Osesp lança gravação das últimas três sinfonias de Mozart pelo Selo Digital

por Redação CONCERTO 18/04/2022

O Selo Digital da Osesp acaba de lançar uma gravação com as três últimas sinfonias de Mozart regidas pelo maestro Thierry Fischer. Os registros foram feitos ao vivo no final da temporada 2021 e estão disponíveis para download gratuito.

Nas apresentações, a Osesp foi dividida em dois grupos, que se revezaram na preparação das obras.

Em entrevista concedida a Arthur Nestrovski e publicada no livro sobre a temporada, Fischer explicou o interesse em apresentar as obras: “A temporada começou com obras que expressam modernidade e novidade, como as de Stravinsky. O que acho fascinante é que Mozart, ao contrário, não foi um inovador. Ele compôs usando as possibilidades orquestrais que já existiam em seu tempo: não propôs nenhuma revolução, inventou uma nova linguagem, adicionou piccolos ou trombones à orquestra (como Beethoven) ou usou alguma técnica que não existia antes — mas, de alguma forma, conseguiu colocar em sua música orquestral uma profundidade que ninguém mais obteve. É como cozinhar: com os mesmos ingredientes, apenas um gênio faz uma comida simplesmente maravilhosa.”

Segundo Fischer, há uma série de elementos a unir as sinfonias. “Elas foram criadas, simultaneamente, em apenas um mês — julho de 1788, três anos antes de sua morte. Mozart jamais chegou a ouvi-las, mas elas se tornaram destaques de sua produção”, diz o maestro. “Além disso, há conexões musicais fascinantes entre elas. Sabemos que a indicação de andamentos, em Mozart, é muito específica. (...) Há quase vinte indicações diferentes de adagios e mais de quarenta de allegros e andantes na obra de Mozart. E isso explica a relação entre as três sinfonias. A nº 39 é sobre irmandade, fraternidade, soa cheia de esperança e de natureza maçônica. Já a nº 40 parece repleta de desespero, de influências do Sturm und Drang [tempestade e ímpeto], expressando o drama fundamental da existência do compositor. E a nº 41 é mais heroica, como a paz que sucede a tragédia, mas também está cheia de simbolismos.”

“Apesar de serem muito diferentes em caráter, há conexões incríveis de pulsação entre elas: os minuetos das três sinfonias têm o mesmo andamento, o que é fascinante — toda vez que rejo as sinfonias, tento fazer com que esses movimentos tenham exatamente a mesma pulsação. Além disso, há uma longa curva de desaceleração durante a Sinfonia nº 40 e, ao contrário, um gradativo acelerando ao longo da Sinfonia nº 41”, afirma Fischer.

A entrevista completa com o maestro pode ser lida aqui.

O Selo Digital Osesp traz gravações feitas ao longo da temporada da orquestra. São registros ao vivo que contemplam um amplo repertório da música de câmara a grandes obras sinfônicas, com especial atenção a solistas e compositores brasileiros. Por ele, devem ser lançadas também as sinfonias de Beethoven regidas por Fischer ao longo dos anos de pandemia.

Thierry Fischer durante ensaio com a Osesp [Divulgação]
Thierry Fischer durante ensaio com a Osesp [Divulgação]

 

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