
Concerto para dois pianos – Suíte sobre temas russos
Mona Bard e Rica Bard – pianos
Staatskapelle Halle
Ariane Matiakh
– regente
Lançamento Capriccio. Importado. R$ 145,70
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[Reprodução capa]
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O sucesso do Concerto para violino nº 1 foi suficiente para colocar o nome de Max Bruch em definitivo no repertório. A obra do compositor, no entanto, é muito mais ampla do que se costuma imaginar. Ele viveu 82 anos, e suas peças são um testemunho da linguagem romântica, mesmo na passagem do século XIX para o século XX. Duas delas integram este disco. A primeira é o Concerto para dois pianos e orquestra gravado pelas pianistas Mona Bard e Rica Bard, que formam um duo bastante presente nas temporadas europeias. O concerto foi escrito em 1911 e tem como base uma melodia ouvida durante as celebrações da Páscoa em Capri, no sul da Itália, onde o compositor passou uma temporada para se recuperar de uma doença no pulmão. Já a Suíte sobre temas russos é símbolo de seu interesse pela música folclórica. Nesse sentido, são obras que evocam por meio da música mundos diferentes, traduzidos pela sensibilidade do autor e, aqui, pela interpretação cuidadosa da Staatskapelle Halle e da regente francesa Ariane Matiakh, um dos principais nomes da nova geração.


CHARPENTIER
Ensemble Correspondances
Sébastien Daucé
– regente
Lançamento Harmonia Mundi. 
Importado. R$ 174,90
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Marc-Antoine Charpentier preparava-se para formar-se em direito em Paris quando, aos 19 anos, resolveu abandonar os estudos e mudar completamente sua trajetória. Arrumou as malas e partiu em viagem para a Itália. Ao que tudo indica, chegou a Roma em 1667 e, nos dois anos seguintes, estudou música com um dos principais autores do período, Giacomo Carissimi. Começava ali a trajetória de um dos principais compositores da história da França, que se lembraria sempre da importância dos anos italianos em seu caminho. A partir desse dado biográfico, o maestro Sébastien Daucé e o Ensemble Correspondances, especializado na música antiga, criaram um disco fascinante. Gravaram a Missa a quatro coros do compositor lado a lado obras italianas, em uma tentativa de recriar musicalmente os lugares pelos quais Charpentier passou em sua jornada de Paris à Itália. Com isso, montaram um álbum que não apenas revela a riqueza da criação de Charpentier ou o vigor da música italiana de sua época, como oferecem, acima de tudo, um testemunho dos diálogos musicais que nos ajudam a compreender a história.


AMERICAN MUSIC FOR GUITAR AND PIANO
Stefano Cardi – violão
Enrico Pieranunzi – piano
Lançamento Brilliant Classics. 
Importado. R$ 85,30
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O duo formado pelo violonista Stefano Cardi e o pianista Enrico Pieranunzi já se apresentou em todo o mundo, transformando-se em sucesso de crítica e de público por onde passa. São figuras frequentes tanto nos palcos de jazz como nas salas de concerto. E esse interesse por diferentes linguagens não apenas está na essência do trabalho que realizam, como aproximou os artistas da música das Américas, repertório do disco agora lançado. Falar em uma América, no universo musical, é difícil. Afinal, em cada país ela assume uma cara particular. Em comum, no entanto, está a tentativa de unir as manifestações regionais e a herança erudita vinda da Europa em peças marcantes, como mostram as obras selecionadas. De Scott Joplin, eles tocam Bethena e Pleasant Moments – Ragtime Waltz; de Ernesto Nazareth, Nove de julho, Odeon e Bambino; de Gershwin, Ragtime Lullaby, Prelude e Impromptu in Two Keys. Há ainda obras de Guastavino, como uma seleção dos Cantos populares, de Dave Brubeck (uma grande leitura para trechos de Points on Jazz) e Cervantes (Almendares). Um passeio musical que revela a fascinante mistura que forma a cultura do continente. 


BEETHOVEN
Für Elise – Bagatelas op. 33, 119 & 126
Paul Lewis – piano
Lançamento Harmonia Mundi. 
Importado. R$ 174,90
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O pianista britânico Paul Lewis confirmou, nos últimos anos, seu espaço como um dos mais importantes intérpretes de Beethoven de sua geração. Não é um feito pequeno e é atestado por sua gravação das 32 sonatas do compositor, assim como de seus cinco concertos para piano e orquestra. São leituras atentas aos contrastes da música do autor, que revelam pequenos detalhes ao mesmo tempo que não perdem de vista o arco mais amplo da interpretação. E essa característica está presente no mais recente disco dedicado ao compositor, em que interpreta algumas das bagatelas. Em entrevista recente sobre o disco, Lewis afirmou que seu objetivo foi mostrar como em Beethoven “há sempre um sentido forte de determinação”. O álbum foi celebrado pela crítica como um dos lançamentos mais importantes do ano Beethoven pela forma como Lewis se aproxima das obras, revelando facetas pouco conhecidas, mesmo em uma peça tão famosa e interpretada como Für Elise. É essa, afinal, uma das marcas do grande intérprete, para quem há sempre algo a descobrir por trás das partituras, que chegam ao público de modo emocionante e cativante.


VILLA-LOBOS
Transcrições para coro
Coro da Osesp
Valentina Peleggi
– regente
Lançamento Naxos. Importado. 
Disponível a partir de fevereiro. Preço a definir.

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Sexto volume da coleção Música do Brasil, do selo Naxos, Transcrições para coro é um disco histórico, em diversos sentidos. Primeiro, porque registra o trabalho do Coro da Osesp. Segundo, por trazer uma série de primeiras gravações mundiais. E, por fim, pelo olhar que oferece sobre a obra de Villa-Lobos. O compositor sempre entendeu a música coral como um instrumento fundamental a ser usado na formação musical – prova disso foi o projeto do Canto Orfeônico desenvolvido durante o Estado Novo. Mas o que cantar? Além de escrever diversas peças originais para coro, Villa-Lobos fez transcrições de uma série de peças do chamado repertório tradicional. É o caso de passagens das Canções sem palavras, de Mendelssohn; de Träumerei, de Schumann; de Ständchen, de Schubert; de valsas de Chopin; prelúdios de Rachmaninov; da Elégie, de Massenet; ou do segundo movimento da Sonata patética, de Beethoven. E esses são apenas alguns dos principais destaques de um álbum marcante, que conta com a regência precisa da maestrina italiana Valentina Peleggi. Em recente entrevista, o diretor artístico da Fundação Osesp Arthur Nestrovski celebrou o álbum como um marco na trajetória do Coro da Osesp e disse acreditar que será decisivo na ampliação do espaço internacional da música coral de Villa-Lobos. Após a audição, é impossível discordar.


MARIA CALLAS EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS
Tom Volf – direção
Lançamento Imovision. 113 minutos. Legendas em português. Nacional. R$ 58,60
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O cineasta Tom Volf nunca havia ouvido a soprano Maria Callas quando foi apresentado a uma biografia da cantora. A paixão foi imediata. Ouviu tudo o que estava à sua disposição. E, fascinado por suas interpretações, começou a refletir sobre a vida da cantora. Muito se escreveu ou falou sobre ela. Mas o que a própria Callas teria a falar a respeito de si própria, sua carreira e sua trajetória pessoal? Foi esse o ponto de partida para o documentário Maria Callas em suas próprias palavras. Nele, trechos de entrevistas para jornais e para a televisão, assim como algumas das cartas de Callas, servem como fio condutor para a narrativa. Vemos, por exemplo, a cantora sendo rodeada pelo público após apresentações; filas se formando do lado de fora de teatros. Mas também a plateia a ofendendo após um cancelamento; e a imprensa a acossando, invadindo sua privacidade em momentos como seu divórcio, ou ainda questionando sua fama de difícil – a certa altura, ela precisa pedir que parem de empurrá-la. O resultado final é comovente, oferecendo ao espectador um olhar sensível para os dilemas profissionais e tragédias pessoais que marcaram sua vida. Mais do que isso. Em suas pesquisas, o diretor levantou diversas cenas inéditas do cotidiano da soprano, assim como imagens nunca antes vistas de suas atuações no palco, em óperas como Madama butterfly, de Puccini, ou Norma, de Bellini. O documentário se torna assim fundamental para quem quer conhecer e entender o fenômeno Maria Callas em toda a sua complexidade.


BEETHOVEN: DUETS
Cláudio Cruz – violino
Raïff Dantas Barreto – violoncelo
Lançamento Azul Music. 
Disponível apenas para streaming 

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Nos últimos dias do Ano Beethoven, quando se lembraram os 250 anos de nascimento do compositor, dois destacados músicos brasileiros deixaram registrada uma importante homenagem. O violinista Cláudio Cruz e o violoncelista Raïff Dantas Barreto se uniram durante a pandemia para essa gravação, que é testemunha de grandes intérpretes. Cruz foi, durante décadas, spalla da Osesp, e hoje é um dos principais maestros brasileiros, além de seguir como camerista, em especial como líder do Quarteto Carlos Gomes. Dantas Barreto, por sua vez, além da atenção à música de câmara e ao repertório brasileiros, é chefe de naipe dos violoncelos da Orquestra Sinfônica Municipal do Theatro Municipal de São Paulo. O resultado da parceria entre os dois mostra vitalidade da obra de Beethoven, que aqui pode ser ouvida à luz de novas sonoridades. Isso porque, no repertório escolhido, há preciosidades como a transcrição para violino e violoncelo dos Três duetos para clarinete e fagote WoO 27 e Eyeglasses WoO 32. Em todas as faixas fica evidente a aproximação musical entre os dois intérpretes, em um diálogo que soa natural e surpreende o ouvinte a cada audição. 


COLEÇÃO MIGNONE – VOLUME 10
Arnaldo Estrella – piano
Orquestra Sinfônica Brasileira
Francisco Mignone
– regente
Lançamento independente. Nacional. R$ 40,50
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A coleção Mignone é um dos mais importantes projetos de resgate da história da música brasileira, levado adiante com paixão e cuidado técnico pela família do compositor. Os primeiros nove volumes são de gravações marcantes da obra do compositor interpretadas por ele mesmo ou por sua viúva, a pianista Maria Josephina Mignone. Agora, o décimo volume apresenta uma gravação histórica do Concerto para piano e orquestra do compositor, que rege a Orquestra Sinfônica Brasileira. Como solista, um nome fundamental do piano brasileiro, Arnaldo Estrella, cujo pianismo deixou marcas em gerações de artistas do país. A peça é de 1958 e símbolo da relação de Mignone com o piano, instrumento para o qual deixou obras que estão entre as mais importantes da história da música brasileira. Entre as demais faixas do álbum, uma seleção das Valsas de esquina e das Valsas choro. Também de 1958 é a Sinfonia tropical, incluída no álbum, novamente com a regência do próprio compositor e bastante representativa de um estilo de corte nacionalista no qual emerge seu enorme conhecimento da orquestra sinfônica e seu talento excepcional como orquestrador. 


DRAGÃO DOS OLHOS AMARELOS
Improvisações autobiográficas
Ana de Oliveira – violino
Lançamento independente. Nacional. R$ 33,20
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No início de 2020, a violinista Ana de Oliveira entrou em estúdio para gravar um disco que ela define como autobiográfico. Musicista de destaque no cenário nacional, ela já atuou como spalla da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e hoje ocupa a mesma posição na Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense, além de se dedicar à música de câmara e ao repertório brasileiro. Para o álbum, Ana, separou peças importantes em sua trajetória. É o caso da cadência para Eterna, de Egberto Gismonti, com quem já atuou em diversas oportunidades; Dodecafoniana I e II, de Sérgio Ferraz; Malinconia, trecho da segunda sonata de Eugène Ysaye; e Posso chorar, de Hermeto Paschoal, acompanhada do pianista André Mehmari. Mas elas contam apenas um pedaço de sua história. E as demais faixas completam o disco em um desafio ousado que a violinista colocou a si mesma: são improvisações criadas no calor do momento, no estúdio. As peças não apenas sintetizam as múltiplas influências de sua carreira, como revelam uma sensibilidade musical e uma destreza técnica que fazem do álbum um dos mais importantes trabalhos da discografia brasileira recente. Um feito notável.


CLAUDIO SANTORO
Obra completa para violino e piano
Emmanuele Baldini – violino
Alessandro Santoro – piano
Lançamento Selo Sesc Digital. 
Disponível apenas para streaming

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Claudio Santoro começou na música ao ganhar da família, ainda na infância, um pequeno violino. Não por acaso, sua primeira obra é justamente uma Sicilienne para o instrumento e o piano. E ela abre o álbum em que o violinista Emmanuele Baldini e o pianista Alessandro Santoro, filho do compositor, registram toda a produção do autor para violino e piano. A peça é de 1937 e, assim, até a Elegia III, de 1986, o disco cobre quase cinquenta anos de criação musical. As peças funcionam “como caleidoscópio da obra de Santoro, que em si é um caleidoscópio da pluralidade estilística que marcou a música artística do século passado”, nas palavras de Leonardo Martinelli, que assina o texto no encarte do disco. São obras que mostram desde sua ligação com a vanguarda e o atonalismo até o serialismo e a música aleatória, passando pelo interesse na produção de caráter nacional. O disco, assim, é mais um testemunho da diversidade da obra do compositor e de sua linguagem extremamente pessoal. Assim como da versatilidade de dois dos principais artistas do cenário musical brasileiro atual.


CANTOS E CONTOS MUSICAIS
Ulisses Montoni
Showtime. 158 páginas. R$ 33,00. 
Desconto de 10% para assinantes.
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Não é de hoje que o tenor Ulisses Montoni diverte e emociona leitores. Em suas postagens em redes sociais, costuma falar do meio musical, dos desafios enfrentados por artistas, de sua relação com a música e de diversos outros temas. E a resposta a esses posts o levou a escrever Cantos e contos musicais, no qual recupera sua trajetória de 22 anos na música por meio de crônicas, contos e memórias. “Com ironia, humor, sarcasmo, mas também com grande paixão e sinceridade, relato os momentos mais interessantes de uma carreira artística em constante aprimoramento. Erros e acertos foram colocados lado a lado a fim de apresentar aos leitores a maravilhosa imperfeição de um tenor – e talvez deem a entender por que amo viver dessa profissão absolutamente necessária, viva e presente para quem ainda procura um pouco de beleza neste mundo insano. A música é minha amiga, minha paixão. Devo a ela tudo de bom que aconteceu em minha vida nesses últimos vinte anos”, escreve o autor na apresentação da obra.


PENSE COMO BEETHOVEN
Anno Hellenbroich

Capax Dei. 152 páginas. R$ 90,00. 
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Que ideias estavam por trás das principais obras de Beethoven? Como o compositor articulava seu pensamento e o transformava em música? Essas são perguntas há muito feitas com relação à trajetória do compositor. E algumas respostas interessantes são dadas neste livro do educador alemão Anno Hellenbroich. Nele, são abordados os processos de criação de algumas das principais obras do compositor, como a Sinfonia Eroica, a ópera Fidelio ou as partituras do fim de sua carreira. Mas o livro vai além. Hellenbroich explora o diálogo entre suas peças e escritos de outros autores. E o resultado é muito interessante. Primeiro, porque oferece um retrato da época de Beethoven. Mas não só. O que o autor faz é mostrar como, nas palavras do compositor Jörg Widmann, a música é uma linguagem em permanente desenvolvimento. E isso significa que faz parte dela a releitura constante não apenas das partituras, mas do mundo de ideias em torno delas. Pois é essa mistura que nos ajuda a entender os motivos que fazem uma obra viajar pelo tempo. Um livro fascinante.


O MUNDO DO SOM
Guia de Prática Interpretativa e Orientação Pianística
Cláudio Soares
Edições Funarte. 144 páginas. R$ 35,00. 
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O pianista Cláudio Soares desenvolve um trabalho fundamental como professor. Iniciou seus estudos no Brasil, mudou-se para Alemanha para e hoje está radicado no Japão, onde é professor do Osaka College of Music e um dos principais mestres do país. Não por acaso, viaja constantemente o país oferecendo palestras e master classes concorridas. E dessa experiência nasceu o livro O mundo do som: guia de prática interpretativa e orientação pianística. A obra é dividida em três capítulos. No primeiro, ele aborda a interpretação da partitura; no segundo, o timbre e o toque; e no terceiro, oferece roteiro de trabalhos para professores. Com isso, Soares busca “refletir a respeito da interpretação, da expressão artística e da importância do corpo para a prática musical”. “E convida alunos iniciantes, músicos profissionais e professores para uma análise sobre a união entre mente e corpo; afetividade e técnica; e criatividade e imaginação”, como define na apresentação da obra.


MARIA D’APPARECIDA – NEGROLUMINOSA VOZ
Mazé Torquato Chotil
Alameda. 181 páginas. R$ 48,00. Desconto de 10% para assinantes.
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“Tua voz, D’Apparecida, é aparição / Fulgurante, sensitiva, dramática / e vem do fundo negroluminoso de nossos corações.” Foi com esses versos que o poeta Carlos Drummond de Andrade definiu a voz da mezzo soprano brasileira Maria d’Apparecida, que tem sua trajetória recuperada neste livro de Mazé Torquato Chotil. A artista teve importante carreira na cena operística na Europa – quando se apresentou no Brasil, foi por integrar uma companhia em visita ao país. Precisou lutar contra o preconceito e, ao sofrer um acidente, interrompeu sua carreira lírica. Passou a trabalhar no universo da música popular brasileira, ao lado de nomes como Baden Powell. “Suas interpretações eram feitas de economia de meios, precisão técnica, dicção límpida e um canto que encontra um ponto de equilíbrio entre o despojamento popular e a impostação lírica”, escreveu Camila Fresca ao comentar gravações da artista e o lançamento do livro na França. Um livro que, agora em português, torna-se fundamental não apenas para conhecermos a trajetória de uma grande artista, mas para relembrarmos os desafios que ainda existem na construção de um meio musical mais inclusivo e diverso. 


O VIOLINO NA MÚSICA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA
Um manual de técnicas estendidas
Ana de Oliveira
Clube de Autores. 124 páginas. R$ 60,00. Desconto de 10% para assinantes.
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A trajetória da violinista Ana de Oliveira está bastante associada à música brasileira e, em especial, à criação contemporânea. Ela já atuou como spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira, cargo que ocupa hoje na Orquestra Sinfônica Nacional da UFF. E, como camerista, integra o Trio Puelli. Toda essa experiência foi usada em seu trabalho de mestrado, agora lançado em livro. O objetivo é oferecer subsídios técnicos e teóricos sobre o assunto, em uma obra que pode ser utilizada como um manual para estudantes de violino e composição. O termo “técnicas estendidas” define todos os meios técnicos instrumentais não tradicionais e não convencionais para a performance de obras contemporâneas. “Foi devido à minha dedicação na execução do repertório para violino dos séculos XX e XXI e, naturalmente, a partir de minhas próprias dificuldades na busca por soluções para a execução de determinadas passagens, assim como em interpretar novas notações musicais, que surgiu a necessidade de elaborar um manual sobre técnicas estendidas para o violino”, destaca a autora. Um trabalho fundamental, que joga luz sobre o tema em um momento no qual o interesse pela nova criação torna-se maior e é compreendido como importante na formação de jovens músicos.