Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sábado, 29 de Abril de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
2010: saldo positivo para a música clássica (27/12/2010)
Por Camila Frésca

Estamos nos despedindo de 2010 e, relembrando a temporada que se encerrou, tivemos de modo geral um grande ano para a música clássica em São Paulo e no Brasil. Claro que houve perdas importantes e problemas de várias ordens, mas quero me ater aqui ao que de bom aconteceu.

Mesmo enfrentando turbulências internas, a Osesp continuou garantindo ao público paulista alguns dos melhores concertos da temporada. Para citar apenas dois, vale lembrar a atuação histórica de Kristjan Järvi comandando a orquestra na Sagração da primavera, de Stravinsky (e que o colega Irineu Perpetuo comentou em artigo neste site – clique aqui) e, já em dezembro, a ótima performance do grupo acompanhando Nelson Freire num dia especialmente inspirado e brilhante. Outro recital memorável foi o do duo formado pela pianista Maria João Pires e o violoncelista Antonio Meneses, que tocou na Sala São Paulo e em Campos do Jordão. As atrações internacionais também foram muitas e de altíssimo nível: a Filarmônica de Munique sob regência de Zubin Mehta, o violinista Itzhak Perlman, a soprano Jessye Norman se reinventando num repertório de música popular, o violonista Pepe Romero, o violoncelista Yo-Yo Ma etc.

Porém o mais bacana é perceber que a qualidade dessa vida musical não esteve apenas em concertos protagonizados por uma pequena elite musical nacional ou então pelas grandes estrelas internacionais que por aqui aportaram. Ela também se refletiu em iniciativas múltiplas, que surgiram e/ou se consolidaram em diversas partes do país e que garantirão, num futuro próximo, um ambiente musical mais sólido e diversificado. Dentre as novidades está a Camerata Aberta, grupo dedicado à música contemporânea que abriu novas e estimulantes perspectivas de difusão desse repertório (e de seu modo específico de interpretação) no país, e as duas iniciativas ligadas à ópera: a criação da orquestra e da temporada lírica do Teatro São Pedro, em São Paulo, e da Cia. Brasileira de Ópera, capitaneada por John Neschling e que levou uma montagem moderna de O barbeiro de Sevilha a diversas cidades do Brasil, várias das quais nunca tinham recebido um espetáculo do gênero. De outro lado, é com entusiasmo que se acompanha a consolidação de um movimento de renovação e criação de orquestras num nível de qualidade até então raro por aqui. A partir do exemplo da Osesp outros conjuntos passaram a se mobilizar, oferecendo para sua população local um universo musical que para muitos era desconhecido. As sinfônicas de Sergipe, Espírito Santo e Mato Grosso são um exemplo dessa renovação, que tem na Filarmônica de Minas Gerais seu maior símbolo.

Se de um lado a música contemporânea conquistou um espaço importante com a Camerata Aberta, de outro a música antiga igualmente tem fincado bases sólidas. O trabalho pioneiro do Festival de Juiz de Fora espraiou seus resultados e hoje existe um Núcleo de Música Antiga na Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp), além de um trabalho de formação de intérpretes e difusão desse repertório que se consolida – o destaque do ano nessa área, aliás, foi o belíssimo disco do violoncelista Dimos Goudaroulis ao lado do cravista Nicolau de Figueiredo.

Para terminar, vale ainda mencionar o avanço que tem sido observado na área fundamental que é a formação musical. A já mencionada Emesp (antiga ULM) é um dos maiores exemplos nesse sentido e, ao lado do Conservatório de Tatuí – ambas iniciativas do governo do estado de São Paulo – tem sofrido profundas transformações que objetivam oferecer uma formação musical sólida e de alto nível. Na outra ponta, programas que combinam iniciação musical e inserção social estão se multiplicando pelo país e mostram-se cada vez mais conscientes da necessidade de priorizar a qualidade do ensino oferecido: Guri (SP), Música nas Escolas (Barra Mansa), Neojibá (Bahia), Instituto Baccarelli (São Paulo) e o recém-criado núcleo de educação musical em Paulínia são alguns dos exemplos.

Nem tudo são flores mas, diante de tantos bons acontecimentos, não há como não ter uma boa dose de otimismo sobre o futuro de nosso ambiente musical. Um ótimo 2011 para todos!





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

Mais Textos

E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
Sígrido Levental e o Conservatório do Brooklin (lembranças pessoais) Por Nelson Rubens Kunze (3/2/2017)
Sarau e livro recuperam a obra do violinista catarinense Adolpho Mello Por Camila Frésca (23/1/2017)
Nação civilizada (ou seria incivilizada?) Por Nelson Rubens Kunze (18/1/2017)
Diário de viagem Por Jorge Coli (16/1/2017)
Para conhecer Claudio Santoro Por Irineu Franco Perpetuo (23/12/2016)
Feliz Ano Novo? Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2016)
Fim da Oficina de Curitiba: populismo da pior espécie Por João Marcos Coelho (20/12/2016)
Um retrato do Painel Funarte de Ensino Coletivo Por Camila Frésca (19/12/2016)
Aleyson Scopel faz ótima apresentação no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (16/12/2016)
Em Porto Alegre, uma “Carmina Burana” para lembrar Por Everton Cardoso (15/12/2016)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
26 27 28 29 30 31 1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

30/4/2017 - II SPHarpFestival

Rio de Janeiro:
29/4/2017 - Roberto de Regina - cravo

Outras Cidades:
29/4/2017 - Belo Horizonte, MG - Ópera Norma, de Bellini
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046