Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quarta-Feira, 28 de Junho de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
Pierre Boulez, o incansável (19/7/2010)
Por João Marcos Coelho

É inacreditável, mas verdadeiro: a entrevista mais atual e desafiadora deste ano foi concedida por um senhor de 85 anos a um repórter do jornal espanhol El Pais, em junho passado, e em seguida parcialmente reproduzida pelo Estadão. O compositor Pierre Boulez continua indomável, provocador, inteligente – enfim, uma figura tão importante hoje quanto foi na segunda metade do século passado, ao lado de outros criadores hoje mortos, como Luciano Berio, Karlheinz Stockhausen, György Ligeti e Luigi Nono.

Como Willy Correa de Oliveira pediu dois anos atrás, também Boulez desafia a atual geração de compositores e músicos a “matá-lo” para se afirmar. De seu lado, Boulez “matou” Arnold Schoenberg, Alban Berg, Anton Webern e Igor Stravinsky quando estava  na chamada flor da idade, entre os 25 e 35 anos; e em seguida enterrou seu professor parisiense, Olivier Messiaen. Descartou John Cage pela precariedade de conhecimentos musicais técnicos, embora apreciasse sua inventividade; e repete hoje que o serialismo foi apenas um túnel em direção a uma nova paisagem: a da liberdade absoluta, que precisa ser desfrutada hoje em dia.

Pierre Boulez [Foto: divulgação / reprodução site www.elpais.com]

Por isso, afasta-se de intérpretes e/ou compositores quando sente neles o menor sinal de covardia em exercer sua liberdade sem limites. “O problema é que eles têm medo de não agradar ao público. Mas eles devem primeiramente agradar a si mesmos. Depois é que poderão convencer os que os ouvem, senão estarão perdendo tempo. Nunca tive medo disso. Quando pensava que era preciso fazer alguma coisa, eu a fazia.”
Isso e muito mais está na entrevista notável realizada por Jésus Ruiz Mantilla para o El Pais. (Clique aqui para ler a entrevista na íntegra.)

Há duas semanas, um jovem compositor queixava-se comigo de que sua geração – ele está beirando os 30 anos – é muito acomodada. Olha à sua volta e constata que nenhum de seus pares tem um milésimo da energia e poder de provocação de um Pierre Boulez (ele tinha acabado de ler o trecho da entrevista).

E o pior é que isso é rigorosamente verdadeiro. Um outro intérprete muito admirado por Boulez, o pianista Pierre-Laurent Aimard, também escreve, num livro recentíssimo, que é surpreendente que os criadores musicais que “façam” ainda hoje a nossa cabeça sejam os mesmo que já eram decisivos “no século passado”.

Quem sabe não seja bom divulgar ao máximo esta entrevista de Boulez na íntegra. Todo criador musical, com mais ou menos de 30 anos, deve conhecê-la. Termino com mais um trechinho da entrevista, quando o autor de Pli selon Pli diz que “não trabalhamos apenas para o público. Em primeiro lugar, somos nós que devemos ouvir o que fazemos”. Mas o público é importante, diz Mantilla. “Bom, é importante, mas no sentido de que deve ouvir uma mensagem. Uma mensagem que não jogamos contra o espelho, mas que deve ser ouvida”. Em que medida o público aceitou estas suas propostas tão radicais? Resposta: “Há sempre uma adaptação. O que o público aceita agora não era aceito há 50 anos. Há peças que hoje são um sucesso quando são tocadas, e que na época não eram entendidas”.

Ele comanda, neste verão europeu, a Academia do Festival de Lucerna. Dará aulas, ensaiará a orquestra. Tem o DNA do guerreiro, do lutador que jamais esmorece. Vejam só como este homem de 85 anos pensa a missão do compositor: “O verdadeiro desafio está em inventar novas formas para cada peça criada, superar as que existem. Há um desafio também para quem escuta, ao defrontar-se com esta nova forma pela primeira vez. Na segunda, na terceira vez, a apreciará mais. É sempre preciso orientar as pessoas, é claro”.

Para um criador tão cerebral, pergunta Mantilla, “onde está o prazer na música radical?”. Resposta: “O prazer existe”. Mas vocês não o buscavam. “Bom, não o buscávamos. Não estava nos meus parâmetros. Outra coisa é gostarmos ou não do resultado. Eu gosto da explosão da violência, da desordem, da dureza, embora não seja possível qualificá-la, não haja palavras para descrevê-la. Se entram as palavras, o ilustramos, e isto não me interessa”.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 1
 

 
São Paulo:

29/6/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
29/6/2017 - Ensemble San Carlino (Itália)

Outras Cidades:
28/6/2017 - Natal, RN - Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046