Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Terça-Feira, 22 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Roberto Carlos, Maria Bethânia e Virada Cultural. São tantas as emoções!! (23/3/2011)
Por João Marcos Coelho

Certos fatos volta e meia retornam travestidos de um ou outro jeito e teimam em escancarar a ausência total de bom senso na condução de uma política cultural no país. O mais ruidoso acontecimento da semana passada foi o anúncio de que o Ministério da Cultura aprovou o projeto de um blog de poesia da cantora Maria Bethânia, no valor de R$ 1,3 milhão. Isso quer dizer que dinheiro público (via incentivos fiscais) será injetado num blog para Bethânia recitar poemas. Dizem que só ela embolsaria R$ 600.000,00 pelo trabalho.

É difícil acreditar que a chamada cultura de massa, já comercialmente viabilizada por natureza, ainda é contemplada com incentivos fiscais. Bem, até que isso não é novidade. Roberto Carlos e várias de suas centenas, milhares de turnês de ‘emoções’ receberam incentivos fiscais. Não sei, mas o Rock in Rio também deve ter se candidatado a recursos incentivados.


Roberto Carlos e Maria Bethânia [Fotos: divulgação]

Acreditem, não é fácil convencer as pessoas, mesmo as de bom senso e boa vontade, a concordar com o argumento de que o rei, a cantora baiana e o Rock in Rio já são viabilizados comercialmente, e portanto não necessitariam de nenhum incentivo fiscal às custas, portanto, dos contribuintes. Eles acham que eles também são filhos de Deus, e não podem ser discriminados. Quando a Lei Rouanet ainda se chamava Lei Sarney (sim, crianças, o bardo da Academia de Letras foi o primeiro patrono da lei de incentivos fiscais), um editor do Paraná abiscoitou generosas verbas incentivadas para editar aqueles livrinhos pornográficos que fizeram a glória de Carlos Zéfiro.

A mesma distorção permanece, só que agora é menos esculachada. Num quadro desses, imagine como ficam a música nova e os compositores contemporâneos eruditos, que em definitivo não têm vida fácil. Quem encomendará obras a estes criadores ou patrocinará concertos e festivais? Não as empresas, certamente. Apenas as orquestras, Funarte, instituições oficiais. E assim, sim, as verbas do Ministério da Cultura seriam bem empregadas.
A novidade é que não nos horrorizamos mais com isso. Passou a ser banal,  justificado até. A ponto de quem investe contra estas distorções ser acusado de elitista, ora vejam!

Outra insensatez que já se consolidou na vida musical é a chamada Virada Cultural. Inventada por um secretário municipal de Cultura de São Paulo preocupado em mostrar que leva arte e cultura a milhões de paulistanos, ela vai acontecer de novo em 16 e 17 de abril próximo. Dezenas de palcos serão montados  em toda a cidade, sonolentos músicos e cantores se apresentarão por 48 horas – incluindo as madrugadas – para o chamado grande público. É o tipo de megaevento que só serve para os relatórios finais de gestão. A meta é esfregar na cara da oposição que conseguiu atingir tantos milhões de pessoas. A arte, a cultura – elas que se lixem. Com as imensas verbas investidas nestas viradas culturais seria possível botar em ordem instituições culturais permanentes da cidade. Mas a quem isso interessa? Aos músicos, aos artistas, à população, certamente. Mas não a quem só olha números.

A distorção na prática das políticas culturais deve-se a uma deliberada e perversa confusão acaciana que se teima em estabelecer. O que é bom deve ser para todos; portanto, se não é para todos, não é bom. De tanto repetir as mentiras, já dizia Goebbels, autor do primeiro mandamento da propaganda, elas se transformam em verdades.

Do jeito que as coisas vão, ainda teremos que acreditar que o MinC deve mesmo autorizar a concessão de incentivos para os projetos de Roberto Carlos e suas emoções e Maria Bethânia recitando poemas. E vibrar com o amontoado de centenas de apresentações desconexas da virada cultural, que consome uma verba astronômica e nada deixa em termos permanentes – só os cachezinhos que os músicos embolsam. Será que um dia isso muda?  Rsrsrsrsrsrsrsrs, como dizem os twiteiros.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

29/8/2017 - Coro da Osesp

Rio de Janeiro:
26/8/2017 - Eduardo Monteiro - piano, Paulo Sérgio Santos - clarinete, Luiz Garcia - trompa e Fernando Portari - tenor

Outras Cidades:
27/8/2017 - São José do Rio Preto, SP - Quarteto Radamés Gnattali
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046