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Oferenda Musical ajuda a repensar Osvaldo Lacerda e sua produção (7/8/2008)
Por Camila Frésca

Osvaldo Lacerda tem sido homenageado pela Oferenda Musical, o festival de música de câmara organizado pela Secretaria Estadual de Cultura e dirigido por Alex Klein, que acontece no Theatro São Pedro até este sábado dia 9. A lembrança, aliás, é mais do que apropriada, pois além de um dos mais destacados compositores da atualidade ele tem especial predileção pela música de câmara.
É conhecida e notória a filiação de Osvaldo Lacerda à escola nacionalista teorizada por Mário de Andrade - em livros como Ensaio sobre a música brasileira, de 1928 - e que encontrou seguidores em Camargo Guarnieri e Guerra-Peixe, entre outros. Pois bem, Lacerda foi um dos mais importantes alunos de Guarnieri e talvez seja hoje o último grande representante desta escola. Desde meados do século XX, contudo, o nacionalismo vem encontrando desafetos ferrenhos, e quase todos os movimentos que propõem renovar a música brasileira miram, mesmo que de forma velada, esta corrente estética como uma de suas principais "inimigas". É o caso por exemplo dos movimentos Música Viva, liderado por Koellreutter a partir de 1948, ou Música Nova, de Gilberto Mendes e Willy Corrêa de Oliveira, entre outros, na década de 1960. De lá para cá, as inclinações estéticas foram se multiplicando, e o discurso da maioria dos compositores aponta para uma escrita livre de ideologias, baseada primeiramente em motivações pessoais. Se evita-se "guetos" em geral, ser tachado de nacionalista é quase uma ofensa.
Neste contexto, Osvaldo Lacerda é visto com reservas, não apenas por ser identificado como nacionalista mas por fazer questão de afirmá-lo com convicção. Ao entrevistá-lo em 2007, quando completou 80 anos, o compositor fez questão de me dar uma última declaração - mesmo que em nenhum momento tivéssemos tratado do assunto: "Sou nacionalista e não aceito que o compositor brasileiro escreva música européia. Desde a primeira nota, tudo o que escrevi foi música puramente brasileira."
Assim, imbuídos de um sentimento avesso em relação a esta escola - seria um anacronismo imperdoável ainda ter seguidores? - público e crítica ignoram a produção de um compositor dono de uma obra numerosa e de altíssima qualidade. Se de fato muitas de suas peças têm como germe um tema folclórico, é igualmente verdadeiro que seu idioma nacionalista é na maioria das vezes altamente depurado. Encarada sem preconceito, percebemos que sua música parte de uma convicção nacional, mas o que salta mesmo aos ouvidos e fica na memória é o enorme métier, o apuro técnico e a musicalidade. É o que se tem podido conferir nestes ótimos recitais da Oferenda Musical, que já apresentaram diversas obras de Lacerda. Aqueles que se animarem, o concerto de hoje (dia 7) e os dois de sábado (dia 9 às 16h30 e 20h30) serão uma boa oportunidade para ouvir e refletir sobre sua produção.




Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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