Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Biscoitos finos para a massa (9/5/2012)
Por João Marcos Coelho

Desculpem a insistência com o tema, sobre o qual já escrevi neste espaço, mas tenho de voltar a falar da Virada Cultural. Tudo por causa de uma imagem que se transformou numa obsessão na minha cabeça nos últimos dias. Vocês certamente se lembram dela. Uma multidão se espremendo, lutando bravamente num tumulto declarado. E para quê? Disputando a galinhada do “chef” Alex Atala, dono do quarto melhor restaurante do mundo, segundo uma badalada pesquisa internacional recente.

Até aí, tudo bem, pensei. O povão queria ver como se alimenta o pessoal do andar de cima, degustar o biscoito fino do qual jamais sonhara chegar mais próximo do que contemplar com água na boca uma foto de um dos pratos alexianos (ou atalianos?) numa dessas revistas luxuosas de gastronomia. As autoridades exultaram com o tumulto – prova do êxito da Virada. Entrevistados, as respostas dos consumidores de primeira viagem da alta gastronomia de Atala coincidiram num ponto: declararam-se decepcionados com a exígua quantidade de comida, reduzida a um pedacinho de frango recobrindo algo inidentificável, parecido com arroz ou creme, sei lá. Atala também deve ter se arrependido do gesto populista.


Multidão em frente à barraca de Alex Atala no Minhocão e imagem do restaurante D.O.M. [fotos: divulgação]

São várias as lições a se tirar do episódio. A primeira, sem dúvida, é que ninguém perguntou à massa se ela queria mesmo o biscoito fino. A segunda é que lhe venderam gato por lebre. O copinho de plástico com uma remota lembrança da galinhada do ilustre chef está longe, muito longe do contexto sofisticado de seu restaurante, no qual fazem seus repastos os mais apetrechados, financeiramente falando.

Com a música, foi a mesma coisa. O que passo a relatar resulta do que saiu na imprensa. Resumindo: tudo parecia fora do lugar. Levar o complexo piano de McCoy Tyner, parceiro lendário do saxofonista John Coltrane, e seu quarteto para um show ao ar livre soa no mínimo inadequado. Os exemplos poderiam multiplicar-se, já que foram, segundo os orgulhosos releases oficiais, mais de 4 milhões de pessoas presentes em 1.000 eventos. Mil eventos em 24 horas? Seguramente, é a maneira mais eficiente e rápida de gastar a verba cultural de um ano inteiro. Alguém aí lembra do desenho do papa-léguas. Quem viu, viu; quem não viu, só na Virada do ano que vem. Como o ano – descontando-se os feriados e as férias escolares – tem 250 dias, aproximadamente, com estes recursos seria possível realizar quatro eventos musicais diários, o ano inteiro. É uma de dezenas de idéias que contribuiriam mais para a vida musical da cidade. Mas a virada ta virando vírus – já tem uma estadual. Daqui a pouco o MinC se entusiasma e faz uma nacional, já pensaram? Cinco milhões de eventos em 24 horas, do Oiapoque ao Chuí? Gente como o Cachoeira adoraria.


Fila sobre o Minhocão, em São Paulo, à espera da galinhada de Alex Atala [foto: divulgação / reprodução site jornaldiadia.com.br]

Voltando ao biscoito fino. Alguém aí acha que o público que viu os espetáculos eruditos está levando o chamado banho de loja de música clássica e começará a consumi-la daqui para a frente? Desde quando evento transforma a vida musical de uma cidade? Pode transformar a vida de quem os organiza, isso sim. Quanto aos músicos, bem... eles só estão a fim de abiscoitar (trocadilho infame!) uma graninha extra...

Desculpem novamente. A imagem do povão disputando o copinho de galinhada do Alex Atala não me sai da cabeça. Além do símbolo que carrega, confesso que há também nisso uma razão pessoal: afinal, eu gostaria de receber em casa um copinho desses de galinhada do Atala. Justo. Pois não é o que diz a propaganda oficial, alardeando que leva médicos, kits para mães grávidas e remédios na casa dos munícipes? Tai uma boa idéia. Uma virada gastronômica: que tal levar os biscoitos finos para quem tem de fato fome?


Alex Atala [montagem/foto: divulgação]





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

18/8/2017 - Orquestra Sinfônica da USP

Rio de Janeiro:
26/8/2017 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
26/8/2017 - Rio Claro, SP - Turíbio Santos - violão
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046